Mobilização 13/10/2020 07h28 Atualizado às 11h37

Setor de eventos pede retorno das atividades em Santa Cruz

Sem poder trabalhar desde março, empresários e apoiadores realizam manifestação nesta terça-feira pela manhã

Com operações suspensas desde março em função da pandemia do novo coronavírus, empresários e apoiadores do setor de eventos de Santa Cruz do Sul realizam nesta terça-feira, 13, pela manhã uma manifestação em frente à Câmara de Vereadores. A mobilização tem como objetivo sensibilizar a classe política municipal sobre a necessidade da retomada das atividades, respeitando as regras de distanciamento e higiene, a exemplo do que já ocorre em outros Estados e até mesmo outras cidades do Rio Grande do Sul.

Em entrevista concedida ao jornalista e comunicador Leandro Porto, no programa “Rede Social” da Rádio Gazeta FM 107,9, na última quinta-feira, 8, a empresária Kátia Letícia Hermes, representante do ramo de eventos de Santa Cruz do Sul, citou alguns pontos que ajudam a entender a situação. O setor é responsável por 13% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, com movimentação anual superior a R$ 930 bilhões. Além disso, gera aproximadamente 25 milhões de empregos diretos e indiretos. Ela ressalta a variada gama de profissionais envolvidos em eventos, que vão desde a montagem das estruturas até recepção, serviço de bufê, garçons, fotógrafos, equipes de higienização, entre muitos outros.

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Empresários argumentam que eventos como o Enart movimentam muitos setores

“Para cada evento, seja ele social, privado ou corporativo, nós temos toda uma gama de pessoas e empresas envolvidas. São dezenas e dezenas de pessoas que se movimentam, seja para uma festa de 20 pessoas ou para cinco ou 10 mil”, destaca Kátia. Como exemplo dessa mobilização ela cita a Oktoberfest e o Enart, que movimentam toda a economia do município. “Hoje, o nosso setor está sendo muito prejudicado. Não temos o apoio, digamos, governamental. Alguns conseguiram o auxílio emergencial, mas R$ 600,00 ou R$ 300,00 não dão conta de pagar tudo aquilo de que uma família precisa”, lamenta.

A representante reafirma que os empresários estão cientes das regras que terão de cumprir em uma possível mudança dos protocolos. “Nós temos como objetivo mostrar que estamos aqui, precisamos de ajuda e, principalmente, precisamos de flexibilização com relação ao nosso trabalho.” Kátia revela que por várias vezes tentaram o diálogo com a Prefeitura, inclusive por meio de um ofício, mas, até o momento, as demandas não foram atendidas. “Todos nós estamos cansados, precisando de dinheiro, dar de comer aos nossos filhos, pagar aluguéis. É uma questão bastante complexa e muito delicada”, finaliza. A manifestação ocorre a partir das 9 horas em frente à Câmara de Vereadores, na esquina das ruas Fernando Abott e Assis Brasil.

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Decreto estadual permite retomada

Na última sexta-feira, 9, o governo do Estado publicou um decreto autorizando o retorno dos eventos de grande porte no Rio Grande do Sul. Segundo o Piratini, a melhora geral nos indicadores de risco da Covid-19 possibilita essa retomada, ainda sob limitações e respeitando os protocolos de distanciamento e higiene. Eventos realizados em teatros, casas de shows e espetáculos, circos e programações corporativas, como feiras, seminários e congressos, poderão ser realizados em municípios que estão há pelo menos duas semanas consecutivas em bandeira amarela ou laranja. Além disso, o retorno das atividades de ensino também é um pré-requisito.

Conforme o governador Eduardo Leite (PSDB), esse critério é necessário para estabelecer uma escala de prioridades na retomada. “Temos uma prioridade na questão das liberações. Faremos a liberação para eventos somente em municípios nos quais as aulas presenciais já estiverem retornando. Não faz sentido haver liberação de eventos sem ter havido o retorno das aulas. É importante priorizar o ensino, a aprendizagem de nossas crianças e jovens, em relação a outros tipos de atividades”, disse.

Vale ressaltar que essa autorização por parte do Estado trata-se apenas de um relaxamento de proibições. Para que as normas se apliquem aos municípios é necessário que cada prefeitura, individualmente, publique um novo decreto estabelecendo as próprias regras que, por esse motivo, podem ser diferentes entre si.

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