Na estrada 14/09/2019 00h00 Atualizado às 19h30

A bordo da Kombi Josefina, santa-cruzenses rodam o Brasil de Sul a Norte

Há seis meses, Robson Rubert e Eduarda Hirsch Lopes deixaram Santa Cruz do Sul para experimentar um novo estilo de vida

Se você já teve vontade de sair pelo mundão afora sem gastar muito, vai curtir a história deste casal santa-cruzense que decidiu dar uma reviravolta na vida. Há pouco mais de seis meses, Eduarda Luiza Hirsch Lopes, de 20 anos, e o marido Robson Franceschi Rubert, 25, acompanhados da simpática cachorra Sky, ganharam o Brasil a bordo da Kombi Josefina. E enquanto você lê essa reportagem, a dupla vende artesanato em alguns dos pontos da capital baiana, Salvador.

“Largamos nossa vida antiga para sermos viajantes. Eu sou ex-acadêmica de Pedagogia e monitora de escola de educação infantil. Ele, ex-militar e estudante de Engenharia de Controle e Automação”, conta Eduarda. Apesar da viagem ter iniciado no dia 1º março desse ano, o planejamento começou em 2018, quando o casal teve a ideia de dar um pulinho na Austrália para aperfeiçoar o idioma inglês. No embarque, contudo, somente o visto de Robson foi aceito.

Enquanto ele viajava pelo país da Oceania, de abril a outubro de 2018, os dois faziam planos a distância. Dos projetos nasceu um mochilão, realizado logo após o retorno de Robson, no fim do ano passado. “Percorremos todo o litoral de Santa Catarina a pé e de carona, fazendo camping selvagem”, conta Eduarda. Dessa experiência nasceu o projeto maior: investir todas as economias na compra de uma Kombi.

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Diário de bordo

E grana para isso tudo?

Veio da economia feita durante a permanência em Santa Cruz e, agora, com as vendas do próprio artesanato. Para curtir a viagem, os dois juntaram grana durante anos. “Vivíamos com nossos pais, ficávamos um pouco na casa de cada um. O dinheiro que tínhamos era fruto do trabalho do Robson, na Austrália, e do meu, em Santa Cruz. Só tínhamos para comprar a Kombi e para o primeiro mês de viagem”, revela Eduarda.

Uma pane no veículo, contudo, fez com que a reserva se esgotasse antes do previsto. Desde então, eles se mantêm com a venda de colares, brincos e pulseiras produzidos com linha encerada e fios de opaca e cobre. Técnicas conhecidas na própria estrada, com preços que variam de R$ 5,00 a R$ 30,00.

“Temos só para o essencial: gasolina e comida. Viajamos sem reserva. Não tivemos tanto preparo financeiro, mas mental. Nossa viagem é, também, para mostrar que é possível viajar muito gastando pouco. Só é preciso um pouco de coragem.”

Vou de Kombi, cê sabe...

Hoje, existe a certeza de que o futuro pode render mais viagens. Pelo menos esse é o plano dos dois santa-cruzenses. Além de desejar conhecer todo o litoral brasileiro, o interior do País e, depois, fazer uma visita à família em Santa Cruz, eles querem percorrer de uma extremidade a outra das Américas, do Alaska ao Ushuaia, na Argentina. Sobre as datas, Eduarda prefere não deixar nada marcado. “Não temos previsão de nada, sabe? Só de seguimos viagem.”

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Uma parada para agradecer

Entre um destino e outro, Eduarda e Robson procuram encontrar espaços para agradecer pela oportunidade de viver na estrada. “Todos os dias nos deitamos para dormir e agradecemos. Para nós, todo dia é dia de agradecer. Na estrada estamos sujeitos a muitas coisas. Os perrengues sempre foram materiais, então só temos de ser imensamente gratos”, conta Eduarda.

Essas preces, contudo, têm garantido momentos especiais para os dois. Quando saíam de Trindade, no Rio de Janeiro, por exemplo, em uma grande subida a Kombi ficou sem combustível. “Pouco antes de ficarmos sem gasolina, prestamos socorro a um outro carro que estava subindo. Quando a Josefina parou, esse mesmo motorista me levou ao posto mais próximo, distante uns 30 quilômetros, e me trouxe de volta”, conta Duda.

A vida em uma residência sobre rodas ano 1977

Porquinhos quebrados, economias contadas. No início desse ano, Eduarda e Robson viram o projeto criar forma. Com o apoio da família, a dupla investiu as finanças e o tempo em um modelo de 1977. “Remontamos a Kombi com materiais de resto de carretas que meu pai conseguiu pra gente e com o maquinário do pai do Robson. Nossa família sempre nos apoiou”, lembra Eduarda. Josefina é autossustentável, o que torna a viagem independente de energia elétrica.

O veículo, porém, foi o protagonista de um dos maiores perrengues que os dois já passaram durante a aventura. Na segunda semana de viagem o pino central da condução quebrou. “O Robson ainda não tinha o conhecimento que ele tem da mecânica hoje. Tivemos que gastar o que havia sobrado das nossas economias no conserto. Chegamos com R$ 15,00 em Florianópolis. Depois disso tivemos que fazer dinheiro para seguir a viagem”, conta Duda, como também é conhecida.

Dos 90 lugares percorridos em sete estados brasileiros, as histórias são muitas: “Já atolamos a Josefina no meio do nada, à noite, e tivemos que desatolar, só nós dois; retiramos o motor umas duas vezes para consertar; já ficamos sem gasolina em uma serra e, também, na ponte Rio–Niterói.”

Quer fazer parte dessa viagem?

Além de vender o próprio artesanato, Eduarda e Robson têm compartilhado a experiência no Facebook e no Instagram com o perfil Cadê minha mochila?. Quem também quiser compartilhar um dinheiro com os jovens, pode contribuir pela vaquinha online http://vaka.me/427377.

Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal