HOMICÍDIO 01/03/2021 13h51 Atualizado às 20h41

Autor de chacina em Tunas planejava abrir boate com garotas de programa

Pai, morto a tiros, não queria que filho entrasse no ramo. Fato teria gerado discussões que culminaram em assassinato

A Polícia Civil de Arroio do Tigre avançou na investigação que busca esclarecer o caso de triplo homicídio que chocou a região Centro-Serra no dia 12 de fevereiro, em Tunas. Os investigadores apuraram que Jaime Schoeninger dos Santos, de 23 anos, pretendia abrir uma boate com garotas de programa no município.

Os hábitos do rapaz, que gastava seguidamente em casas noturnas o dinheiro da herança já antecipada pela família, teriam sido a razão de discussões entre ele e o pai, Adão Antunes dos Santos, de 66 anos. Somente nos últimos dias antes do crime, Jaime teria gasto cerca de R$ 8 mil em estabelecimentos do gênero. O motivo também teria sido alegado por ele à polícia como ponto de início das discussões na madrugada do crime.

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Aos policiais, relatou que queria ir para uma boate naquela madrugada, mas o pai não teria aceito. A partir daí, de acordo com o rapaz, o pai teria apontado uma espingarda e ele, para se defender, teria revidado disparando com um revólver 38 no braço de Adão. Ainda na versão de Jaime, o pai teria corrido para buscar outra arma e levado mais dois tiros nas costas, antes de cair no sofá da cozinha.

Para completar, Jaime teria efetuado mais dois disparos no peito de seu pai. Em seguida, ele ateou fogo no cadáver. A mãe Marlene Schoeninger, de 43 anos, e a irmã Jamile Schoeninger dos Santos, de 1 ano e 4 meses, morreram queimadas dentro do banheiro.

“Estamos apurando a necessidade de realizar a exumação do corpo do pai para obter mais informações sobre a veracidade dos fatos relatados. Durante a investigação, buscamos mais elementos para deixar reforçada a tese de premeditação e também a motivação”, afirmou a delegada Alessandra Xavier, responsável pelo caso.

Óleo diesel foi comprado dias antes do crime

Uma das informações apuradas pela Polícia Civil que reforçam a tese de premeditação é que na segunda-feira antes do crime, Jaime Schoeninger dos Santos havia comprado 65 litros de óleo diesel em um posto de combustíveis de Tunas. Estes teriam sido usados para queimar a casa com os familiares dentro. “Na ocasião, ele chegou a oferecer um imóvel que o pai tinha em Tunas ao frentista que lhe vendeu o óleo”, comentou o comissário da DP de Arroio do Tigre, Airton José Ghignatti.

O óleo diesel foi espalhado em partes da casa, sofá, cama e no corpo do pai. Após o crime, ele teria ido direto a uma boate de Espumoso, na tentativa de forjar um álibi. Notas fiscais de compras no estabelecimento e uma foto do freezer do local postada no status do WhatsApp também foram tentativas de o autor indicar que não estava na cena do crime.

“Ele foi festejar. Achou que o plano tinha sido bem arquitetado. Não necessariamente precisava da herança, pois já tinha uma grande quantia de dinheiro, além da terra que havia recebido do pai em vida, já para tentar fazer com que ficasse mais por perto de casa. Mas ele queria era estar na noite, e sem o pai por perto teria acesso livre para construir essa boate com garotas de programa que queria”, complementou Ghignatti.

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PROJÉTIL

No último dia 18, agentes da Polícia Civil de Arroio do Tigre estiveram na cena do crime e encontraram um projétil de revólver calibre 38 no local onde o pai foi encontrado morto. A prova não havia sido localizada pela perícia na manhã dos fatos. Uma mulher que ficou com Jaime na boate, na madrugada dos assassinatos, foi ouvida pelos policiais e contou que o homem estava com cheiro de óleo muito forte. Ainda teria combinado para aquela noite assar um churrasco de ovelha na boate onde estava.

A Polícia Civil ainda vai ouvir outras testemunhas. Entre elas estão o frentista que vendeu o óleo ao acusado, um primo que teria recebido mensagens de Jaime durante a madrugada relatando o incêndio, e também um homem que teria comprado um trator dele, pois uma das justificativas para a compra do óleo teria sido para abastecer esse veículo. Jaime Schoeninger dos Santos deve responder por triplo homicídio qualificado, com a qualificadora de motivo fútil, sem possibilidade de defesa das vítimas.

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