DIA MUNDIAL 10/10/2020 12h20

Como manter a saúde mental no período pós-pandemia

Segundo especialista, início do isolamento foi o período mais difícil, quando a incerteza sobre a real situação causou medo e insegurança

A pandemia afetou a saúde mental de boa parte da população. As mudanças bruscas, o medo de contaminação e o distanciamento social, somados à crise financeira e perda de empregos, levaram muitas pessoas a buscarem atendimento profissional. Sentir saudades do toque, de um aperto de mão ou abraço se tornou rotina, assim como uma série de cuidados e medidas de prevenção, gerando ansiedade em níveis recorde. No entanto, em muitos lugares a pandemia interrompeu os serviços essenciais, apesar do aumento da demanda.

Para marcar o Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado neste sábado, 10, a Gazeta do Sul falou com uma especialista sobre o tema. A psicóloga Indiana Silva observa que o início da pandemia foi o período mais difícil, quando a incerteza sobre a real situação causou medo e insegurança. “Embora a falta de informação e as notícias falsas sejam inimigas no enfrentamento da pandemia, o excesso de informação também pode ter efeito no equilíbrio mental do indivíduo. Mudanças de rotinas e distanciamento social contribuíram para um desequilíbrio emocional em muitas pessoas”, afirma.

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Para a profissional, a falta de interação presencial pode resultar em prejuízos para a saúde mental. “O ser humano busca interação e aceitação social, vive em grupos. Quando isso deixa de acontecer, por motivos de saúde e sem tempo determinado, pode causar disfunções emocionais e psicológicas. Afeto, interação social e proteção são de extrema importância na vida das pessoas.”

Para lidar com a situação, a psicóloga indica reforçar o contato com o meio familiar neste momento. O período de dificuldades é passageiro, mas as pessoas podem procurar meios parar encarar essa fase, buscando apoio financeiro e emocional com os familiares e, se for necessário, atendimentos profissionais especializados para auxiliar nesse processo.

Uma das formas de retornar à rotina pós-pandemia com equilíbrio é manter os cuidados individuais e em grupo, dando prioridade a conversas positivas e pensamentos otimistas, que podem contribuir para a retomada das atividades com mais leveza.

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Quando procurar ajuda

Indiana observa que sintomas como medo, ansiedade, irritabilidade, episódios depressivos, alteração no sono e distúrbios alimentares indicam que é hora de buscar ajuda. “É importante observar se os sentimentos interferem nas atividades de rotina, causam alteração de humor, interferem na relação familiar e social. Sentir medo em algumas situações é normal, mas quando afeta o indivíduo de forma que o paralisa e causa sofrimento, é sinal de que precisa de suporte de algum profissional especializado.” Algumas dicas para lidar com esses sentimentos são realizar atividades de que se gosta e filtrar as notícias. “Manter uma boa relação com as pessoas próximas, respeitar seus sentimentos e não se cobrar tanto. Procurar ajuda profissional não é sinônimo de fraqueza, mas sim de coragem e amor-próprio.”

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IMPACTO GLOBAL

Os serviços para pessoas mentalmente doentes e pacientes de abuso de substâncias passaram por mudanças em todo o mundo em meio à pandemia de Covid-19. Acredita-se que a doença causará mais sofrimento a muitos, segundo divulgou a Organização Mundial da Saúde (OMS) em comunicado no início do mês.

Só 7% dos 130 países que responderam a uma pesquisa da OMS informaram que seus serviços de saúde mental continuam funcionando normalmente. 93% relataram serviços limitados devido a vários distúrbios. Apenas 17% dos países proporcionaram financiamento adicional para implantar atividades de apoio às necessidades de saúde mental, crescentes durante a pandemia, conforme a OMS.

Mas a entidade não tem dados sobre consequências graves, como taxas mais altas de suicídio, ataques epilépticos ou dependência de opiáceos sem assistência, que poderia levar a overdoses. Muitos países, especialmente de renda baixa, mantiveram os serviços de saúde mental em hospitais convencionais que permaneceram abertos. No entanto, muitos pacientes enfrentaram outras dificuldades, alerta a OMS em sua primeira avaliação.

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