Coluna da Renata 07/08/2018 10h50 Atualizado às 15h25

A sexualidade muda ao longo da vida? Parte 2

Mitos são fruto de falta de conhecimento e podem atrapalhar o desempenho sexual

A dúvida presente é, muitas vezes, representada por alguma preocupação, se relaciona às mudanças de comportamento, sensações, necessidades e satisfação no desempenho das ações sexuais. A mudança maior está relacionada não somente com a idade cronológica, tipo 30 ou mais anos, mas sim com aspectos de maturidade e vivências de atividade sexual entre os indivíduos.

Por outro lado, para a grande maioria dos adultos, as relações íntimas representam um aspecto importante de suas vidas. Ter uma auto imagem pessoal satisfatória vai depender de como os indivíduos vivem sua sexualidade. E isto é relacionado às fases anteriores pelas vivências, experiências e do conhecimento adquirido.

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Os adultos tendem a viver essa experiência em estilos muito variados e, atualmente, diferente ao que a sociedade indicava como namorar, noivar e casar para iniciar a vida sexual. Podemos analisar que modernamente as pessoas ficam solteiras por mais tempo, coabitam (viver juntos sem casamento) e até casam. A prática sexual é vivida intensamente sem a obrigatoriedade de definição de relações entre as pessoas.

Dessa forma, essa liberdade tem revelado aspectos de muita diversidade e possibilidades de haver relacionamentos variados. Sabe-se, no entanto, que essa liberdade de comportamento sexual pode gerar muita insatisfação podendo levar a relações pessoais superficiais, descartáveis e frustrantes. Também podem se manifestar e aparecer as disfunções sexuais, tanto em homens quanto em mulheres.

Disfunção é o termo médico usado para alterações do desempenho sexual, que gera insatisfação ou sofrimento, muitas vezes por bastante tempo pela dificuldade das pessoas reconhecerem o fato, achando que vai passar e que é assim mesmo e por não saber que podem melhorar buscando ajuda profissional.

Disfunção no homem pode ser falta de ereção (pênis não fica rígido), ejaculação cedo ou retardada e falta de orgasmo. Na mulher, dor ou dificuldade na penetração, falta de orgasmo. Em ambos, pode se apresentar a diminuição ou falta de desejo, mais frequente entre as mulheres. Todas essas disfunções têm tratamento medicamentoso e psicoterapêutico.

Estas são as principais questões presentes na vida sexual adulta: 

1– Por que não tenho mais tanto ou nenhum interesse sexual pelo/a parceiro/a?

2 - O desempenho através da excitação com ereção está falhando?

3 - Por que não consigo mais chegar ao orgasmo?

4 - Será que isso tem relação com os hormônios?

Relembrando que toda atividade sexual vivida entre pessoas tem como indicativo pressuposto de relacionamento, isto quer dizer, trocas pessoais, não somente prática de coito ou penetração. A sexualidade é vivenciada como um todo, com intercomunicação, toques, carinhos, estímulos auditivos e visuais agradáveis.

É importante ressaltar que a maioria pode ser representada por mitos e tabus sexuais construídos ao longo da vida por aprendizado resultante de condutas ditadas pela sociedade e próprias experiências. Alguns exemplos: a ereção indica necessidade de relações sexuais imediatas; sexualmente, a mulher é passiva e o homem é ativo; a masturbação é uma prática restrita aos homens; todo o contato físico deve, necessariamente, terminar numa relação sexual; o tamanho do pênis influi no prazer da mulher; a mulher tem menos necessidade de sexo do que o homem; o homem não deve falhar nunca;  o desejo e a potência sexual diminuem sensivelmente depois dos 40 anos; o álcool é um estimulante sexual; sexualmente, a mulher é passiva e o homem é ativo; se a mulher não é charmosa e jovem, não pode gozar de uma boa relação.

Mitos são fruto de falta de conhecimentos e devem se desconstruídos porque são falsos. Podem resultar em pensamentos incorretos e que atrapalham o desempenho sexual, especialmente, na fase adulta.