Sexo 26/11/2018 15h46

Mitos e tabus sobre sexualidade

No comportamento sexual do adulto, várias questões podem estar presentes e atrapalhar uma relação saudável

Sempre que ouvimos afirmações como certezas, precisamos pensar se tudo realmente é verdadeiro. Os mitos são constituídos por verdades construídas, na maioria das vezes, por falta de conhecimento pessoais. O termo "mito" é, por vezes, utilizado de forma pejorativa para se referir às crenças comuns consideradas sem fundamento objetivo ou científico e vistas apenas como histórias de um universo puramente maravilhoso de diversas comunidades. Na maioria das vezes, o termo nem sempre é utilizado na simbologia correta porque também é usado em referência às crenças comuns que não têm fundamento objetivo ou científico e vão passando de pessoas a pessoas, dentro de uma sociedade.

Os tabus, por sua vez, foram desenvolvidos por modos de vida e costumes da sociedade e religiões, que deveriam ser seguidos sob pena de castigos ou prejuízos. O significado de tabu geralmente se refere a uma proibição da prática de qualquer atividade social que seja moral, religiosa ou culturalmente reprovável. Dizer que algo é um tabu pode significar que é sagrado e, por isso, interdito qualquer contato. Ou pode também significar algo perigoso, imundo ou impuro. Cada sociedade possui os seus próprios padrões morais. Tabus existentes em uma cultura podem não existir em outras.

Falando de outra forma, os tabus são criados por convenções sociais, religiosas e culturais. São meios de preservar os bons costumes da sociedade limitando a prática de determinados atos ou evitando falar de assuntos polêmicos. Atualmente, os aspectos sexuais estão muito mostrados pela mídia, filmes, conversas. O comportamento sexual sofreu modificações importantes, trazendo formas novas de relacionamento entre as pessoas. Porém, muitas vezes não são aceitas por outras em uma sociedade mostrando que falar em sexo/sexualidade ainda é considerado tabu. Muitas pessoas têm dificuldades para conversar com naturalidade  quando o assunto é relacionado a aspectos sexuais.

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Tanto mitos quanto tabus podem acarretar alterações em comportamentos sexuais e problemas para saúde sexual. Com isso, surgem as chamadas disfunções sexuais como, por  exemplo, um sofrimento intenso pela falta de ereção em homens e, em mulheres, a impossibilidade e/ou dor na penetração vaginal no ato sexual. São chamadas de disfunção erétil nos homens e vaginismo em mulheres Essas duas situações são frequentes e, na maioria das vezes, geradas por educação com formação especialmente de mitos ou tabus na infância e adolescência. Essa influência não é igual em todas as pessoas. Algumas aprendem quando crianças ou adolescentes e moldam fortemente o comportamento.

Podem desenvolver culpa ou repressão por terem um julgamento de si mesmas muito severo, baseados no que pais ou familiares ensinaram. Ficam bloqueados/as e, com isso, não conseguem aprender um comportamento sexual saudável e desenvolver relações satisfatórias. 

Por exemplo, quando um adolescente masculino inicia um comportamento, com masturbação e/ou relacionamento sexual, surgem muitas dúvidas sobre a forma de se fazer. Existe pouca informação porque geralmente os pais não falam sobre isso e eles acabam aprendendo com amigos ou simplesmente vão fazendo. Os mitos dizem que homem tem que ter relação, tem que penetrar, tem que buscar fazer sexo. Os adolescentes quando enfrentam essa realidade, pode acontecer de não se saírem bem de acordo com as normas (mitos) estabelecidas pelo grupo, se frustam, sofrem e acabam por desenvolver disfunção de ereção por vergonha e/ou sensação de fracasso.

De forma parecida, uma adolescente acaba se sentindo obrigada a ter relação porque “todo mundo fica”, porque tem curiosidade, porque quer segurar o namorado, etc. Ela não sabe muito bem como é, não tem orientação, o parceiro é inexperiente, a primeira vez pode ser dolorosa e, principalmente, porque ela pode se sentir culpada por estar fazendo uma coisa errada, pois lhe disseram que não devia. Dessa forma, a menina fica tensa e contrai a região vaginal, impossibilitando a penetração.

Para ambos os casos, tanto de disfunção erétil ou vaginismo, há necessidade de procurar um profissional especializado para encaminhamento do tratamento. Por outro lado é importante que se busque desenvolver uma educação sexual, com objetivo de esclarecer e de ajudar especialmente os adolescentes na fase de vida em que as mudanças corporais e psicológicas surgem. Essas mudanças ocorrem por ação dos hormônios sexuais na puberdade e inicia o desenvolvimento sexual, tanto físico quanto psíquico. Pais devem ficar atentos e ajudar na orientação saudável, lembrando que relacionamentos sexuais são tanto físicos quanto afetivos e que há necessidade de ter um amadurecimento para a prática sexual.