AMBIENTE 03/05/2020 08h34

Cabeleireira produz horta reciclável no Bairro Várzea

Além dos pneus utilizados como suporte na plantação, o adubo é produzido em composteira com minhocas

Alternativas ecológicas e sustentáveis para reduzir os impactos ambientais vêm ganhando força e melhorando a qualidade de vida das pessoas. Foi pensando nisso que a cabeleireira Viviane Aparecida Krug, de 25 anos, moradora da Rua Irmão Emílio, no Bairro Várzea, passou a cultivar hortaliças em casa. A horta, totalmente reciclável, foi construída com 36 pneus velhos, empilhados de três em três para acomodar as plantas. O adubo é produzido pelo sistema de vermicompostagem, que é o processo de transformar em húmus os resíduos orgânicos com auxílio de minhocas.

A construção da horta teve início há três meses, quando Viviane mudou-se para o local com a família – o marido Jardel Junior Krug, de 24 anos, que é mecânico, e a filha Tauane, de 6 anos. Jardel, que também é um dos idealizadores do espaço, ajuda nas horas vagas, em especial no preparo da terra.

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Viviane com a filha Tauane, de 6 anos: cultivo reciclável ocupará metade do terreno | Foto: Rafaelly Machado

Os pneus, conforme Viviane, foram obtidos aos poucos, todos por meio de doações. “Foi um processo lento para consegui-los. Minha sogra tinha três pneus e nos deu. Recolhemos mais dez em uma borracharia e os demais pegamos em outra. Cheguei ao ponto de colocar nas redes sociais se alguém tinha pneu para doar,” afirmou.

No pequeno espaço já foram semeadas couve, beterraba, cenoura, alface, rúcula, temperos verdes e rabanete. Em um cano de PVC suspenso no muro do pátio foram plantados morangos. Conforme Viviane, a horta foi planejada desta maneira como forma de proteger as plantas dos três cachorros que dividem o pátio.“Sempre gostei de horta e como minha mãe já planta flores em pneus, resolvi adaptar e cultivar verduras. Os animais poderiam estragar a horta. Já ouvi dizer que plantar em pneus pode fazer mal à saúde, mas as coisas que compramos no mercado cheias de agrotóxicos são muito piores.”

Metade do terreno de 360 metros quadrados deverá ser utilizado para a horta e o pomar. “Além da horta, queremos plantar árvores frutíferas. Meu marido também vai criar abelhas mirim, sem ferrão. É gratificante poder plantar, ver crescer e depois colher. Costumo dizer que a gente namora todo o dia esta horta. Com o chimarrão, vamos acompanhando à medida que as plantas vão se desenvolvendo.”

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Balde adaptado acomoda resíduos orgânicos e minhocas para a produção do húmus | Foto: Rafaelly Machado

Especialista diz que não há riscos à saúde

O reaproveitamento de pneus velhos de forma sustentável para a construção de hortas e de jardins não oferece riscos à saúde e ao solo. Conforme o engenheiro ambiental e professor universitário Diosnel Antônio Rodriguez Lopez, a alternativa para aproveitamento, embora possa gerar dúvidas para algumas pessoas, é uma prática segura e sustentável. “Dificilmente o pneu irá liberar substâncias nocivas tanto para o ambiente quanto para o solo. As substâncias tóxicas que o pneu possa conter não se desgrudam, a não ser quando queimado. O que o diferencia do plástico é o tamanho de suas moléculas. Se fôssemos pensar assim, não poderíamos armazenar água ou alimentos em recipientes plásticos.”

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Sobre a horta sustentável de Viviane Aparecida Krug, o engenheiro definiu como uma iniciativa louvável. “Ela está retirando justamente um passivo ambiental, que é o pneu. Apesar de toda a política nacional de resíduos sólidos, que exige que ele deveria ser 100% reciclado por empresas que o produzem, nós não estamos cumprindo o que estabelece esta determinação e muitos pneus são descartados em locais impróprios. Acredito que qualquer iniciativa que retire este pneu da poluição visual que ele causa é bem-vinda. Ela está dando uma utilização a ele”, afirmou Lopez.

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