Infraestrutura 04/10/2019 21h05 Atualizado às 11h22

Buracos desafiam o transporte entre Santa Cruz e Rio Grande

Más condições da RSC-471, entre Encruzilhada do Sul e o entroncamento com a BR-392, exigem perícia dos motoristas

O trecho entre Santa Cruz do Sul e Rio Grande tem 345 quilômetros. É percurso diário de muitos caminhoneiros que transportam produtos até o porto. Um dos percalços da viagem é a situação precária da RSC-471, principalmente de Encruzilhada do Sul até o entroncamento com a BR-392. Buracos de diversos tamanhos surgem de repente na pista, o que exige perícia de quem está no volante. Ao desviar, os condutores correm risco de acidente. Além disso, o acostamento é estreito e a sinalização horizontal praticamente some da ponte do Rio Camaquã até a BR-392, em uma distância de 35 quilômetros.

Em uma borracharia a quatro quilômetros de Encruzilhada do Sul, os irmãos Marcelo e Eduardo Lemes Lobo, representantes comerciais de Pelotas, aguardavam o conserto de um dos pneus da Fiat Fiorino em que carregam os produtos químicos que vendem. Segundo eles, os cortes e furos são comuns – ao menos uma vez por mês –, fora o prejuízo com avarias no carro, o que exige reposição de peças e componentes. “Em uma viagem, furaram dois pneus. Precisei de uma carona de moto para ir até a borracharia mais próxima. Precisamos conviver com isso”, relatou Eduardo. Em sete anos de utilização frequente da rodovia, a dupla não viu recuperações significativas no asfalto.

Concluído em 2008 pela então governadora Yeda Crusius (PSDB), o eixo sul da RSC-471 reduziu a distância de Santa Cruz até Rio Grande em 110 quilômetros. O diretor regional do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Estado (Setcergs), Alaor Canêz, acredita que as transportadoras precisam se unir para cobrar providências em relação às condições da rodovia. “Se fazem um serviço de tapa-buracos, na primeira chuva eles já reaparecem. Deteriora muito rápido. Não podem deixar chegar ao ponto do que houve com a RSC-153, em Barros Cassal.”

O caminhoneiro André Amaral, transportador de cargas há dez anos na região, afirma que os panelões aparecem logo depois de um dia de chuva forte. Algumas crateras precisam ser fechadas com concreto. “Os motoristas de carros pequenos precisam cuidar muito. Se o buraco está cheio de água, não dá para ter noção do quanto é fundo. É perigoso e pode até arrancar uma roda dianteira”, observou.

Próximo ao acesso a Encruzilhada pela Avenida Arnildo Genz, a Borracharia Soares atende 24 horas. Jamila Escouto Batista conta que o marido, o borracheiro Vilson, precisa levantar de madrugada com frequência para atender as vítimas dos buracos. “Estamos há uns cinco meses aqui nesse ponto. Sempre tem muito serviço.”

Conforme o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer-RS), o trecho receberá melhorias no pavimento em breve. Elas estão previstas no Plano de Obras 2019 e serão realizadas até o fim deste ano. Os recursos são do Tesouro do Estado e serão aplicados nos programas de conservação das superintendências regionais envolvidas (3ª Superintendência Regional de Santa Cruz do Sul e 7ª Superintendência Regional de Pelotas).

Foto: Lula HelferIrmãos Marcelo e Eduardo Lemes Lobo acumulam prejuízos com manutenção da Fiorino
Irmãos Marcelo e Eduardo Lemes Lobo acumulam prejuízos com manutenção da Fiorino


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