Autocrítica 09/07/2020 13h00 Atualizado às 15h10

Professor da Unisc comenta repercussão de publicação polêmica sobre Bolsonaro

Em entrevista à Rádio Gazeta, o professor universitário afirmou que não imaginava a repercussão que o post teria

Uma postagem feita por um professor de filosofia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) gerou polêmica nesta semana. Após o anúncio feito pelo presidente Jair Bolsonaro de que testou positivo para Covid-19, o professor Júlio Bernardes fez uma manifestação na página pessoal do Facebook.

Na publicação, ele sugeria que Bolsonaro e os familiares do presidente ingerissem um raticida. O texto diz que “tem um remédio que não falha…Mata o vírus com certeza.. se alguém conhece o Bolsonaro, ou os filhos, ou a Micheque… Diz para eles passarem numa agropecuária, ou até numa ferragem e comprarem ‘Ri do Rato’.”

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A mensagem foi apagada pelo Facebook, mas Bernardes seguiu recebendo críticas. Em entrevista à Rádio Gazeta, o professor universitário afirmou que não imaginava a repercussão que o post teria. Bernardes lamenta que a Unisc tenha sido alvo de críticas por parte da comunidade devido ao caso e faz uma autocrítica sobre o texto que publicou.

“Fiz uma nota no Facebook, em que eu me desculpo. E me desculpo primeiro com as pessoas que talvez não tenham entendido a ironia da peça como humor, então peço desculpas, e segundo aos meus amigos, as pessoas com quem compartilho a visão de mundo, […] de certa forma, eu usei a arma que os outros usam para fazer um tipo de humor que a gente condena. Então eu acabei cedendo, talvez por tanto ver na internet um tipo de humor, a gente acaba cometendo um ato falho”, disse à Rádio Gazeta.

O professor universitário acredita que a repercussão do texto se deu especialmente após o advogado e presidente do Progressista em Santa Cruz, Henrique Hermany, ter feito uma publicação envolvendo o caso. “Ele pegou um caráter particular, uma frase, uma cena de humor, […] e ele transformou isso no meu caráter, como se eu fosse assim. Então ele desloca algo que é dito em um contexto e depois ele eleva um traço particular para compor toda uma personalidade do profissional Julio Bernardes. Isso, para mim, é um ato de violência linguística, que está na ordem das falácias”, afirmou o professor.

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Em entrevista ao Estúdio Interativo, Henrique Hermany afirmou que se posicionou enquanto cidadão indignado pelo conteúdo do que escreveu o professor Júlio Bernardes. “Eu escrevi na minha rede social que esse tipo de manifestação feita pelo professor Julio Bernardes não é democrático, ele fere a democracia, faz parecer que tudo pode na instituição. A comunidade espera uma resposta, à altura de quem deseja, publiciza e manifesta a morte de um chefe de estado, independente de ser o Bolsonaro, o Lula ou a Dilma. Não pode um posicionamento destes ser manifestado e ser recebido com normalidade ou numa brincadeira, como disse o professor”, afirmou Hermany.

Nessa quarta-feira, 8, a Universidade de Santa Cruz do Sul emitiu uma nota sobre o caso. A reitoria da Unisc alegou que “não compactua com atitudes ou atos de violência de qualquer ordem, tampouco é condizente com manifestações que denigrem a honra da pessoa”.

A reitoria classificou a postagem como “imprudente e infeliz” e afirmou que as declarações “não refletem a posição da Universidade, caracterizada pelo pluralismo de ideias, que é a base da autonomia universitária e princípio fundante da democracia”.

A instituição também chamou de “desproporcionais” os ataques feitos à Unisc nas redes sociais durante a repercussão do caso. A nota diz ainda que é preciso observar os “limites legais” da liberdade de expressão, a qual definiu como “um valor inegável”, e informa que “as medidas cabíveis ao caso estão sendo tomadas”.

Veja a nota da Unisc:

Nota oficial ⚠️

Posted by Unisc on Wednesday, July 8, 2020

Também nessa quarta-feira, o deputado gaúcho Ubiratan Antunes Sanderson (PSL) encaminhou um ofício ao procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitando investigação sobre a publicação de Bernardes. No ofício, o deputado federal pede que “sejam adotadas as medidas cabíveis para apurar a possível prática delitiva de ameaça ao Presidente da República”.

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