CASSAÇÃO 14/07/2020 11h55 Atualizado às 14h07

Servidores confirmam que trabalharam em terreno de familiares de Scheibler

Em depoimento à comissão na Câmara, funcionários admitiram que materiais do Município foram usados em obra privada

No primeiro dia de depoimentos do processo de cassação do vereador afastado André Scheibler (PSD) na Câmara de Santa Cruz, três servidores da Secretaria Municipal de Habitação confirmaram nesta terça-feira, 14, que materiais e veículos da Prefeitura foram utilizados em um terreno de propriedade do filho do parlamentar. A denúncia veio à tona em uma reportagem publicada pela Gazeta do Sul em outubro do ano passado. No dia 9 daquele mês, um caminhão da Secretaria de Habitação – cuja titular é a esposa de Scheibler, Aretusa Scheibler – foi flagrado despejando uma carga de terra em uma área do loteamento Terravista, no Bairro João Alves, onde havia uma casa em construção.

LEIA MAIS: Veículos da Prefeitura de Santa Cruz são flagrados em obra privada

Uma kombi da Habitação e uma retroescavadeira sem identificação também estavam no local. De acordo com a certidão obtida junto ao Ofício de Registro de Imóveis, o lote pertence a Débora Reichert de Oliveira, namorada de Marcelo Scheibler, que é filho de Scheibler e enteado de Aretusa.

Das cinco testemunhas ouvidas na manhã desta terça pela comissão parlamentar processante, três eram servidores da Habitação que estiveram no local. Um deles, Juliano Bartz, disse ter transportado 11 cargas de terra até o imóvel entre os dias 8 e 9 e que as ordens partiram de Luiz de Oliveira, que era servidor da Prefeitura à época e ex-assessor de Scheibler na Câmara. Oliveira foi demitido após a reportagem. Ele disse, no entanto, que quando foi ao local não sabia que o terreno era de pessoas ligadas a Scheibler e que não sabe se Aretusa ou o vereador tinham conhecimento da irregularidade.

LEIA TAMBÉM: “Tenho a consciência tranquila”, diz Scheibler após ser afastado da Câmara

Já outro servidor, Paulo Henn, confirmou que operou uma retroescavadeira no terreno e afirmou, inclusive, que o próprio vereador esteve no local no dia 9, junto com um assessor, e chegou a dar orientações sobre como o serviço deveria ser feito. Conforme Henn, após a denúncia, a secretária chamou os servidores envolvidos individualmente para prestar esclarecimentos e demonstrou “surpresa” ao saber que Scheibler esteve no local. O servidor disse ainda que a terra despejada no local era do “bota-fora” da Prefeitura, ou seja, era um material inservível.

LEIA TAMBÉM: Testemunhas começam a ser ouvidas nesta terça

Além dos servidores, a comissão também ouviu os jornalistas Pedro Garcia, Ronaldo Falkenback e Rafael Cunha, que participaram da apuração da denúncia naquela ocasião. Ao todo, 40 pessoas vão prestar depoimento até o dia 23. A próxima sessão ocorre na manhã desta quarta-feira, 15.

Scheibler, que está afastado do cargo de vereador desde o dia 8 de maio por força de liminar da 1ª Vara Criminal, também responde por supostamente se apropriar de R$ 345 mil entre 2009 e 2018 em parcelas de salários de dois assessores e por manter “assessores fantasma” em seu gabinete. Ele é um dos alvos da Operação Feudalismo, que desde junho do ano passado já levou à prisão preventiva de um vereador e à cassação de outros dois.

LEIA MAIS
O que diz a denúncia do Ministério Público contra André Scheibler
Os reflexos da operação que derrubou três vereadores