Coronavírus 12/02/2020 17h26 Atualizado às 18h09

"É como estar num hotel em dia de chuva", conta venâncio-airense sobre quarentena

Mauro Hart e outros 33 brasileiros trazidos da China vivem período de isolamento na cidade de Anápolis, em Goiás

Após serem resgatados de Wuhan, na China – epicentro do coronavírus -, 34 brasileiros vivem o período de quarentena no Brasil, na cidade de Anápolis, em Goiás. Eles devem permanecer no hotel de trânsito da Base Aérea até dia 27 de fevereiro. Entre os repatriados está o piloto de avião venâncio-airense Mauro Hart.

Hart disse, que mesmo aliviado com o resgate, deixar Wuhan foi um momento difícil. Para o embarque, todos fizeram exames e, com a ausência de sintomas, puderam seguir viagem. “Assim que nós chegamos no Brasil fizemos os exames da Secretaria Estadual de Saúde, coletando amostras de saliva e amostras de mucosa nasal. Nos levaram para o laboratório. Quando saiu o resultado, nenhum dos 34 brasileiros estava infectado”, detalha.

Conforme Hart, será feito um segundo exame perto do término da quarentena. “Esse é o período de incubação do vírus. Ele pode dar negativo e positivo lá na frente. Então esse segundo exame é que vai dizer se nós estamos livres do vírus e se podemos ir para as nossas casas”, explica o piloto.

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Antes da vinda ao Brasil, os brasileiros já estavam reclusos na China. A ordem, dada assim que o coronavírus se disseminou, era que ninguém saísse de Wuhan, cidade de 11 milhões de habitantes. “Eu fiquei sabendo que estava no estágio de epidemia por volta do dia 16 de janeiro. Lá pelo dia, 22, quando o presidente da China fez uma declaração pedindo o uso da máscara, foi quando caiu a ficha da população de que se tratava de algo sério.”

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Base aérea
O piloto de Venâncio Aires explicou que o convívio na base aérea é restrito. Segundo ele, há uma área externa delimitada que permite que os brasileiros tenham um momento de lazer. “É como se estivéssemos num hotel em dia de chuva. Na área externa, podemos sair de vez em quando, sempre fazendo o uso da máscara e devemos evitar aglomerações”, disse.

A expectativa agora é que antes dos 18 dias previstos de reclusão, os brasileiros sejam liberados. Hart explica que tudo depende do resultado do segundo exame que deve ser realizado. “Se uma pessoa apresentar os sintomas após esse segundo exame, ela é removida por um helicóptero de resgate, equipado para duas pessoas, como uma bolha plástica. Depois ele vai para o Hospital das Forças Armadas de Brasília”.

Dados do Ministério da Saúde, divulgados nesta terça-feira, 11, apontam que o Brasil tem oito casos suspeitos de coronavírus. Destes, apenas um é no Rio Grande do Sul.

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