ATENÇÃO 16/03/2020 15h43 Atualizado às 14h35

Tire suas dúvidas sobre o coronavírus e saiba como se prevenir

Cuidados básicos, como lavar as mãos, são essenciais para não propagar o vírus

1. O que é o coronavírus?
É um vírus que causa Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

2. A quais sintomas devo ficar atento?
Febre, calafrios, dor de cabeça, mal-estar, dores no corpo, dificuldade para respirar e tosse. Ao apresentar sintomas, a recomendação é se isolar e notificar a Secretaria de Saúde.

3. Como prevenir o novo coronavírus?
O mais importante é ter um corpo saudável, pois, nesse caso, mesmo que entre em contato com o novo coronavírus, o sistema imunológico da pessoa consegue combatê-lo ou atenuar os sintomas.

Outras medidas essenciais contra a propagação são: higienizar as mãos após espirrar ou tossir; usar álcool gel; evitar tocar mucosas dos olhos, nariz e boca; cobrir nariz e boca com lenços descartáveis ao espirrar ou tossir; lavar as mãos com frequência; manter os ambientes bem ventilados; não compartilhar objetos como talheres, pratos e copos; evitar compartilhar o chimarrão; reduzir contato com pessoas que apresentem sintomas respiratórios; evitar cumprimentos com beijos ou toques; evitar espaços com aglomerações; entre outros cuidados comuns para evitar gripes.

4. A máscara evita que eu seja contaminado?
A máscara cirúrgica, o tipo mais comum, evita que quem tenha a doença transmita a outra pessoa. Para quem ainda não está contaminado, o uso de máscara ajuda somente a evitar o contato das mãos na região do rosto.

5. Quem, afinal, deve usar máscara?
O uso da máscara é recomendado prioritariamente para profissionais de saúde que atendem pacientes com problemas respiratórios. Para quem apresenta sintomas a máscara também é indicada, mas principalmente para deslocamentos e dentro de unidades de saúde. Não é recomendado o uso indiscriminado de máscaras pela população, pois isso pode levar à falta de produtos para os profissionais.

6. Máscara de tecido feita em casa pode ser usada?
Não. Máscaras de tecido não são capazes de bloquear a passagem do vírus.

7. Máscaras cirúrgicas precisam ser trocada a cada duas horas?
A durabilidade da máscara pode variar. Se uma pessoa fica sem falar enquanto usa a máscara, por exemplo, ela dura mais tempo. O ideal é trocar quando perceber que a máscara está úmida. Além disso, é preciso tomar cuidado ao trocar a máscara para não encostar na parte de dentro.

8. O novo coronavírus tem tratamento?
Ainda não há vacina nem tratamento contra o coronavírus, apenas os sintomas são tratados. Por isso é tão importante a prevenção.

9. A vacina contra gripe me protege do novo coronavírus?
São vírus diferentes, portanto a vacina contra gripe não protege do novo coronavírus. Entretanto, uma pessoa que tomou a vacina tem menos risco de ficar gripada e, com isso, apresenta menos chances de ser contaminada pela nova doença, já que o sistema imunológico não está fragilizado.

10. Quais são os grupos de risco da doença?
Crianças com até 6 anos, cujo sistema imunológico ainda não está totalmente formado, idosos, imunodeprimidos, gestantes e mulheres que deram à luz recentemente.

11. Recebi uma encomenda do exterior. Posso me contaminar?
O vírus sobrevive poucas horas em superfícies de objetos e o tempo pode variar de acordo com a temperatura do local. 

 

O QUE É IMPORTANTE SABER

 

1. Há ou não há casos confirmados em Santa Cruz?
Até o momento, não. Há 37 casos suspeitos, aguardando o resultado dos testes, e há pessoas que estão sendo monitoradas porque retornaram do exterior recentemente. Entretanto, a tendência é que surjam confirmações em algum momento.

 

2. Por que leva tempo para saírem os resultados dos testes?
Segundo critério do Ministério da Saúde, é considerado suspeito de coronavírus toda pessoa que chega de viagem do exterior e apresenta algum sintoma ou quem teve contato com pessoas que vieram do exterior. Nesse caso, é feita coleta de secreção e encaminhada para o Laboratório Central do Estado (Lacen). A expectativa do governo estadual no início da pandemia era que os exames levassem de quatro a sete dias. Porém, a espera está sendo maior devido ao aumento no número de pedidos nos últimos dias. Somente na quarta-feira, mais de 100 pedidos de testes foram feitos em Santa Cruz.

 

3. Usar luvas é eficaz?
Não. A contaminação não se dá simplesmente ao encostar com a mão em uma superfície onde está o vírus, mas sim se levar a mão não higienizada ao rosto. Então, a luva não é necessária, basta lavar as mãos constantemente – a não ser para profissionais de saúde. Além disso, há risco de aumentar a disseminação se a pessoa permanecer muito tempo com a luva, encostando em outras superfícies.

4. Pequenas reuniões, como almoços em família ou junções com amigos, podem ser mantidas?
A orientação, para reduzir a possibilidade de contaminação, é evitar mesmo as pequenas reuniões. Para crianças que estão sem aulas, por exemplo, não são indicados encontros com amigos ou “noites do pijama”. O maior risco a ser evitado é que a doença se dissemine além da capacidade de atendimento.

 

5. Eventos particulares, como casamentos, aniversários e eucaristias, podem ser mantidos?
A orientação é adiar todo e qualquer evento para evitar qualquer tipo de aglomeração.

 

6. Atividades ao ar livre, como caminhadas e passeios de bicicleta, podem ser feitos?
Atividades solitárias em locais pouco movimentados têm risco baixo de contaminação. Devem ser evitados, no entanto, locais com maior circulação de pessoas, como praças ou pistas públicas, e atividades coletivas, como grupos de corrida, por exemplo.

 

7. Como é a reação do vírus em bebês?
O coronavírus tem predileção por pessoas com mais de 60 anos, embora possa contaminar pessoas de todas as faixas etárias. O risco em crianças é pequeno, assim como em gestantes. É importante, no entanto, que as crianças sejam vacinadas contra a influenza (gripe).

 

8. Qual a real gravidade do coronavírus para quem é infectado?
Em países com estágio mais avançado da doença, a média de casos graves entre os infectados é de 30%. Desses, apenas uma minoria chega a ser internada em UTI e um percentual menor ainda necessita de ventilação mecânica. A maioria dos casos, portanto, não é grave.

 

9. Quem está em isolamento domiciliar deve manter os mesmos cuidados, como lavar as mãos?
O isolamento reduz muito o risco de contaminação, mas cuidados básicos, como lavar as mãos constantemente e evitar tocar o rosto se as mãos não estiverem higienizadas, são recomendados.

 

10. Quanto tempo o vírus sobrevive em uma superfície?
Estima-se que entre seis e oito horas. Mas há variáveis: em superfícies com matérias orgânicas, por exemplo, o vírus tende a sobreviver por mais tempo; já em superfícies secas, tende a ficar por menos tempo. A recomendação é manter os ambientes higienizados e não compartilhar objetos, como talheres, pratos e copos.

 

11. Deve-se usar algum produto diferente para higienizar ambientes? E quanto aos brinquedos usados por crianças?
A orientação é oferecer às crianças apenas brinquedos que possam ser lavados e higienizá-los pelo menos uma vez ao dia. Não é necessário nenhum produto diferenciado para higienizar as superfícies de ambientes – água e sabão são suficientes.

 

12. É preciso fazer estoque de mercadoria e alimentos em casa?
Não, pois não há risco de desabastecimento de alimentos ou medicamentos e os supermercados e farmácias vão seguir funcionando.

 

13. Uma pessoa contaminada pode ser transmissora mesmo se não tiver sintomas?
Sim, pessoas sem sintomas são transmissoras. Essa, inclusive, é a principal causa de transmissão do vírus no mundo, por isso a importância do isolamento domiciliar.

 

14. Existe alguma vacina que protege contra o coronavírus?
Não. Não há nenhuma vacina ou medicamento disponível em farmácias indicado para tratamento de coronavírus até o momento. Os conselhos de medicina estão, inclusive, autuando profissionais que indicaram tratamentos.

 

Orientações

Notificações:
A partir desta terça-feira, 17, a Secretaria Municipal de Saúde irá disponibilizar um telefone celular para que médicos possam notificar a Vigilância Epidemiológica sobre possíveis casos suspeitos (pessoas com sintomas e que se enquadram nos critérios de ter viajado para o exterior ou ter entrado em contato com alguém que viajou). O número é o 9 8444 9875. Também está disponível o telefone fixo 3715-1546.

Ibuprofeno: inicialmente, a Organização Mundial da Saúde recomendou que pessoas com suspeita ou infectadas pelo coronavírus evitassem tratar os sintomas com anti-inflamatórios à base de ibuprofeno. Um estudo dizia que o uso deste medicamento podia agravar a doença. Depois, no entanto, a OMS disse que consultou médicos e pesquisas sobre o tema e não encontrou relatos de efeitos negativos do uso do ibuprofeno em pacientes com Covid-19.

Clínicas geriátricas: devem informar até as 17 horas desta quarta-feira, 18, os nomes dos residentes, idades, se possuem plano de saúde privado e em qual modalidade, nome do responsável, telefone de contato, além de indicar o responsável técnico pela instituição. Os dados deverão ser enviados para a Secretaria Municipal de Saúde, pelo e-mail saude@santacruz.rs.gov.br. Na manhã desta terça-feira, 17, foi realizada uma reunião com a promotora Catiuce Ribas Barin, titular da 1ª Promotoria de Justiça Cível, sobre Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). Uma recomendação específica para as casas geriátricas será informada pelo órgão.

Agências de viagens de Santa Cruz: devem informar imediatamente a Secretaria Municipal de Saúde (Sesa) sobre a chegada de santa-cruzenses vindos do exterior pelos próximos 15 dias. É garantido o sigilo das informações dos clientes. Um e-mail com nome e telefone de contato deve ser enviado ao e-mail da secretaria (saude@santacruz.rs.gov.br). O Município quer monitorar possíveis casos da doença e a evolução clínica de quem chega à cidade, além de encaminhar orientações específicas.

Quem chegar de viagem do exterior: a recomendação do Ministério da Saúde é de que todos os viajantes devem ficar em isolamento domiciliar por sete dias, a partir da data de desembarque, mesmo que não apresente sintomas. Para quem tiver algum sinal da doença, a orientação é ficar em isolamento por 14 dias. Também devem acionar a Vigilância Epidemiológica pelo telefone 3715-1546 ou o Ministério da Saúde pelo 136.

Agendamento de consultas: pessoas com mais de 60 anos devem fazer agendamentos de consultas de rotina por telefone, diretamente com a unidade de saúde mais próxima.

UPA, PA e Hospitalzinho: os serviços de urgência e emergência devem ser evitados por pessoas com sintomas respiratórios leves. Esses pacientes devem ficar em casa e entrar em contato por telefone com uma unidade de saúde para receber orientações.

Velórios: a recomendação é para que as cerimônias de despedidas sejam acompanhadas apenas por familiares e amigos próximos.

Restaurantes e estabelecimentos comerciais: devem ter álcool gel à disposição nos banheiros e/ou caixas.

Fábricas e indústrias: a Prefeitura pede que as empresas ampliem ou alternem o horário de intervalo para evitar aglomerações de pessoas nos refeitórios.

Transporte público e escolar: empresários e concessionários devem reforçar a higienização dos veículos e aumentar a ventilação dentro deles. Também devem disponibilizar álcool gel aos usuários.

Escolas, universidades e centros de educação ou idiomas: devem disponibilizar álcool gel aos frequentadores.

Supermercados: as pessoas devem optar por horários alternativos, com menos movimento, para realizar compras.

Formaturas, festas de aniversários e casamentos: a recomendação é para que se evitem aglomerações e se adiem eventos quando possível. Entretanto, a Prefeitura esclarece que não há proibição.

Cuidado com idosos: é importante que eles evitem espaços públicos e aglomerações.

Chimarrão: é preciso evitar o compartilhamento da bebida, temporariamente.

Táxis e aplicativos de carona: motoristas devem higienizar os veículos com frequência.

Academias: devem higienizar os equipamentos frequentemente e orientar os esportistas a passarem álcool gel entre a troca de aparelhos.

Ônibus com ar-condicionado: devem andar com as janelas abertas.

Prédios, condomínios e complexos empresariais: devem disponibilizar álcool gel nas áreas de circulação, principalmente no hall de entrada.

Hipermercados e supermercados: devem disponibilizar álcool gel nos caixas a partir desta segunda-feira. Também devem higienizar com frequência os carrinhos dos estabelecimentos.

Hotéis: os hotéis devem informar a origem dos hóspedes à Secretaria Municipal de Saúde. Os dados serão mantidos em sigilo.

Superparadas: a Secretaria de Saúde instalou dispositivos com álcool gel nas superparadas em Santa Cruz.

Agências bancárias: bancos devem disponibilizar álcool gel em áreas de circulação. Caixas eletrônicos devem ser higienizados com frequência. 


Mitos e verdades

Diante das diversas informações falsas sobre o coronavírus que circulam nas redes sociais, seguem algumas orientações repassadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo Ministério da Saúde (MS) e pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).

1. Chá de abacate com hortelã, uísque com mel e vitamina C e zinco previnem o coronavírus?
Nada disso. Essa afirmação é falsa.

2. Itens como luvas e máscaras nos protegem da transmissão da doença?
Essa afirmação é verdadeira, porém, o uso da máscara só é recomendado para pacientes com casos confirmados e para aqueles com suspeita da doença.

3. Cães e gatos podem transmitir a doença?
Que nada! Essa afirmação é falsa.

4. Pessoas com máscaras podem contrair o coronavírus?
A afirmação é verdadeira. A máscara protege contra a doença, mas não a evita.

5. Usar álcool em gel é o mesmo que não utilizar nada porque não faz efeito?
Essa afirmação é falsa: use álcool gel.

6. Existe um exame capaz de detectar a existência do coronavírus no corpo humano?
Essa afirmação é verdadeira. É possível fazer o diagnóstico laboratorial específico para coronavírus.

7. Utilizar álcool em gel nas mãos altera o teste do bafômetro?
De forma alguma. A inalação momentânea do álcool em gel após sua utilização pode durar alguns segundos nos pulmões, caso esteja em ambiente fechado, com pouca ventilação. Contudo, ele é eliminado em menos de dois minutos.

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8. Os sintomas são parecidos com os de um resfriado comum?
Sim.

9. O novo coronavírus veio dos animais?
Ainda não existe nenhuma comprovação científica disso.

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