Em meio à pandemia 07/06/2020 20h26 Atualizado às 20h38

Um Dia dos Namorados juntos, mas distanciados

Casais usam a tecnologia para driblar a separação e exercitam a paciência enquanto esperam tudo voltar ao normal

Longe dos olhos e perto do coração, já cantava Nana Caymmi. Entre as dificuldades impostas pela pandemia do novo coronavírus, os apaixonados enfrentam a saudade causada pelo distanciamento social. No entanto, a tecnologia é um dos aliados na hora de estar presente, ainda que os casais estejam distanciados, e o isolamento gera novas formas de celebrar o Dia dos Namorados.

A distância nunca foi um problema para a designer gráfica Carine Bresolin, de 23 anos, e o analista de TI Gabriel Bittencourt, de 27 anos. No próximo dia 12, o casal completa três anos de um namoro que floresceu nas viagens entre Santa Cruz do Sul, onde Gabriel mora, e Nova Bassano, cidade de Carine. Unidos pelos gostos em comum, como a música e a gastronomia, os dois apostaram no relacionamento, apesar de residirem em cidades diferentes.

“Um relacionamento à distância requer total entrega e respeito, não existe outro jeito de funcionar. É necessário que os dois realmente queiram isso”, conta Gabriel. “Às vezes é difícil, trocamos mensagens diariamente, estamos sempre em contato um com o outro. O contato físico não é tão frequente, mas sempre vale a pena quando estamos juntos”, completa Carine. Os dois são unânimes a respeito dos ingredientes mais importantes para o sucesso do namoro: confiança e respeito.

Antes da pandemia, os namorados se encontravam apenas aos finais de semana, mas por conta do distanciamento social chegaram a ficar um mês e meio sem de ver. Para aplacar a saudade, aproveitaram os recursos tecnológicos, como mensagens e ligações. “Atualmente, é um pouco mais fácil de lidar, pois temos todos os tipos de contatos na palma da mão através de um celular. Não é a mesma coisa, mas ajuda a manter o contato. Claro, a saudade é inevitável. Mas tem uma coisa especial sobre a saudade: não houve uma única vez em que nos vimos e que não tenha sido muito especial”, revela Gabriel Bittencourt.

Florence e Daniel esperam reencontro

Dez meses de saudades
E se a distância entre duas cidades do Rio Grande do Sul já é um desafio para os apaixonados, como lidar quando eles estão em países e até continentes diferentes no Dia dos Namorados? Para a professora de inglês Florence Evelyn Hoadley, de 31 anos, a comemoração da data será feita de uma forma diferente para matar as saudades do marido Daniel David Hoadley. O casal se conheceu na Inglaterra, durante a adolescência, terminou e acabou reatando. O namoro virou noivado e casamento.

David e Florence têm duas filhas juntos. “Decidi que gostaria de voltar ao Brasil e ele topou embarcar nesta aventura. Então, trouxe meu marido e minhas filhas para meu país. Estamos morando no Brasil há nove anos; porém, há 10 meses meu marido retornou à Inglaterra”, conta a esposa. A ideia era Daniel ir antes para receber a família. No entanto, a pandemia acabou prejudicando os planos do casal.

A última vez em que os dois estiveram juntos foi em janeiro, quando ela viajou para ficar 10 dias com ele. Eu fui vê-lo para matar a saudade e comemorar nosso aniversário de casamento. Ele não vê as filhas há 10 meses.” O casal tem contato diariamente por chamadas de vídeo e pelas redes sociais. “Eu até tento postar no meu Instagram, faço posts bilíngues a respeito de como a distância pode afetar uma pessoa que tem ansiedade. Tem sido bem estranho passar as datas comemorativas longe.” Mesmo que o Dia dos Namorados não seja comemorado na Inglaterra em junho, como é aqui no Brasil, o casal planeja celebrar por videochamada. Por conta da pandemia, Florence e as filhas ainda não sabem quando será possível viajar para se reunirem com Daniel .

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