Conversa Sentada 27/07/2017 17h40

De volta

Na minha coluna não haverá lugar para o juridiquês ou linguagem cifrada. Proponho-me a reflexões, relatos de experiências, sempre aceitando e ponderando críticas que me fizerem

De nuevo estoy de vuelta, 
después de larga ausencia; 
igual que la calandria 
que azota el vendaval. 
Y traigo mil canciones 
como leñita seca: 
recuerdo de fogones 
que invitan a matear.

Pois, por convite de meu amigo de infância André Jungblut, volto a dar meus pitacos na Gazeta. A estas alturas do campeonato pouca gente me conhece na minha querida terra natal. Não tem importância. Vamos charlando no caminho e nos conhecendo.

Nasci na Linha Araçá, onde meu pai tinha uma casa de comércio. Na época gravidez não era doença e, especialmente na colônia, as mulheres davam à luz em casa mesmo, no máximo assistidas por uma parteira. E não havia nada de alergia ao leite ou a isso ou aquilo. Era mamar nas tetas da mãe até onde desse e depois leite de vaca. Lá pelos 6 meses, linguiça de porco na dieta.

Quando completei 6 anos meus pais se mudaram para Santa Cruz, onde abriram nova casa de comércio. Frequentei o jardim de infância das irmãs franciscanas, depois o Colégio São Luís e, mais tarde, o Mauá.

Passei no vestibular para Direito na Ufrgs, onde colei grau em 1969. Aos 22 anos prestei concurso para delegado de Polícia, cargo que exerci por cerca de um ano. Fui advogar em Porto Alegre. Depois, após novo concurso, assumi como juiz de Direito, chegando, ao final, a desembargador, cargo do qual estou aposentado. Mas na minha coluna não haverá lugar para juridiquês ou linguagem cifrada. Proponho-me a reflexões, relatos de experiências, sempre aceitando e ponderando críticas que me fizerem.

Aliás, notaram como este texto está inçado de espanholismos e termos campeiros? Pois é. Os idiomas são seres vivos e tanto as palavras escritas e mesmo faladas denotam imersões em diversas regiões.

Minha primeira comarca foi Horizontina. Ali aprendi “o que era bom para tosse”. O asfalto terminava em Carazinho e, até Ijuí, estrada de chão. De Giruá a Horizontina, barro vermelho. Levei dois dias para chegar. Tinha carro que atolava dentro da cidade. O único hotel era de madeira. Fiquei um ano. Ali conheci muita gente que tinha vindo das “colônias velhas” para as férteis e vastas terras do Noroeste. Começava o período do milagre soja-trigo. Jamais esquecerei as imagens daquelas montanhas de tocos de árvores nativas resultantes de um baita desmatamento. Os cursos d’água eram de um vermelho sangue. Nem as matas ciliares eram poupadas. Mas tudo em nome do “progresso”.

Curiosidade: o prefeito de Horizontina era o sr. Walter Bündchen, avô da übermodel Gisele. A cidade girava em torno da SLC, cujo administrador era o dr. Jorge Dahne Logemann.

A poucos quilômetros de Horizontina estava o Rio Uruguay. Do outro lado, a Província de Misiones, Argentina.

(Segue na próxima semana)