GÁS DE COZINHA 13/02/2020 18h45

Redução anunciada pela Petrobras não chegou aos consumidores de Santa Cruz

Mas pesquisa compensa: preço do botijão varia até R$ 5,10 entre distribuidoras do município, sem entrega domiciliar

Os preços do gás de cozinha, que tiveram redução de 3% anunciada pela Petrobras no início do mês, se mantêm em Santa Cruz do Sul. Das oito empresas consultadas pela Gazeta do Sul nesta quarta-feira, 12, quatro cobram R$ 70,00 e quatro R$ 72,00 na modalidade de entrega. Ainda no ano passado, o gás liquefeito de petróleo (GLP) sofreu reajuste que o deixou 5% mais caro para as distribuidoras, conforme a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Se a variação no valor do produto entregue em casa fica em apenas R$ 2,00, o mesmo não acontece no caso do botijão retirado pelos consumidores. Ele oscila de R$ 59,90 a R$ 65,00, uma diferença de R$ 5,10 entre o mais barato e o mais caro. Também há distribuidores que oferecem promoções especiais como brindes e descontos para pagamentos feitos à vista e em dinheiro.

No ano passado, o Brasil teve cinco aumentos de preço dos botijões de 13 quilos, o tipo de embalagem mais comum em residências. O valor final varia muito, já que impostos e custos são diferentes em cada Estado. No entanto, a oscilação entre janeiro e dezembro foi de apenas 0,13%, conforme levantamento da ANP. Os últimos valores divulgados pela agência, em 7 de fevereiro, apontam que o preço médio do produto para o consumidor no Rio Grande do Sul era de R$ 70,00, e no Brasil ficava em R$ 69,81, bem próximo ao que é oferecido em Santa Cruz do Sul.

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Valores
Golden – R$ 62,00 (com entrega, R$ 70,00)
Top Gás – R$ 65,00 (com entrega, R$ 72,00)
Dragão/Liquigás (Ponto Gás – R$ 62,00 (com entrega, R$ 72,00)
Iser/Copagaz  – R$ 65,00 (com entrega, R$ 70,00)
Moraes/Liquigás – R$ 59,90 (com entrega, R$ 70,00)
Zimmer Gás – R$ 62,00 (com entrega, R$ 72,00)
Paulo/Gás Arroio Grande – R$ 60,00 (com entrega, R$ 70,00)
Ultragaz – R$ 65,00 (com entrega, R$ 72,00)

Concorrência pode beneficiar o consumidor
Por ser um item essencial nos domicílios, o gasto não pode ser cortado do orçamento, mas em caso de aumento, exige malabarismo dos consumidores. Conforme Ronaldo Tonet, presidente do Sindicato das Empresas Distribuidoras, Comercializadoras e Revendedoras de Gases em Geral no Estado do Rio Grande do Sul (Singasul), o preço do gás de cozinha observa uma lógica de aumentos da Petrobras, que por sua vez leva em conta o valor do produto no mercado internacional, a cotação do dólar e o custo do frete.

“Baseado nestes cálculos, a Petrobras sobe ou baixa um pouco, mas o preço dela corresponde a 30%. O restante são impostos e as margens da distribuição – onde ocorre o envasamento – e da revenda do produto”, explica.

O valor é livre e não está atrelado a nenhum tabelamento, de acordo com Tonet. Como há muita variação de logística, não pode ser fixo. “Estamos vivendo uma estabilização. Em 2019, começou e terminou o ano no mesmo preço, mesmo que para a Petrobras tenha aumentado em 10%.” O consumidor busca o melhor valor e é beneficiado pela concorrência entre as revendas.

O presidente do Singasul ressalta que o gás de cozinha não é insubstituível, e se o preço aumenta muito, o consumidor pode acabar migrando para outras formas de cozinhar, usando fogões por indução, fornos elétricos e micro-ondas. “A tendência é sempre uma regulação entre a possibilidade de consumo. O preço está no seu patamar limite, entre R$ 70,00 e R$ 80,00, não tem espaço para aumento, porque vai perder consumidores”, afirma.

A solução para o comprador, de acordo com ele, seria consultar sempre os melhores preços, comprar apenas de revendas autorizadas e exigir a nota fiscal para garantir seus direitos em caso de problemas. Outra dica é não considerar apenas o preço e sim prezar pelo atendimento, a segurança e a qualidade do produto.

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