Vale Verde 24/09/2019 21h50 Atualizado às 06h06

VÍDEO: Sítio é o primeiro local na região para recuperação de pássaros

Nessa terça-feira, 24, uma leva de 40 passarinhos foram soltos em um corredor de voo na propriedade da família Kist

Encantar os visitantes com o turismo rural já não é o único propósito do Sítio Buraco Fundo, no interior de Vale Verde. A 56 quilômetros do Centro de Santa Cruz do Sul, no distrito de Dourados, a propriedade da família Kist agora também é o primeiro Centro de Recuperação e Soltura de Animais Silvestres do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Vale do Rio Pardo. Na manhã dessa terça-feira, 24, a Gazeta do Sul acompanhou a chegada à propriedade da segunda leva de animais resgatados. Foram 40 passarinhos soltos em um corredor de voo – um tipo de viveiro onde reaprendem a voar para depois serem deixados no seu hábitat natural. Dentre as aves, que são nativas da região e foram apreendidas em diversas partes do Estado, havia exemplares de bico-duro, cardeal, sangue-de-boi, azulão, coleirinha, canário-da-terra, trinca-ferro, tico-tico-rei e coleirinha.

Foto: Fernanda Szczecinski/Gazeta do SulCecília é avó de Paula e dona da propriedade onde funciona o Sítio Buraco Fundo
Cecília é avó de Paula e dona da propriedade onde funciona o Sítio Buraco Fundo

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A escolha do sítio

A ideia de transformar o sítio em um centro do Ibama surgiu após uma veterinária do instituto se hospedar na propriedade, há alguns meses. “Ela gostou do lugar e nós decidimos abraçar a ideia. Primeiro foi preciso dar andamento às questões burocráticas e aí construímos o viveiro”, explica a proprietária Paula Kist. A estrutura erguida no sítio é um corredor de voo, um viveiro em meio à natureza onde os pássaros poderão reaprender a voar. Quando a recuperação estiver completa, o que leva em torno de um mês, as telas serão abertas e as aves poderão, pouco a pouco, se reintegrar à natureza.

Nessa terça-feira, 24, 40 passarinhos chegaram ao sítio, mas a primeira leva de animais – 18 – já havia sido deixada na propriedade há duas semanas. “Esses foram soltos direto na natureza, e nos primeiros dias não saíam de dentro do nosso quiosque. Teve momentos em que até no bule de café eles sentavam, provavelmente porque estavam acostumados a ter contato com as pessoas”, conta Paula.

Dois dos animais recebidos nessa terça-feira – um canário e uma graúna – ficaram cegos por conta de maus-tratos e foram colocados em um viveiro permanente, de onde não poderão retornar ao seu hábitat natural. Em um futuro próximo, o sítio também deve ter uma estrutura para receber animais de grande porte, como macacos e felinos silvestres, que hoje são encaminhados para recuperação em São Paulo. Além do Buraco Fundo, o Ibama tem um centro de recuperação e soltura na Quinta da Estância, em Viamão. “Mas lá o espaço já está lotado. Somente este ano eles já receberam 8 mil aves resgatadas do tráfico de animais”, ressalta.

Foto: Alencar da Rosa


Apoio da comunidade

O trabalho desenvolvido pelo sítio em parceria com o Ibama é totalmente voluntário. De acordo com a proprietária Paula Kist, a comunidade de Vale Verde também abraçou a ideia. “Eles doaram materiais, alguns estabelecimentos deram descontos, outros contribuíram com bebedouros, e assim foi indo. A adesão de todos foi muito legal”, comenta.



Um lugar para relaxar e praticar o “nadismo”

O Sítio Buraco Fundo é uma pousada rural que funciona desde 2015 na propriedade da família Kist, no interior de Vale Verde. O negócio começou quando a proprietária, Paula Kist, que é formada em Gastronomia e Turismo e tem uma especialização em gestão hoteleira, colocou um quarto da casa da família para alugar no AirBnb. A partir daí o local atraiu visitantes e novos espaços foram sendo agregados. Hoje o sítio conta com dois bangalôs para casais, piscina, ofurô e um quiosque onde são servidas as refeições – grande parte dos ingredientes é colhida na horta do próprio sítio, que não leva agrotóxicos. O almoço é sempre uma refeição coletiva, preparada com muito amor por Cecília, avó de Paula. Já as outras refeições são mais reservadas e podem ser, inclusive, servidas no quarto. “Era isso que as pessoas queriam, um lugar para sair da muvuca da cidade e relaxar. A ideia, então, é que elas venham para cá relaxar e praticar o ‘nadismo’”, conta Paula. São recebidos hóspedes a partir de 14 anos e o foco da pousada são os casais. Além da imersão em meio a muito verde, a propriedade tem um pequeno lago, patos, cachorros e agora também as aves resgatadas. Há opção de massagens, fogueira na beira do lago e uma série de outros mimos que são oferecidos por Paula e Cecília. Além das proprietárias, o local conta com mais três colaboradores. O sítio não é aberto à visitação e as reservas podem ser feitas pela internet.

Foto: Alencar da RosaDesde 2015 o sítio funciona como uma pousada rural
Desde 2015 o sítio funciona como uma pousada rural
Foto: Alencar da RosaSem sinal de celular, sítio permite imersão em meio a muito verde
Sem sinal de celular, sítio permite imersão em meio a muito verde

 


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