Portas fechadas 18/11/2019 09h15 Atualizado às 11h07

Maioria das escolas estaduais de Santa Cruz está em greve

Salários atrasados e parcelados, reforma estrutural que mexe no plano de carreira, estão entre as reclamações dos professores

Escolas de Santa Cruz do Sul acordaram com as portas fechadas na manhã desta segunda-feira, 18. Confirmada na semana passada, a greve geral não tem data de término e, por enquanto, não se tem um registro completo de quantas instituições estão paradas.

Levantamento feito pela Rádio Gazeta na manhã desta segunda aponta que as escolas Ernesto Alves, Goiás, Santa Cruz, Bruno Agnes, Alfredo Kliemann, Felippe Jacobs, Monte Alverne, José Wilke, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora da Esperança, José Mânica e Luiz Dourado estão fechadas. A Gaspar Bartholomay tem cinco professores trabalhando e outros 23 parados. A Willy Carlos Frohlich, o Poli; Sagrada Família; Afonso Pedro Rabuske; Rosário e Guilherme Simonis têm reunião pela manhã. A Petituba funciona normalmente.

A 6ª Coordenadoria Regional de Educação (6ª CRE) faz um levantamento da situação no começo desta manhã. A listagem completa da paralisação deve ser divulgada até o meio-dia.

Motivos
Entre os principais motivos para a greve, o Cpers/Sindicato destaca os 47 meses de salários atrasados e parcelados, os cinco anos sem reposição salarial e também o desagrado diante da reforma estrutural colocada pelo Governo do Estado.

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Cpers estima grande mobilização

O Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers) estima que pelo menos 90% dos professores e funcionários das escolas estejam parados dentro do 18º núcleo do centro. Conforme a professora Iara Bonfante, tesoureira do 18º núcleo do Cpers, devem se reunir diretores do núcleo e representantes das escolas nesta tarde, às 14 horas, para ser definido um comitê da greve e as ações serem delimitadas.

Como primeira ação, a professora destaca uma manifestação com cartazes na Câmara de Vereadores de Santa Cruz neste fim de tarde. “Vamos pedir apoio aos vereadores”, disse. “É muito importante porque os vereadores, ao nos apoiar, devem pedir apoio aos deputados também, e dependemos deles para que o pacote de reformas não passe.”

Segundo Iara, a mobilização, estimada por ela como uma das maiores dos últimos 20 anos, é motivada em grande parte pela reforma estrutural proposta pelo Governo do Estado. “Este pacote realmente nos tira muitos direitos. Temos professores que nunca fizeram greve, mas que se juntaram ao movimento, porque nunca houve propostas tão arrasadoras.”

Um dos pontos mais polêmicos trata sobre a extinção de bônus ao salário, conforme Iara, que explicou, em entrevista à Rádio Gazeta, que a base dos professores é de R$ 630,00. “Hoje, o valor aumenta com os triênios ou por merecimento. Quando tem doutorado, mestrado ou pós-graduação, o servidor ganha 100%, ou seja, R$ 1,2 mil. Nem é muito, mas, com o plano do governador, este percentual baixará para 7%. Não há estímulo nenhum para estudarmos”, explicou a tesoureira.

De acordo com a professora, o panorama completo de escolas na região será divulgado ao longo do dia. “O que nos deixa tranquilos é que a comunidade escolar está nos apoiando muito, os pais e alunos, dizendo que estão do nosso lado. Num momento desesperador, nos dá um alento.”