Plano contra estiagem 16/09/2020 10h00 Atualizado às 12h37

Lago Dourado está pronto para o próximo verão, segundo Corsan

Além de obras para aumentar a capacidade de recarga do reservatório, conjunto de ações inclui um programa de redução de perdas e a troca de redes

O deficit hídrico verificado entre novembro de 2019 a maio de 2020 colocou a situação do abastecimento de água em Santa Cruz do Sul em alerta. Em abril, no auge da estiagem, o nível do Lago Dourado chegou a 2,38 metros, quando o normal seriam 4,8 metros. Já a capacidade de operar estava em 40%. Diversas ações emergenciais foram realizadas no reservatório. Pensando em minimizar o desabastecimento no próximo verão, a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) criou um plano de contingência para Santa Cruz. Além de obras para aumentar a capacidade de recarga do Lago Dourado, fazem parte do conjunto de ações um programa de redução de perdas – com busca ativa de vazamentos – e a troca de redes.

O superintendente regional da Corsan, José Roberto Epstein, explica que o Lago Dourado encontra-se em 4,9 metros, com 105% do seu volume. Na segunda quinzena de agosto, após o nível chegar à normalidade de 4,8 metros, ocorreu um alteamento para aumentar em dez centímetros a capacidade de captação. “A intenção era elevar em 20 centímetros a lâmina de água e o reservatório chegar a cinco metros, mas isso poderia comprometer a estrutura e o aterro”, diz. “O lago está pronto para o próximo verão. Estamos operando diariamente com 30% de água do reservatório e o restante do Rio Pardinho, com o sistema de bombeamento, o que dá sobrevida ao lago se entrarmos em uma estiagem mais prolongada.”

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Projeto de barragem ainda depende de estudo técnico

O plano da bacia hidrográfica do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo, executado entre 2004 e 2006, tem 26 ações para recuperar o Rio Pardinho e, consequentemente, garantir o abastecimento de água da população. Entre elas está a construção de uma barragem para reservação no Rio Pequeno, 15 quilômetros a montante de Sinimbu, no local denominado de Eixo de Barramento 129.

A presidente do comitê, Valéria Borges Paz, explica que a proposta, que nunca saiu do papel, precisa de um estudo técnico para ser viabilizada. “São questões técnicas que precisam ser avaliadas. Somente assim saberemos os benefícios ou riscos deste barramento”, aponta. Pela proposta do plano, em 2006, a barragem em Rio Pequeno custaria R$ 11 milhões. “A construção não foi descartada, é um projeto de reservação hídrica. É uma proposta técnica que veio dentro do plano e deve ser considerada.”

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Segundo Valéria, atualmente o comitê está voltado à recuperação do leito do rio, no trecho de assoreamento entre Sinimbu, Vera Cruz e Santa Cruz. “Em 2018, fizemos uma deliberação de um termo de referência para recuperação do Rio Pardinho. Buscamos junto ao governo do Estado criar uma proposta para captar recursos e recuperar o trecho”, conta. “Este ano, o governo colocou um edital para consulta de contratação destes estudos, que já foram realizados, e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente fará a contratação da empresa que vai elaborar estes projetos.”

Os recursos serão captados por meio de uma associação sem fins lucrativos, criada em janeiro, a Associação Pró-gestão das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo. “Estamos aguardando os projetos de recuperação, que virão atualizados e individualizados. No plano anterior da bacia hidrográfica, o custo era de R$ 170 milhões. Queremos projetos com valores menores que possamos executar com nossa capacidade de arrecadação.” Além de reduzirem os processos de erosão e assoreamento, as ações deverão contribuir com a qualidade da água e a redução das enchentes.

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MEDIDAS DE CONTINGÊNCIA
Além das obras de bombeamento e do alteamento, que possibilitam uma recarga com maior velocidade no Lago Dourado, no dia 1º de outubro a Corsan começa um programa de redução de perdas, onde serão investidos R$ 25 milhões. Desse total, R$ 5,5 milhões serão destinados à troca de redes e à busca ativa de vazamentos. “O programa já foi apresentado à Prefeitura e à agência de regulação. Ele vai reduzir drasticamente, por 36 meses, o índice de perdas, com a substituição de redes antigas e a busca ativa do vazamento invisível”, explica José Roberto Epstein.

Em caso de necessidade, a companhia também pretende colocar em operação os três poços artesianos já montados e uma captação de água por meio de estrutura de balsa, flutuante, pronta para operar próximo à ponte do Rio Pardinho. Segundo o superintendente regional da Corsan, a situação do abastecimento de água no município está sob controle. “O lago dispõe de uma capacidade suficiente por um período de até seis meses. Mesmo se não houver a contribuição do rio, o abastecimento será mantido. No entanto, teremos que reduzir em 10% as perdas na cidade.”

Até dezembro, a Corsan deverá entregar o Plano de Segurança da Água de Santa Cruz. O estudo elaborado pela empresa Engevix terá análises hidrológicas e também apontará as necessidades a curto, médio e longo prazo. “Provavelmente indicará, como já ocorreu em outros municípios, a necessidade de buscarmos água em outro manancial, que é uma questão a longo prazo. No momento, uma transposição do Rio Jacuí, que seria o mais próximo, teria 30 quilômetros de extensão e aporte em torno de R$ 200 milhões, o que provocaria impactos significativos, inclusive na questão tarifária”, esclarece Epstein. No forte da estiagem, a vazão do Rio Pardinho chegou a 30 litros por segundo – menos de um quarto do que seria necessário para abastecer a cidade.

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