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Rio Pardo

FOTOS: veleiro feito em Santa Cruz é testado no Jacuí

Casal registrou o primeiro pôr do sol do Lelei nas águas do Rio Jacuí. Barco ficará ancorado à espera da chuva e do aumento no nível

O sonho de circunavegar o globo está mais próximo para o casal Vanderlei Becker e Ieda de Camargo. Os moradores de Santa Cruz do Sul testaram o veleiro Lelei pela primeira vez no último sábado. A embarcação, construída pelo eletricista nos últimos quatro anos e nove meses, foi concluída em fevereiro medindo 11 metros de comprimento e pesando 10,5 toneladas.

A complexa operação para colocar o barco na água envolveu um caminhão, uma carreta e um guindaste. O trabalho começou às 7 horas e se estendeu até as 10 horas, quando o veleiro foi retirado da propriedade da família em Cerro Alegre Alto. A passagem pelo Bairro Arroio Grande foi lenta e com cuidado para que não houvesse contato com os fios da rede elétrica. Em Rio Pardo, por volta do meio-dia, o veleiro estava sendo colocado na água do Rio Jacuí.

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De acordo com Vanderlei, que construiu a embarcação, houve uma pequena infiltração por conta de furos em uma solda no eixo da hélice, o que já foi consertado. A primeira navegada, para ver se a flutuação estava equilibrada e se não entraria água, foi da Praia dos Ingazeiros até o Porto das Mesas, onde o casal pernoitou. “Tudo funcionou perfeitamente. Há apenas alguns ajustes que têm que ser feitos. Mas o barco se comportou muito bem. Vou providenciar uns ajustes nos equipamentos, aferir os instrumentos e começar a andar”, conta.

Por enquanto o Lelei vai permanecer na praia da primeira ancoragem em Santa Vitória, em Rio Pardo, porque o rio está muito baixo. Quando começar a época de chuvas e aumentar o nível da água, o casal vai conseguir navegar em direção a Porto Alegre, passando antes por Taquari, onde Vanderlei cresceu. Na Capital a embarcação vai ganhar o mastro e as velas e passar por uma vistoria do casco. “Eu estava muito apreensivo, foram cinco anos, praticamente, de muito trabalho. Eu não sou consultor naval e nunca tinha construído um barco, entrei cru no negócio e fiz ele sozinho sem muito auxílio, com apenas algumas orientações do engenheiro”, relata. A expectativa era grande, mas ele se diz muito satisfeito com o resultado.

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Equipado e autossuficiente em energia
Apesar do espaço limitado de cerca de 30 metros quadrados, o veleiro é cheio de confortos e totalmente equipado com instrumentos de navegação de última geração. “A Marinha tem exigências sobre equipamentos. De acordo com a área onde ele for navegar precisa ter um tipo de equipamento. Como pretendo me registrar para mar aberto, precisa ter uma série de rádios, GPS, sonda, cartas náuticas, e esse barco tem tudo instalado.” O barco conta ainda com piloto automático e instrumentos que medem a profundidade, a velocidade sobre a água, a temperatura da água e a velocidade do vento.

O xodó de Vanderlei e Ieda tem dois quartos grandes, sala, cozinha, uma mesa de navegação e banheiro completo. A estrutura do barco tem uma balsa salva-vidas com capacidade para seis pessoas, dois tanques de água potável e dois tanques de diesel, com 250 litros cada um, além de armários para mantimentos e uma oficina para consertos a bordo. O construtor projeta que abastecido o barco deve pesar cerca de 11 toneladas. A geração de energia funciona com um banco de baterias carregadas por placas solares, tornando o barco autossuficiente.

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Volta ao mundo
De acordo com Vanderlei Becker, para quem constrói um barco assim é claro que a maior intenção é dar a volta ao mundo. “A concepção é um barco de estrutura muito reforçada para ir a qualquer lugar do mundo. Mas até chegar na volta ao mundo, tem muita água que passa debaixo da ponte”, brinca. Após navegar até Porto Alegre e fazer os ajustes finais e a mastreação, o casal vai explorar a Lagoa dos Patos e o Rio Guaíba. Navegando à vela, será possível aprender o jeito do barco e como usar as velas para o melhor desempenho, além de fazer as correções que forem necessárias.

No ano que vem, entre junho e agosto, o plano do casal é começar a subir a costa do Brasil, aproveitando a época de ventos predominantes do quadrante Sul. “Para onde não tenho previsão, nada está definido. Queremos é conhecer locais no Brasil, rios, comunidades. Temos muita vontade de navegar pelos rios da Amazônia”, conta Vanderlei. Este período de exploração em território nacional não tem tempo determinado, mas após a ideia é visitar também o Caribe e seguir viagem pelo Canal do Panamá até o Oceano Pacífico, ou subindo pelos Estados Unidos em direção à Europa.

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Um dos desafios da viagem será se adequar ao espaço limitado e à nova rotina em alto mar. O dia começa cedo junto com o nascer do sol e se encerra ao anoitecer, e o acesso à internet e outras mídias é limitado. “O interessante é que tu começa a viver em outro ritmo. É a contemplação da natureza, da vida, acho que isso é o que mais motiva as pessoas que saem das suas casas e largam seus bens, seu conforto em terra e vão viver no mar, essa coisa do contato com a natureza: uma vida mais pura, é isso que se busca e que fascina tanto.”

Ieda e Vanderlei trabalham nos ajustes finais e fazem planos para as viagens futuras

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