Rio Grande do Sul 29/10/2020 14h01

Campanha contra a pólio é prorrogada após baixa procura pela vacina

Em toda a área da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde, apenas 51% das crianças do público-alvo foram vacinadas

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite registrou no começo da semana cobertura vacinal de 48,2% no Rio Grande do Sul. A baixa procura pela vacina resultou na prorrogação da ação, que agora vai até o dia 21 de novembro – e não mais até esta sexta-feira, 30, como estava previsto.

Em Santa Cruz do Sul, até o fim da tarde dessa terça-feira, 27, Santa Cruz do Sul havia vacinado 3.262 crianças contra a poliomielite, o que corresponde a 58,98% do público-alvo, que é de 5.531 crianças na faixa etária de 1 ano a menores de 5 anos. Em toda a área da 13ª Coordenadoria Regional de Saúde, que compreende 13 municípios, das 14.971 crianças do público-alvo, apenas 7.649 receberam as doses (51,29%) até a mesma data.

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Todas as crianças de até 5 anos precisam atualizar a caderneta de vacinação ou receber uma dose extra. A meta é atingir, ao menos, 95% do público-alvo, estimado em 529.125 crianças no Estado. Desde o início da campanha, em 5 de outubro, até o fim da tarde de segunda-feira, 26, de acordo com registro no sistema de informação, foram aplicadas 257.311 doses da vacina.

O esquema vacinal de poliomielite é composto, atualmente, por duas vacinas: a injetável, aplicada em três doses aos dois, quatro e seis meses de vida da criança; e a vacina oral, aplicada aos 15 meses e aos 4 anos. Nesta campanha, todas as crianças dessa faixa etária terão a avaliação da situação vacinal para poliomielite.

As maiores de um ano que estiverem com os esquemas vacinais em dia receberão uma dose da vacina oral, a chamada dose D (indiscriminada). Para as crianças que estiverem com os esquemas de vacinação de poliomielite em atraso, haverá a atualização.

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Em paralelo, ocorre a Campanha de Multivacinação, que tem o intuito de atualizar a situação vacinal da população até 15 anos de idade, de acordo com as indicações do Calendário Nacional de Vacinação. O objetivo é, além de aumentar as coberturas vacinais, diminuir ou controlar a incidência de doenças imunopreveníveis como o tétano, o sarampo e a febre amarela.

“É fundamental que as crianças e adolescentes compareçam às Unidades de Saúde levando a caderneta de vacinação”, falou a chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Tani Ranieri. Por ser uma estratégia de atualização de esquemas em atraso, não se trabalha com metas. A avaliação será realizada a partir das doses aplicadas e registradas nos sistemas de informação no período.

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“É responsabilidade dos pais e um ato de proteção vacinar os filhos. Várias doenças, que podem até mesmo levar a óbito, estão em circulação no Rio Grande do Sul, como o sarampo. Um ato simples como a vacina pode evitar o contágio”, ressaltou Tani.

Ela salientou ainda que todos os postos de saúde estão seguindo as medidas de segurança para evitar o contágio da Covid-19. “As unidades de saúde estão preparadas para receber os cidadãos”, completa.

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Pouca adesão gera o risco de volta da doença

No dia 24 de outubro,, comemorou-se o Dia Mundial de Combate à Poliomielite, também conhecida como paralisia infantil. Embora a doença esteja erradicada no Brasil – o último caso foi registrado em 1989 –, ainda há risco de que retorne ao País. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2019 nenhuma das vacinas infantis atingiu a meta estabelecida. Isso traz preocupação quanto o ressurgimento de casos da poliomielite, que ainda afeta países como Paquistão e Afeganistão.

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