Santa Cruz 02/05/2020 11h10

Corsan pode iniciar rodízio no abastecimento

Última chuva não teve impacto e volume do Lago Dourado continua diminuindo dois centímetros por dia

O sol e o calor dos últimos dias, associados ao consumo de água em Santa Cruz do Sul, seguem contribuindo para a redução do nível de água do Lago Dourado. Com abril registrando chuva igual a um terço da média esperada para o mês, a quantidade de água continua caindo no reservatório. A população deve evitar desperdícios no fim de semana.

O superintendente regional da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), José Roberto Epstein, explicou que o consumo tem se mantido o mesmo e a reserva de água tem encolhido cerca de dois centímetros por dia. “A chuva de 20 milímetros, que permitiu ao Rio Pardinho voltar a direcionar água para lago, não mudou muito a situação. O reservatório continua a baixar”, complementou Epstein.

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A manutenção do volume de água depende agora, além da chuva esperada para maio e junho, do uso consciente por parte do consumidor. Com o calor do fim de abril e início de maio, é necessário, segundo a Corsan, que o consumo seja consciente. “Aquelas regras básicas: evitar desperdícios com banhos demorados, desligar a torneira enquanto escova os dentes, aproveitar a água da máquina de lavar. Todas são medidas que fazem a diferença”, disse Epstein.

A Defesa Civil do Estado informou à Corsan que o clima deve dar uma força na próxima semana. São esperados volumes de 50 milímetros de chuva para os próximos dias no Estado. “Nós estamos acompanhando a evolução desta previsão climática. Na próxima semana, após o registro destas chuvas, a Corsan deverá se posicionar quanto às medidas adotadas nos próximos dias”, confirmou o superintendente regional. Epstein disse à Gazeta do Sul na última quarta-feira que não está descartada a possibilidade de rodízio de abastecimento de água, caso a situação não seja revertida com a volta da chuva.

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Chuva de abril
O professor de Agrometeorologia da Unisc, Marcelino Hoppe, explica que durante o mês de abril choveu apenas um terço do volume histórico no município. Em entrevista à Rádio Gazeta, Hoppe revelou que além do baixo volume – 46 milímetros, registrados na estação meteorológica da Unisc –, a evaporação foi muito maior. “Tivemos uma evaporação média de 90 milímetros, enquanto o normal, em um período com mais chuva, fica em torno de 66 milímetros em abril.” Hoppe contou que, nos últimos oito meses, a evaporação ficou 300 milímetros superior ao total de chuva acumulada. “Esta é a umidade que faltou para a agricultura.” A expectativa é que ocorra mais chuva a partir de maio.

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