Mix 07/11/2018 22h23 Atualizado às 13h26

Filme sobre Freddie Mercury estreia em Santa Cruz

Bohemian Rhapsody está no Cine Max Shopping Germânia, com sessões às 19 e 21h15

Bryan Singer, diretor da franquia X-Men, é gay assumido, e mesmo que não fosse toda a indústria saberia disso por conta das denúncias contra ele no #MeToo. É fácil imaginar os motivos que o levaram ao longa sobre Freddie Mercury, Bohemian Rhapsody, que estreia hoje no Cine Max Shopping Germânia, com sessões às 19 e 21h15. Uma parte significativa do filme mostra o jovem Freddie, ainda ligado à mulher, Mary, saindo do armário. Ele descobre sua atração por homens – há uma cena de sexo a três no Rio – e revela para Mary que é bissexual, mas ela diz que não, e o força a se assumir como gay.

E, assim como Cinderela tem a madrasta, Freddie tem a bicha má, a cobra venenosa – Paul, o amante que, dispensado, vai para a TV contar os podres do ex. Tudo isso é para calar a boca dos que dizem que o filme não conta tudo sobre a sexualidade de Freddie. Talvez seja inexato, mas não por falta de informações.

Algumas das melhores cenas abordam o processo criativo do artista. Como ele misturou rock e ópera e criou a Bohemian Rhapsody. No fim, doente – soropositivo –, um fragilizado Freddie consegue o aval dos antigos parceiros (“Somos uma família!”) para que o Queen participe do megaconcerto Live Aid.

É o gran finale. Cada artista teve seus 20 minutos no palco e Singer recria o concerto inteiro, começando com Mother Love e terminando, na apoteose, com We Are The Champions. É um filme bonito, emotivo. Conflitos familiares, amores e amizades rompidos. Todo mundo trai todo mundo, mas, no limite, vence o afeto. Singer trabalha no registro da semelhança física. Os pais, o novo namorado, Mary, Brian May, John Deacon, Roger Meddows-Taylor, todo mundo é muito parecido. Rami Malek, o ator que faz Freddie, talvez seja mais franzino, mas entende e expressa o personagem que nasceu para brilhar.

 

Duas perguntas para Rami Malek

Mix – Freddie teve uma relação especial com Mary, mas ele também era abertamente gay. Como essa identidade foi importante para ele e sua performance?

Rami Malek – Freddie e Mary ficaram juntos por seis anos. Foi uma relação muito íntima. Ele chegou a pedi-la em casamento e logo depois saiu do armário. Acho que a fé e a confiança dela nesse relacionamento fizeram com que Freddie fosse capaz de se abrir de seu jeito e ser verdadeiro com quem era, de maneira muito bonita e profunda, mas não agressiva.

Mix – Foi difícil fazer as cenas na frente dos integrantes do Queen?

Rami Malek – Já foi difícil fazer na frente da equipe. Muitos deles têm idade suficiente para ter visto ou acompanhado. Daí ter Brian ou Roger vindo ao set, claro, foi um desafio. Mas fomos recebidos com tanto amor. Eles trabalharam muito para contar essa história. Eles foram muito calorosos e agradecidos. Tive chance de encontrá-los em Abbey Road antes. Houve um conforto. Não era que eles apareciam do nada no set para julgar minha performance.