POLÊMICA 14/08/2020 10h34 Atualizado às 16h34

HSC afirma que internação na 'ala Covid' não aumenta risco de contrair a doença

Em vídeo que circula nas redes sociais, homem sugere que pai dele morreria se fosse internado no setor, que tem leitos isolados e segue padrões rígidos de prevenção

Circula nas redes sociais um vídeo em que um homem relata não entender o motivo de o pai, de 85 anos, ser colocado na Unidade de Cuidados Respiratórios do Hospital Santa Cruz (HSC) – ala com leitos de isolamento, destinada a pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19. Ele afirma que o teste rápido realizado pelo paciente teve resultado negativo para a doença. As imagens já têm centenas de compartilhamentos.

No vídeo, o homem diz que o pai foi levado ao hospital na manhã dessa quinta-feira, 13, e atendido na emergência. O idoso estaria com muita tosse. Na parte da tarde, após a realização de exames que detectaram um problema no pulmão, o médico plantonista teria dito que o paciente seria internado na ala de Covid do hospital, ou seja, na Unidade de Cuidados Respiratórios, mesmo o teste rápido apontando resultado negativo.


A família relutou e o idoso, que tem plano de saúde, acabou sendo internado em um quarto privativo e ficará no HSC até domingo, 16. Na segunda-feira, 17, o médico fará uma nova avaliação sobre a necessidade de estender ou não a internação.

“Um homem com 85 anos, fraco, ele entrava na sala, já estaria infectado. Isto é óbvio. Será que é esse o primeiro interesse dos médicos?”, diz o homem, no vídeo. “Meu pai faz cinco meses que não sai fora do portão do prédio, como é que esse homem ia ter Covid? Ele não teve. Ele iria ter. E com 85 anos, ele não ia durar uma semana”, acrescenta.

No entanto, contatado pela reportagem, o Hospital Santa Cruz esclareceu que a internação na ala para pacientes com Covid-19 não indica que a pessoa será infectada, mas, pelo contrário, os riscos são até reduzidos. “Há risco em qualquer lugar, mas dentro de uma unidade especializada em atender casos desse tipo o risco é mínimo devido a todos os protocolos rígidos de proteção que são seguidos”, explicou a instituição, por meio de sua assessoria de imprensa.

Também é essencial destacar que o teste rápido, que detecta anticorpos para o novo coronavírus, não é ferramenta de diagnóstico da doença, como explicam a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e especialistas. Uma pessoa com Covid-19 não terá resultado positivo neste tipo de teste antes do oitavo dia de infecção. Portanto, o paciente pode estar com a doença e ter resultado negativo no teste rápido.

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Diferenças entre os testes

Os dois testes usados para identificar casos de Covid-19 no Brasil apresentam características diferentes e devem ser aplicados pelos profissionais da Saúde em momentos distintos. O mais comum é o teste rápido, por ser mais acessível. A realização desse exame é indicada, geralmente, a partir do décimo dia desde o início dos sintomas, como febre e tosse.

Segundo o Ministério da Saúde, dentro do período indicado pela fabricante, coleta-se uma gota de sangue, a exemplo da medição de glicemia (taxa de açúcar no sangue). A partir dessa gota de sangue é possível detectar a presença de anticorpos (IgG e IgM), que são defesas produzidas pelo corpo humano contra o vírus SARS-CoV-2, que causa a Covid-19. Portanto, o teste pode indicar se a pessoa já teve contato com o vírus em algum momento.

Já o teste de biologia molecular, chamado de RT-PCR, identifica o vírus SARS-CoV-2, que causa a Covid-19, logo no início, ou seja, no período em que a infecção está na fase mais inicial. Esse exame consiste na coleta de secreção nasofaríngea por meio de swab (produto semelhante a um cotonete) entre o primeiro e o décimo dia de sintomas – preferencialmente entre o terceiro e o sétimo.


O diretor-geral do hospital, Vilmar Thomé, assinou uma nota em que afirma que o vídeo é equivocado e apresenta uma completa inversão dos fatos.

Confira a nota na íntegra:
“Em relação ao vídeo veiculado em rede social, que tem como conteúdo o atendimento de um paciente idoso, o mesmo é equivocado e apresenta uma completa inversão dos fatos. Informamos que ao avaliar os procedimentos realizados em relação ao mencionado paciente, verificamos que nenhuma conduta ou procedimento realizado induziu a internação por coronavírus.

O paciente em questão foi testado para Covid-19 (o que está previsto nos protocolos e procedimentos médicos estabelecidos) para que fosse definida a melhor conduta a ser tomada, jamais para induzir para uma internação na unidade Covid. O mesmo encontra-se em leito de isolamento, em quarto privativo, aguardando definição de diagnóstico, pois se trata de paciente idoso com outros fatores de saúde associados.

Cabe reforçar que o HSC, enquanto Instituição de Saúde, desempenha uma assistência à saúde com seriedade, profissionalismo, respeito e responsabilidade, mantendo sempre o compromisso ético com os pacientes e com a comunidade.


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