Série 05/07/2019 10h14

Coroner põe a vida pessoal de legista em primeiro plano

Produção estreia sua primeira temporada de 8 episódios nesta sexta, às 23h

Nas séries processuais americanas, principalmente as que lidam com crimes, normalmente sabe-se muito sobre os casos e pouco sobre a vida pessoal dos investigadores. Coroner, que estreia sua primeira temporada de 8 episódios nesta sexta, às 23h, no canal Universal TV, pretende ser diferente, colocando a personagem principal, a médica legista Jenny Cooper (Serinda Swan), em primeiro plano.

"Jenny Cooper não é uma médica legista que, por acaso, é um ser humano; ela é um ser humano que, por acaso, é uma médica legista", disse a atriz ao jornal O Estado de S. Paulo, no set da série em Toronto. 

No primeiro episódio, Jenny está tentando recomeçar, depois de perder o marido repentinamente e ficar cheia de dívidas. Sofrendo de ansiedade, precisa segurar as pontas em casa, com o filho adolescente Ross (Ehren Kassam), ao mesmo tempo que inicia uma nova carreira, deixando o atendimento em pronto-socorro para investigar as mortes suspeitas. "É como se entrássemos na vida de uma pessoa, que está tentando conciliar tudo, o filho, as dívidas, um potencial novo amor, com o caso de dois adolescentes mortos em aparente suicídio num centro de detenção para menores infratores", afirmou a produtora e diretora Adrienne Mitchell, referindo-se à investigação do piloto. 

Coroner é baseada numa série de livros do inglês M.R. Hall, mas não os segue fielmente. "Queríamos abordar o que está acontecendo no mundo agora, e a audiência vai perceber isso", contou a showrunner e roteirista Morwyn Brebner. "Por exemplo, existe um grande debate hoje em Toronto sobre como as mortes violentas de pessoas de minorias são investigadas, em oposição aos crimes sofridos por brancos." 

A canadense Serinda Swan, que faz 35 anos no dia 11, assistiu a uma autópsia e conversou com uma legista tão jovem quanto sua personagem. "Ela me contou como, no começo, era olhada de cima a baixo pelos detetives e policiais mais velhos, mas que chegava e mostrava que sabia o que estava fazendo", lembrou a atriz. "Acho incrível ser uma mulher nesse papel, porque precisamos de mais séries lideradas por mulheres."

Sendo escrita por uma mulher e tendo vários dos episódios dirigidos por mulheres, Coroner evita alguns clichês, como passar episódios e episódios mostrando como Jenny é boa no que faz. "É como na vida, com homens presumimos que são competentes, as mulheres têm de provar. Aqui, já supomos que ela é", disse Brebner. A série também tenta não explicar demais as atitudes da personagem. "É impulsiva, e em geral quando se trata de uma mulher é preciso detalhar para que ela não pareça louca ou incompetente - com os homens, tudo bem, se eles são impulsivos, são ousados. Ela faz coisas que não deveria! Mas não vamos explicar por que ela agiu daquela forma", continuou Mitchell. 

O objetivo, porém, não é levantar bandeiras. O elenco é bastante diverso, com um detetive veterano (Roger Cross), mais um legista negro (Lovell Adams-Gray), uma detetive de origem asiática (Alli Chung), e uma assistente de autópsias (Kiley May) indígena. Ross, o filho adolescente, é homossexual. "Mas isso não é uma questão na trama", explicou o ator Ehren Kassam. "Já está estabelecido, e é apenas uma das coisas que o personagem é."