Quebra de 20% 29/04/2020 21h36 Atualizado às 23h17

Pandemia afeta entrega do tabaco para as indústrias

Estimativa da Afubra é que o Rio Grande do Sul produza, no máximo, 270 mil toneladas do produto nesta safra

A produção de tabaco será menor neste ano em relação à safra passada. Prejudicada pela estiagem, a previsão é de quebra de 20% na projeção inicial, com estimativa de, no máximo, 270 mil toneladas no Rio Grande do Sul, segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). A pandemia do coronavírus e as medidas para evitar o contágio também prejudicam a venda do produto.

O presidente da Afubra, Benício Werner, afirma que a comercialização está um pouco mais lenta, com cerca de 20% entregue às indústrias a menos do que no mesmo período da safra passada. “Como nosso pessoal de campo não está visitando os produtores por causa das restrições pelo coronavírus, não temos como precisar qual o percentual já comercializado. Na safra passada, até o fim de abril, havia sido 50% da produção no Sul do Brasil.”

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A entrega segue as exigências dos decretos estaduais e municipais, para evitar que muitos produtores vendam ao mesmo tempo, além dos cuidados com higienização. Uma das medidas foi determinar que só um responsável pela produção acompanhe a comercialização, sem participação de outros membros da família. A Afubra espera que o período de compras seja estendido até meados de agosto.

Neste ano, não houve acordo da comissão dos produtores com nenhuma indústria sobre o preço do tabaco, o que também gera reclamações. “Até 14 de março, quando estávamos acompanhando a comercialização por meio de pesquisa, os produtores não estavam satisfeitos, pois a classificação por algumas empresas estava muito rígida”, explica Werner.

A safra 2018/2019 teve uma produção de 320.788 toneladas só no Rio Grande do Sul. “Ainda é cedo para sabermos com precisão, porque temos restrições por causa da Covid-19 para continuar nossas pesquisas junto aos produtores e atualizar nossa estimativa, que pode não chegar a 270 mil toneladas no Estado.” No entanto, as notícias são boas quanto à qualidade do tabaco.

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A primeira estimativa para a produção dos três estados do Sul, feita em outubro, era de 657.148 toneladas. Em janeiro houve atualização para 646 mil toneladas. “Não nos surpreenderemos se a produção ficar aquém dessa estimativa.” Na safra 2018/2019, a produção do Sul do Brasil foi de 664.355 toneladas.

Preparativos da próxima safra

Segundo Benício Werner, ainda não há problemas para que os agricultores obtenham água na preparação dos canteiros de semeadura. “As empresas estão entregando os insumos necessários para a formação dos canteiros. No momento, o fornecimento dos insumos não afetará a safra 2020/2021.” Uma preocupação no momento são as informações sobre redução no número de produtores integrados às empresas, algumas em 10% e outras em 15%. “Somos a favor da diminuição da área de produção, mas não da exclusão de produtores”, disse Werner.

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