Aniversário do Gaz 09/11/2019 16h58

Leitores elencam notícias que marcaram a década

Assuntos foram sugeridos em enquete nas redes sociais do Portal Gaz

Nestes dez anos de Portal Gaz foram milhares de notícias contadas. O site retratou desde informações de utilidade pública, como falta de água, por exemplo, até assuntos que envolveram política, educação, saúde, e informações que ultrapassaram as barreiras do país.

Nas redes sociais do portal os leitores foram questionados sobre as notícias mais marcantes da década. Foram mais de 200 comentários, sobre diversos assuntos, entre eles a morte de Francine Ribeiro, de 24 anos, ocorrida em agosto de 2018 no Lago Dourado.

O Portal Gaz elencou seis assuntos lembrados pelos internautas. Confira!

Adeus ao ícone Belchior

Era fim da manhã de um domingo, 30 de abril de 2017. Fazia um calor ameno em Santa Cruz do Sul. O dia era de sol. Em instantes, a cidade foi tomada por uma notícia um tanto quanto surpresa: a morte do cantor Belchior. O espanto foi pelo fato de que pouquíssimas pessoas sabiam que o músico estava na cidade e muito menos morando nela.  A atenção do país se voltou para Santa Cruz.

Belchior, de 70 anos, era natural de Sobral, no Ceará, e estaria morando há pelo menos meio ano com a companheira em uma casa no Bairro Santo Inácio. Antes disso, teria passado algumas semanas na Ecovila Karaguatá, em Rio Pardinho, e também morou por meio ano na casa do amigo Dogival Duarte. O cantor de clássicos como Galos, noites e quintais, Apenas um rapaz latino americano, Sujeito de sorte, Medo de avião e outros inúmeros sucessos morreu, dormindo no sofá, por causa de uma dissecção na aorta.

Quem contou como foi o dia em que Belchior partiu foi a repórter do Portal Gaz, Paola Severo. “Eu estava de plantão e tinha sido um final de semana até então calmo. Tudo mudou quando recebemos a ligação dos Bombeiros de Santa Cruz perguntando se era verdade que Belchior havia morrido na cidade. Nós não sabíamos nem que ele residia aqui”, lembrou.

Com a notícia e um endereço que seria a casa de Belchior, Paola e o fotógrafo Rodrigo Assmann foram até o local. “Chegamos e estava tudo fechado, fomos os primeiros. Em instantes a mídia de todo o Estado tomou conta da rua. Mais tarde os delegados nos passaram mais dados sobre a morte. O Portal Gaz acabou virando uma referência no país. Nossas fotos foram usadas pelo Estadão, pela Folha de São Paulo. Vários meios nos ligaram”, comentou.

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Para ela, o momento foi triste por conta da perda um artista completo. “Acho que Santa Cruz ficou um pouco magoada porque ele estava aqui e não desfrutamos da companhia dele e até de prestigiar algum evento com ele tocando.” Ela ainda lembra que um vídeo da morte é um dos mais acessados no YouTube do Portal Gaz, com mais de 40 mil visualizações.

 

Avenida: o primeiro time gaúcho que fez dois gols na casa do Corinthians

Em 20 de fevereiro de 2019 pode se dizer que o Avenida viveu o seu ápice. O Periquito enfrentou o Corinthians pela segunda fase da Copa do Brasil e já nos primeiros minutos vencia por 2 a 0. Foi o primeiro time gaúcho a fazer dois gols no Corinthians, na casa do Timão. A disputa terminou em 4 a 2 para o Corinthians.

Na época, o Avenida tinha sido campeão invicto na Copa Wianey Carlet e por isso garantiu a classificação para a Copa do Brasil. Pelo Campeonato Gaúcho ele já estava classificado para participar da Série D do Campeonato Brasileiro e então pôde optar por ou jogar o Campeonato Brasileiro ou a Copa do Brasil. Como a Copa do Brasil é mais rentável, essa foi a decisão. Antes do Corinthians, o Periquito enfrentou o Guarani e venceu por 1 a 0.

Quem acompanhou o time, desde a saída até a volta a Santa Cruz do Sul, foi o repórter Adriano Júnior, que trabalha na Rádio Gazeta desde 1990. “Ninguém esperava que o Periquito fizesse 2 a 0, porque o Corinthians era o favorito, um dos grandes times do país. É claro que depois, com a pressão, o Corinthians reverteu o placar.”

Ele lembra que foi uma emoção muito grande, com mais de 30 mil torcedores no estádio. “Foi um momento histórico em que era a primeira vez que o Avenida jogava um campeonato nacional. Na época pessoas da comunidade, empresários que ajudavam o time e amigos foram convidados para viajarem juntos.”

No final, ficou aquele gosto amargo da derrota, mas ao mesmo tempo alegria pelo feito. “Lembro que o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, esteve no vestiário para cumprimentar o Jair Eich e ainda brincou perguntando se ele queria instaurar uma crise com um time do interior abrindo o jogo e vencendo por 2 a 0.”

 

A vinda da Havan e a polêmica dos trabalhos aos domingos

Em dezembro de 2018, o Portal Gaz publicava que o proprietário da rede de lojas Havan, Luciano Hang, esteve em Santa Cruz do Sul para contatos comerciais e debater sobre a possível instalação de uma das unidades da empresa no município.

O impasse começou quando o Sindicato dos Comerciários se posicionou contra a jornada de trabalho aos domingos, já que a Havan funciona de segunda a segunda. O debate foi longo. Diversas foram as reuniões entre Prefeitura, sindicato e a Havan. Até que o Ministério Público interviu.

A primeira menção de que Santa Cruz do Sul receberia a Havan foi em 2018. “Foi quando se rompeu a barreira entre o Estado e a empresa, ainda no governo Sartori, e a Havan disse que tinha interesse em colocar unidades no Estado. Na época marcamos uma entrevista na rádio com o Luciano Hang para tentar arrancar dele esse interesse de vir para Santa Cruz. Dias depois ele falou conosco e confirmou”, disse o coordenador de jornalismo da Rádio Gazeta, Ronaldo Falkenback.

Tempos depois, após as visitas, o anúncio da efetivação da loja em Santa Cruz ocorreu na rádio, em entrevista com o diretor de expansão, Milton Hang, notícia replicada no Portal Gaz. “Aí que ele disse que ocorreria a instalação se houvesse autorização para abertura aos domingos e feriados, coisa que a legislação não permitia. Foi quando começou toda a polêmica”, comentou.

Ronaldo lembra que a maioria das pessoas que entrava em contato criticava a posição de impedir a loja de abrir aos domingos e feriados. “A maioria defendia que tinha que ter, pois era um investimento importante para a cidade e que Santa Cruz não poderia perder. Foi muito tenso, uma negociação que acompanhamos de perto”, falou.

O coordenador de jornalismo lembra um fato curioso, que poucas pessoas sabem. “No auge da polêmica, Luciano avisou que não viria para Santa Cruz já que a negociação com o sindicato não andava.” Hang tinha dito que até uma quarta, à noite, bateria o martelo. “No final da tarde eu ligava e ele não atendia. Lá pelas sete da noite o secretário de Desenvolvimento Econômico, César Cechinato me ligou e disse para eu não insistir, porque o Luciano estava bravo e diria que não vem para Santa Cruz. Eu entendi a preocupação da prefeitura que queria mais tempo para negociar”, relembrou.

Minutos depois, Luciano Hang ligou para Ronaldo. “Eu ainda brinquei que não queria mais falar com ele. Então ele falou que havia desistido oficialmente e que faria um live no Facebook, ainda naquela noite, colocando os motivos.” Ronaldo lembra que pediu para ele aguardar mais um dia, porque a mobilização para um acordo era muito grande. “No dia seguinte ele daria uma entrevista na rádio, às 10 horas. Ele queria que divulgássemos a desistência, mas eu disse que esperaria, pois seria um banho de água fria para a cidade. Naquela noite falei com o promotor Érico Barin que pediu o número de Luciano. Foi quando o Ministério Público entrou na história e o impasse foi resolvido.”

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Quando a torneira fica seca

A notícia não é novidade e o problema figura no Portal Gaz há dez anos. Ultimamente é difícil Santa Cruz do Sul passar uma semana sem ter algum problema com falta de água. É rede que rompe, problema em adutora, falta de luz, problema elétrico, situações que afetam determinados bairros ou até a cidade inteira.

Santa Cruz renovou o contrato com a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) em 2014 por mais 40 anos. Neste período, a companhia deve investir R$ 395 milhões em melhorias. Para o abastecimento de água, serão destinados cerca de R$ 145 milhões. Para o tratamento de esgoto, os valores devem ultrapassar R$ 160 milhões, sendo que a universalização do sistema ocorrerá dentro de 15 anos. Com a criação do Fundo Municipal de Gestão Compartilhada e por meio de recursos próprios, cerca de R$ 90 milhões serão repassados ao município para que possa investir no saneamento e preservação ambiental, incluindo no Lago Dourado.

A Corsan tem feito investimentos na cidade. Exemplo é a nova adutora de 800 milímetros que interligará a Estação de Tratamento (ETA) do Bairro Pedreira ao ponto de captação de água bruta junto ao Lago Dourado que deve estar pronta até o fim do ano. O conjunto de intervenções faz parte do processo de ampliação da rede de abastecimento de Santa Cruz, que soma um investimento de R$ 12 milhões. Mesmo assim, os problemas não param.

Quem acompanha de perto a situação é o jornalista Pedro Garcia. “A questão do saneamento é, de longe, o debate mais complexo e polêmico que Santa Cruz enfrentou nas últimas décadas. Após o rompimento do contrato com a Corsan em 2008, foram nada menos do que cinco anos de idas e vindas nas tentativas do poder público de regularizar o serviço. O imbróglio foi atravessado por inúmeras manifestações de rua, intervenções judiciais e discussões de contornos tão técnicos quanto ideológicos e políticos e que ultrapassaram as fronteiras do município. O assunto foi decisivo nas duas últimas eleições municipais e, até hoje, é pauta recorrente devido aos frequentes problemas de abastecimento”, falou.

Segundo ele, mais do que acompanhar de perto cada desdobramento, cabe aos jornalistas dar voz aos reais interessados no processo – os consumidores – e colaborar, dentro das possibilidades, para garantir que os anseios por um serviço melhor sejam atendidos. “Muitas foram (e são) as ocasiões em que corremos aos bairros para mostrar a realidade de pessoas que sofrem a cada falta d’água. Para nós, o assunto também virou prioridade: em 2017, em meio a uma nova crise que afetou quase toda a cidade, criamos o Promessômetro, uma ferramenta para cobrar da Corsan periodicamente o andamento de projetos. O resultado foi muito positivo: é nítido que os moradores têm em nós um canal para levar adiante suas necessidades, assim como a pressão que fizemos ajudou a tornar realidade algumas melhorias. E assim seguiremos.”

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Qual o futuro da escola José Mânica?

Já faz sete anos desde que foi interditado um dos prédios da Escola Estadual José Mânica. A mesma edificação foi interditada em 2013. Desde então, parte dos alunos vem tendo aulas em salas modulares. A cozinha e o refeitório foram alocados em um contêiner e o único prédio de alvenaria existente hoje no terreno da escola já apresenta indícios de deterioração, a exemplo do que precisou ser demolido.

Em reportagem divulgada em outubro deste ano, a Secretaria Estadual de Educação reafirmou o compromisso de iniciar as obras do novo prédio em novembro. Ainda conforme a secretaria, o projeto arquitetônico está pronto, porém há ainda algumas situações a serem finalizadas, e “se mantém, por enquanto, o prazo”. O custo total da obra do novo prédio será de R$ 1 milhão, oriundo do Tesouro do Estado.

No entanto, em contato com a diretora do educandário, Daiane Lopes, a expectativa não é boa. “Nada de projeto foi executado ainda, ou seja, nenhuma previsão”, falou.

Já a Secretaria de Educação do Estado diz que o projeto para reconstrução do prédio está em andamento na Secretaria de Obras e Habitação (SOP). Já foram elaboradas as etapas do sistema hidrossanitário e de arquitetura. O estudo de sondagem do solo foi licitado na quarta-feira, 6, e a previsão é de que a ordem de início seja assinada ainda no mês novembro. Faltam as conclusões do projeto elétrico e estrutural do novo prédio.

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Quem sabe bem o que a escola está passando é o jornalista Cristiano Silva. “Lembro bem das primeiras pautas que escrevi quando entrei na Gazeta Grupo de Comunicações. No meu segundo dia como repórter da casa, recebi a missão de averiguar e contar a quanto andava a situação da Escola José Mânica. Me deparei com nada mais do que o descaso”, falou. Ele comenta que entre as adaptações nas chamadas “salas de lata” – como foram apelidados os espaços modulares oferecidos pelo Estado –, a diretoria precisou (e cada vez precisa mais) contar com a boa vontade dos alunos. “E também com a sorte, diante de um Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI) vencido, com as merendeiras cozinhando em fogões e fornos próximos a uma parede de PVC, material altamente inflamável, e com o único prédio de alvenaria restante já apresentando os mesmos sinais de deterioração que o demolido apresentara no final de 2012, meses antes de ser demolido”, desabafou.

A partir da primeira matéria feita, Cristiano relata que seguiu acompanhando o caso e escrevendo sobre a situação da escola, ora por solicitação da diretora Daiane Lopes, preocupada com a segurança e o conforto dos alunos e funcionários, ora por própria iniciativa da Gazeta, cumprindo um dos papéis de um veículo de comunicação, em divulgar e informar o público sobre o que é pertinente à comunidade. “Enquanto jornalista, nossa missão é retratar a realidade, e a realidade da José Mânica nos últimos anos, infelizmente, é de um completo descaso. Assusta. Ficaria muito feliz em poder escrever e noticiar uma nova pauta que fosse sobre o início das obras do novo prédio, prometido há anos pelo Estado, ou então sobre a sua inauguração, com uma bela foto retratando a nova estrutura. Esse é um desejo meu, enquanto jornalista e santa-cruzense, para todas essas pessoas que lutaram e seguem lutando pela manutenção da José Mânica’, finalizou.

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O ato que salva vidas

No dia 2 de abril de 2018 morria o jovem Tiago Henrique Henn. Com apenas 20 anos ele faleceu após ser baleado na cabeça enquanto estava com amigos nos arredores do Parque de Eventos, em Santa Cruz do Sul.

Mas a dor da partida para a família e amigos foi um sopro de esperança para aqueles que aguardavam na fila por um transplante. Os pais optaram por doar os órgãos de Tiago. Com a decisão, um enorme aparato foi montado para a retirada dos órgãos e, posteriormente, o transplante.

O Portal Gaz acompanhou tudo de perto. No dia 3, por volta das 15h30, a primeira equipe chegou ao Hospital Santa Cruz para fazer a retirada dos órgãos. Ela veio de Passo Fundo para buscar o fígado. O órgão tem nove horas para ser implantado. Logo depois, pelas 15h45, chegaram equipes de Porto Alegre para captar o coração e os pulmões. Como esses órgãos exigem mais agilidade, o transporte de volta à Capital aconteceu por avião.

Para agilizar a chegada e saída do hospital, as equipes da Central de Transplantes do Rio Grande do Sul foram escoltadas por viaturas da Brigada Militar, Fiscalização de Trânsito e Guarda Municipal. “Foi um momento que causou comoção nos santa-cruzenses. Um ato de amor e que pode salvar vidas. Noticiamos todos os dias histórias tristes e de violência, mas quando um gesto como esse acontece - a doação de órgãos - é preciso que ganhe o espaço que merece”, comenta a editora-executiva do Portal Gaz, Luana Rodrigues.

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