Conversa Sentada 26/03/2020 09h14

As verdades de Ayn e Jaqueline

Não há solução para o coitadismo. Ou você pega no remo e rema de verdade, ou não chega a lugar algum

Eu sei, eu sei, está todo mundo só digitando nas redes sociais trocando receitas e avisos sobre a pandemia. Não tem como deixar de escrever algo a respeito, mesmo tangenciando um pouco. Não será a primeira pandemia, nem a última no mundo. Essas correrias para o supermercado são situações que acontecem até com os europeus, ao menor sinal de crise. Dê-lhe estocar comida. Somos mamíferos, temos medo da fome.

Quero falar sobre Ayn Rand, que nasceu na Rússia, onde frequentou o colégio e a universidade. Estudou história, filosofia e produção de roteiros para o cinema. Em 1925, deixou o estado comunista, dizendo às autoridades soviéticas que faria uma breve visita a parentes nos Estados Unidos, de onde nunca retornou.

Recebi anos atrás um presente, a obra dela, A revolta de Atlas, em três volumes. Me assustei com as mil páginas e deixei os livros numa prateleira. Assim ficaram por quase dez anos, tipo flores de enfeite. Pois o José Luiz Prévidi publicou em seu blog um resumo da história e das obras de Ayn. Me interessei e me permito registrar algumas ideias e convicções dela.

De fevereiro de 1920:

“Quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converter em autossacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.”

Sou obrigado a me penitenciar por não ter lido Ayn antes. Ela é dura, incisiva, mas como venho pensando há muitos anos, não há solução para o coitadismo. Ou você pega no remo e rema de verdade, ou não chega a lugar algum. Daí porque, no Brasil, tantos “jovens” de cerca de 30 anos fogem da raia, escondem-se na “fumaça” e no “cheiro”, protelando seu futuro para “meras quimeras”.

Não conheço pessoalmente Jaqueline Weigel. Como escreve bem e com lucidez! Imperdível seu artigo de segunda passada sob o título O planeta respira aliviado. É na linha do que venho escrevendo sobre a nave azul e falta de noção dos humanos. Agora os bichinhos chineses estão em todos os lugares e os humanos não têm para onde fugir. Sem essa de correr para o aeroporto.

Quem sabe o Brasil, ante esse período complicado, sai do berço esplêndido, reflete um pouco mais e ressurge novo, solidário, respeitoso.