Para salvar vidas 13/09/2018 21h48 Atualizado às 11h36

Santa-cruzense escreve livro sobre o suicídio

"Viver sempre, autoextermínio nunca" é obra de Cláudio Spengler

Foi após a visita a uma das filhas, radicada em San Antônio, nos Estados Unidos, que o empresário Claudio Spengler resolveu se alistar no exército voluntário de pessoas que lutam contra a doença considerada um dos principais problemas de saúde no planeta neste início de século 21: a depressão. “Lá eu conheci o trabalho de um grupo em que o meu genro participa, vinculado à Igreja Católica, que reúne pessoas que atuam de forma voluntária para ajudar quem sofre de depressão. Algo muito bem estruturado, com metodologia, acompanhamento clínico. Achei algo tão bonito e fantástico, que imediatamente veio a ideia de replicar isso aqui em Santa Cruz do Sul.”

Cláudio contou com o apoio de amigos da área da saúde para colocar a proposta em prática desde março deste ano, com uma reunião mensal. O nome Enxugando Lágrimas faz menção a uma parábola do Evangelho Segundo o Espiritismo, que trata da questão da humildade e da preocupação com o próximo.

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Porém, desde o segundo semestre do ano passado, antes mesmo de criar o grupo de apoio, ele já havia começado a estruturar um livro a respeito do tema, abordando de maneira direta a consequência mais devastadora da depressão: o suicídio. Em agosto deste ano, concretizou o projeto, que inclui uma compilação de conteúdos de outros autores, acrescido de um conto escrito por ele a respeito de um dos tantos cenários possíveis para o suicídio. Ao seu primeiro livro, deu o nome de Viver sempre, autoextermínio nunca.

“São páginas que trazem vários prismas sobre o tema, incluindo a visão científica da medicina e também o olhar a partir de seis obras do Espiritismo, do qual sou praticante”, afirma. Ressaltando que o livro ainda tem a participação dos médicos Fernando Godoy Pereira das Neves e Rafael Moreno Ferro de Araújo, além do presidente da Associação Espírita Francisco de Assis, Enio Medeiros.

A primeira edição, com uma tiragem de mil exemplares, está sendo distribuída a casas espíritas do Vale do Rio Pardo, que venderão a obra. O valor será destinado à manutenção dessas casas e de projetos sociais. Desde o início do mês, a publicação já circula por Santa Cruz do Sul, Vera Cruz, Candelária, Sobradinho, Encruzilhada do Sul, Rio Pardo e Pantano Grande. 

“Tenho ido nas cidades e a receptividade tem sido excelente. É uma proposta filantrópica. Eu recebi muito da vida, do mundo. Então o livro é algo que eu quero oferecer gratuitamente às pessoas do Vale do Rio Pardo, já que a nossa região tem o dobro da média estadual de suicídios. Com tanto conhecimento sobre o tema, não há como aceitarmos a perda de tantas vidas dessa maneira”, finaliza ele, ressaltando que caso seja necessário, serão impressos mais exemplares. 

Trecho do livro

"Chorando desesperadamente e tomado pela fúria, voltou ao quarto. Raquel dormia quando sentiu o primeiro soco de João. No que ela acordou atordoada, já teve os cabelos negros seguros pelo noivo. O lenço logo avermelhou-se do sangue que espirrava pelo nariz e escorria pela boca. Ele ainda a pegou pelo pescoço e, aos gritos e xingamentos, empurrou-a ao chão e começou a chutá-la. Raquel só chorava e clamava para que João parasse. Nisto, tirou a aliança do dedo anelar direito e a jogou sobre o rosto de Raquel. Sem falar nada, João saiu do quarto e, num rompante de raiva, tristeza profunda, foi até uma gaveta onde se encontrava o velho revólver de seu pai."