Alerta 17/02/2021 06h59

Infectologista teme os efeitos das aglomerações de Carnaval na região

Conforme Marcelo Carneiro, as UTIs estão com alto índice de ocupação e cenário das próximas semanas pode ser semelhante ao visto após as festas de fim de ano

O cenário de redução do número de novos casos de Covid-19 percebida no Vale do Rio Pardo nas últimas semanas pode estar próximo de mudar. O alerta é feito pelo médico infectologista Marcelo Carneiro, em entrevista à Rádio Gazeta. Segundo ele, as aglomerações percebidas nos últimos dias, especialmente nas praias, devem ter reflexo na disseminação da doença nas próximas semanas e, consequentemente, no número de novas hospitalizações.

“Nós, médicos que trabalhamos em UTI, não nos sentimos confortáveis com o que está acontecendo. Temos pessoas internadas conosco que são da metade de janeiro e, agora, a maioria dos que estão internando são da primeira semana de fevereiro. Nessas próximas semanas pós-feriadão poderemos ter uma situação diferente”, afirma Carneiro.

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Segundo ele, ainda é cedo para comemorar a redução no número de novas infecções percebida nos últimos 30 dias. “A redução que está acontecendo agora é mais ou menos o que nós tínhamos na metade do ano passado. Ou seja, o nosso melhor momento, agora, é igual ao pior momento de julho. Tem que ficar muito claro que essas mudanças são variáveis”, completa.

Carneiro diz que a vacinação dos grupos de maior risco deve provocar redução no número de hospitalizações, mas a atenção e os cuidados devem ser mantidos. “Sem dúvida teremos um grande risco nos próximos dez dias relacionado à questão da praia e Carnaval, e que talvez acometa pessoas mais jovens e com risco menor de adoecimento”, afirma.

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Apesar de os jovens possuírem chances menores de desenvolver complicações da Covid-19, a possibilidade de transmitir a doença aos familiares é o que preocupa os médicos, especialmente em relação às pessoas obesas, que possuem fator de risco elevado, independente da idade. Outro alerta feito pelo médico diz respeito à quantidade de leitos de UTI disponíveis na região, que enfrenta um dos piores momentos desde o início da pandemia.

“Essa semana vieram pacientes de Venâncio Aires para Santa Cruz por falta de leitos lá. Nós percebemos uma possibilidade real de aumento de casos nessa semana e as pessoas que entraram na UTI recentemente têm pouca probabilidade de saírem nos próximos 15 dias”, salienta Carneiro. Segundo ele, se novas pessoas precisarem de tratamento intensivo, existe a chance de a rede hospitalar da região não conseguir atender.

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“O que está acontecendo é possível prevenir por comportamento. Eu não sou contra as férias, o problema é que as pessoas se perdem no comportamento. No momento em que elas vão em um lugar e acreditam que o risco é menor, acabam relaxando em algumas medidas de controle e aumentam a probabilidade de pegar a doença”, enfatiza o médico.

A respeito das vacinas, Carneiro diz que o impacto das imunizações só deve ser sentido na metade do ano. Ele pede que a população continue se cuidando para evitar a disseminação das novas variantes da Covid-19 que já circulam pelo Estado.

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