VALE DO RIO PARDO 18/06/2020 20h04 Atualizado às 22h32

Cisvale prega atenção para evitar retorno à bandeira laranja

Em reunião, presidente da entidade destacou que, com as mudanças no sistema do governo estadual, ocupação dos leitos hospitalares tornou-se uma das principais preocupações

Ocorreu nesta quinta-feira, 18, uma reunião para tratar sobre a prevenção ao coronavírus na região do Vale do Rio Pardo. O encontro ocorreu na sede da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde (13ª CRS), em Santa Cruz do Sul.

Além da coordenadora da 13ª CRS, Mariluci Reis, participaram o prefeito de Pantano Grande e presidente do Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale), Cássio Nunes Soares, o presidente da Associação dos Municípios da região (Amvarp) e prefeito de Candelária, Paulo Butzge, secretários municipais de saúde e representantes dos hospitais Ana Nery e Hospital Santa Cruz (Santa Cruz do Sul), e São Sebastião Mártir (Venâncio Aires).

Segundo o presidente do Cisvale, a reunião serviu para a discussão da atual situação da pandemia, e das modificações na classificação que divide o Rio Grande do Sul em bandeiras amarela, laranja, vermelha e preta, de acordo com o grau de contaminação da doença nas diferentes regiões do Estado. Desde a última avaliação, o Vale do Rio Pardo retornou à bandeira amarela, que significa baixo risco de contaminação.

Apesar do bom desempenho do Vale do Rio Pardo em lidar com o coronavírus em comparação com as demais regiões do Estado e do País, Cássio Nunes Soares alerta que a situação está longe de ser considerada normal, e que um retorno à bandeira laranja não está descartado. “O governador apertou mais a fiscalização, e isso pode influenciar nas próximas semanas na classificação das bandeiras. Então, fizemos esse alerta aos gestores. Alertamos para algumas situações que pesam muito na classificação da bandeira, que são a ocupação dos leitos da UTI, para que a região possa se organizar no sentido funcional dos hospitais, no que diz respeito às cirurgias eletivas”, afirmou o prefeito.

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O governo do Estado atualiza diariamente as informações sobre a ocupação dos leitos de UTI. As informações são repassadas diretamente pelas instituições de saúde através de um banco de dados da Secretaria Estadual da Saúde.

Segundo a Coordenadoria Regional de Saúde, os hospitais do Vale do Rio Pardo apresentam 59,5% de ocupação dos leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), enquanto a taxa de utilização dos aparelhos respiradores na região é de 30,2%. Atualmente, são 69 pessoas internadas nas UTIs da região. No Estado, o índice de ocupação dos leitos de tratamento intensivo é de 73,4%.

O médico infectologista Marcelo Carneiro, que presta assessoria técnica ao Cisvale, destacou que há uma diminuição de novos casos de Covid-19 na região. Segundo ele, em nenhum momento houve um grande número de internados em virtude do coronavírus no Vale do Rio Pardo. Ainda segundo o especialista, as liberações das restrições, como a reabertura do comércio, não impactaram em um aumento no número de contaminados.

“Apesar disso, é melhor pecar por excesso de cuidados, pois a gente viu o que aconteceu em 2009”, destacou Carneiro, referindo-se à pandemia do vírus H1N1 que tirou a vida de 298 gaúchos. Ele estimou ainda que o número de infectados por coronavírus na região deve começar a cair no mês de agosto, caso a situação se mantenha controlada.

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Venâncio Aires

Venâncio Aires é o município mais afetado pela pandemia no Vale do Rio Pardo, com sete óbitos registrados pela Secretaria Estadual da Saúde. Presente na reunião, o secretário de Saúde do município, Ramon Schwengber, afirmou que a situação se acalmou nos últimos dias.

“No momento, Venâncio Aires tem uma situação relativamente tranquila. Nós temos 14 leitos de UTI montados, e temos a possibilidade de aumentar em mais quatro leitos, aumentando em 80% os leitos de UTI. Hoje nós temos 12 leitos ocupados desses 14. Quatro são internações por Covid e as outras por doenças que normalmente precisam de internação. Em relação ao aumento de casos, é baixo. Diariamente dois, três ou quatro casos. Temos uma situação bem mais controlado do que acontecia há alguns dias”.

Schwengber destacou ainda que no período de inverno é normal os leitos de UTI estarem ocupados. Ele lembrou que em anos passados, mesmo sem a influência da covid-19, a taxa de ocupação de leitos de UTI foi praticamente a mesma. “Chega na época de inverno, a gente normalmente tem 100% dos leitos ocupados. A preocupação é que, além do normal, a gente tem a questão da Covid. Mas o município de Venâncio aumentou em 80% o número de leitos de UTI e isso com certeza já está fazendo a diferença”, finalizou o secretário.

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