TABACO 29/06/2020 15h04

Indústrias devem dispensar até 55% dos safreiros a partir de julho

Necessidade de redução no número de trabalhadores nas linhas de produção também deverá impactar o total de contratados

Para a maioria dos trabalhadores sazonais da safra do tabaco na indústria – os safreiros –, a atividade junto às linhas de produção se encerra nos próximos dias. Reflexo das medidas de distanciamento social, para que se evitasse a contaminação com o novo coronavírus, 55% dos contratados para a safra 2020 serão dispensados até o próximo mês.

O quantitativo faz parte de uma análise feita pela Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Afins (Fentifumo), com base na movimentação das empresas a partir do mês de março, quando as medidas de distanciamento social começaram a ser aplicadas nas linhas de produção da região. “Obviamente está sendo uma safra completamente atípica, nenhuma empresa tinha planejado. Desde março, quando teve início este cenário de incerteza por conta da pandemia, e sob influência dos decretos estaduais e municipais, as empresas começaram a reconfigurar o trabalho, o que teve um maior impacto sobre os trabalhadores sazonais”, aponta o presidente da Fentifumo, Gualter Baptista Júnior.

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O presidente da federação salienta que as empresas já tinham começado a contratar os trabalhadores sazonais, pois a atual safra estava em curso. Por conta das medidas de segurança, todos tiveram que se adaptar. “Quando houve a liberação parcial, só parte do quadro voltou à operação. Não houve redução apenas dos trabalhadores dos grupos de risco. Vários tiveram que ser afastados.”

O impacto destas medidas, segundo o presidente, começou a ser sentido ainda em maio. Naquele mês, 40% dos safreiros tiveram seus contratos encerrados de forma antecipada. “A expectativa é que, até julho, outros 15% tenham suas rescisões homologadas, contabilizando 55% do efetivo sazonal já dispensado para esta safra”, destacou.

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Na contramão, 40% dos contratos temporários deverão ser prorrogados. “Acredita-se que a safra vá até o fim de setembro e outubro, porém algumas empresas admitem que a atividade poderá ser conduzida até os meses de novembro e dezembro, em uma safra maior do que o natural”, ressaltou o dirigente.

Uma avaliação prévia sobre as contratações da safra 2020 revela uma movimentação bem menor de trabalhadores. “As empresas administraram da forma mais eficiente que puderam, mas o fato é que houve um menor número de contratos da safra passada, quase 40% a menos”, complementou.

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Rendimentos dos efetivos seguem integrais

As indústrias do tabaco têm garantido o pagamento integral dos salários dos funcionários do quadro efetivo, mesmo àqueles que foram afastados de suas funções. Segundo o presidente da Fentifumo, cada empresa tem feito um arranjo de maneira particular para realizar a compensação das horas não trabalhadas.

“Mais de um terço dos trabalhadores entraram no regime de home office. Ao todo, 35% do quadro acabou aderindo. Outros 40% foram afastados e irão compensar essas horas no futuro”, revela Baptista. Completando o quadro, 25% dos trabalhadores efetivos tiveram a concessão de férias e licenças-prêmio ofertadas no período inicial da pandemia.

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