Alerta 30/07/2020 10h26 Atualizado às 11h49

Pacientes devem manter o tratamento na pandemia

Hospital Ana Nery reforça que exames preventivos e de rotina podem ser mantidos em dia, desde que haja segurança

Entre os impactos causados pela pandemia, os tratamentos contra o câncer tiveram que ser adaptados ao período, uma vez que os pacientes em acompanhamento fazem parte do grupo de risco da Covid-19. Uma das preocupações é que algumas pessoas abandonem a terapêutica ou deixem de realizar os exames de rotina por medo da contaminação, o que pode gerar outros problemas.

A falta de assistência adequada pode agravar o quadro do paciente com câncer, de acordo com a oncologista clínica Sheila Calleari Marquetto. Para a médica, que atende no Centro Médico de Especialidades e no Centro de Oncologia Integrado do Hospital Ana Nery, quem está em tratamento recebe um acompanhamento médico mais frequente do que nas demais especialidades.

“Mesmo em meio à pandemia, reforçamos que é importantíssimo que se mantenham em tratamento e não deixem de comparecer às consultas. A pandemia pegou a todos de surpresa, e nos hospitais e centros de saúde não foi diferente”, conta. De acordo com Sheila, a equipe seguiu as orientações do Ministério da Saúde e analisou individualmente, caso a caso, os fatores de risco que cada paciente tinha em relação ao coronavírus.

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Algumas consultas de acompanhamento foram postergadas, processos internos do Centro de Oncologia foram revisados e, respeitando todas as medidas de segurança, os atendimentos foram normalizados. “O que temos percebido é que o próprio paciente, que está apenas em acompanhamento e não mais em tratamento, principalmente aqueles com mais de 80 anos, muitas vezes solicitam adiamento da consulta”, observa a médica.

Ela reforça que as equipes assistenciais estão preparadas, tomando todos os cuidados e seguindo as orientações atuais de higiene para a prestação de atendimento. “No setor de quimioterapia do Hospital Ana Nery, por exemplo, passamos a atender consultas com horário marcado para evitar aglomeração, dividimos a sala de espera em dois locais, distanciamos as poltronas e estamos mantendo os ambientes ventilados”, explica. O uso de máscaras é obrigatório, há álcool em gel disponível em todos os ambientes e a higienização das áreas foi intensificada.

Diagnóstico tardio pode ser prejudicial
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), são esperados 625 mil casos novos de câncer no Brasil somente em 2020. Mas, desde o início da pandemia, houve uma grande redução no número de atendimentos de pacientes. Estima-se que de 50 a 90 mil brasileiros deixaram de ser diagnosticados com a doença, segundo um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica e da Sociedade Brasileira de Patologia.

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Segundo a oncologista Sheila Marquetto, quando o câncer é diagnosticado em uma fase inicial, as chances de cura são muito maiores. Se os pacientes deixarem de fazer seus exames preventivos e de rotina, que servem para diagnosticar previamente problemas de saúde, incluindo um eventual tumor em fase inicial, podem perder a chance de se curar.

“Existe um receio que, ao passar a pandemia, os pacientes que adiaram exames preventivos e de rotina farão isso em um mesmo momento, o que poderá acarretar aumento de diagnósticos de câncer ou doenças crônicas”, afirma. Segundo ela, isso pode levar a uma sobrecarga do sistema de saúde e inclusive atrasar o início do tratamento, principalmente se for feito pelo Sistema único de Saúde (SUS). Portanto, pacientes já diagnosticados devem manter seus exames em dia, conforme a solicitação de seu médico.

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