TV/SÉRIES 04/01/2019 21h06 Atualizado às 15h00

Ano novo, novas séries e retornos

Uma das maiores promessas é Watchmen, sequência televisiva para os quadrinhos, que será a primeira série de super-heróis da HBO

O ano começa já com o retorno de True Detective, série que agora tem, em sua terceira temporada, o vencedor do Oscar Mahershala Ali (Moonlight) no elenco, a partir do dia 13 de janeiro na HBO. Já na Netflix, uma das primeiras grandes estreias é The Umbrella Academy, uma nova série de heróis baseada nos quadrinhos do cantor Gerard Way e do ilustrador brasileiro Gabriel Bá. A primeira temporada, com Ellen Page no elenco, tem estreia programada para 15 de fevereiro.

Outros lançamentos são muito aguardados durante o ano. A maior promessa é Watchmen, sequência televisiva para os quadrinhos, que será a primeira série de super-heróis da HBO, ainda sem data definida para estrear. Já na Netflix, vem por aí uma nova série de fantasia, The Witcher, baseada na obra literária do polonês Andrzej Sapkowski, que inspirou também uma série de jogos para videogames. Estrelada por Henry Cavill, o atual Superman dos cinemas, há rumores de que a produção já tenha sido renovada para várias temporadas, antes mesmo da estreia, ainda não estabelecida.

Na Amazon Prime Video, um dos destaques para 2019 é a estreia de Good Omens, comédia com David Tennant e Michael Sheen, baseada no livro de Neil Gaiman – autor também de outra obra que virou série e está no serviço de streaming, American Gods, que, aliás, está para retornar. A segunda temporada da produção, estrelada por Ian McShane e Ricky Whittle, chega à telinha em 11 de março no Brasil, com episódios disponibilizados semanalmente.

Mais retornos. Duas séries voltam às telas em 2019 para suas últimas temporadas, ambas na HBO. Game of Thrones, claro, que retorna em abril, estará em sua oitava e derradeira temporada. Já Veep, comédia premiada com Julia Louis-Dreyfus, vai estrear a sua sétima e também última temporada no canal. Ainda na HBO, a expectativa é grande para a segunda temporada de Big Little Lies, drama com Nicole Kidman e Reese Witherspoon. Os novos episódios vão contar com participação de Meryl Streep, que interpreta a mãe do personagem de Alexander Skarsgård.

Já na Netflix, o retorno mais aguardado é o de Stranger Things, para a terceira temporada, provavelmente durante o segundo semestre. No serviço de streaming, deve estrear ainda a segunda temporada de Justiceiro, série em parceria com a Marvel, que volta logo após o cancelamento de outras produções do mesmo universo.

Ainda no gigante de streaming, outra aguardada atração é a terceira temporada de The Crown, série sobre a atual família real britânica. Depois de duas temporadas estreladas por Claire Foy – que venceu, inclusive, o mais recente prêmio do Emmy –, a série dá um salto no tempo e agora contará com a atriz Olivia Colman no papel da rainha Elizabeth II. Apesar de mostrar um príncipe Charles mais velho, a nova temporada ainda não deve trazer, para o enredo, a princesa Diana.

Brasil I

No País, o grande investimento em séries locais por serviços de streaming como Netflix e Globoplay deve continuar. Este último, inclusive, anunciou a chegada em 2019 de uma temporada inédita de Sessão de Terapia, que deve contar com Selton Mello e Morena Baccarin no elenco.

Na HBO, a expectativa é para a estreia de Pico da Neblina, série de Fernando e Quico Meirelles, que aborda questões sociais numa situação imaginária em que a maconha foi legalizada no Brasil. O canal vai estrear ainda O Hóspede Americano, de Bruno Barreto, sobre a visita do presidente americano Theodore Roosevelt (Aidan Quinn) à Amazônia em 1913.

Foto: Divulgação

 

Grandes atores na TV

Ao longo do ano de 2019, além de Meryl Streep, Nicole Kidman e Reese Witherspoon em Big Little Lies, outros grandes nomes do cinema devem ser vistos também em telas menores. Nos EUA, o ator e comediante Chris Rock será uma das estrelas da quarta temporada de Fargo, enquanto a atriz australiana Cate Blanchett vai protagonizar a minissérie feminista Mrs America. Também em uma minissérie, para a HBO, a dama britânica Helen Mirren vai protagonizar Catherine the Great, sobre a monarca russa. E o ano terá ainda uma nova série da Net-flix, o The Umbrella Academy, que traz no elenco a atriz Ellen Page.

Foto: Divulgação

 

Brasil II

Um dos maiores destaques do streaming no Brasil em 2018 foi o início do lançamento de séries brasileiras originais e de séries estrangeiras exclusivas pelo Globoplay, da TV Globo. Antes utilizada apenas para reproduzir o conteúdo da TV aberta, a plataforma, que hoje já conta com cerca de 20 milhões de usuários, entre visitantes gratuitos e pagos, agora busca assinantes oferecendo séries como a brasileira original Ilha de Ferro e a americana, lançada com exclusividade no País, The Handmaid’s Tale.

Se não há canibalismo entre cinema e streaming, os próprios serviços de entretenimento online negam que haja também uma competição direta entre eles. O vice-presidente de conteúdo original internacional da Netflix, Erik Barmack, afirmou que não se preocupa com a grande inserção no mercado brasileiro da Globoplay, que só em 2019 promete exibir com exclusividade no País cem séries internacionais. “É uma ótima época para ser consumidor no Brasil”, disse. “Os consumidores querem ter escolha, ver os conteúdos onde quiserem e como quiserem.”

Para ele, é fundamental observar as mudanças no consumo de TV. “Nós vamos focar em nossas próprias produções e, com isso, vamos ser no futuro bem-sucedidos no Brasil, como já somos agora”, completou. “O que não significa que outros players, como a Globo, não possam ser bem- sucedidos ao mesmo tempo. E isso é ótimo para os brasileiros.”

Foto: Divulgação

 

Streaming cada vez mais em alta

Os serviços de entretenimento audiovisual via streaming nunca foram tão populares, é o que indica uma nova pesquisa da Ampere Analysis, publicada pela revista The Hollywood Reporter, sobre essa forma, ainda jovem, mas cada vez mais consolidada, de consumo de TV. Segundo o estudo, em 2019, o streaming deve superar o faturamento das bilheterias de cinema em todo o mundo.

Conforme o levantamento, o resultado é fruto de uma onda que vem se aproximando gradativamente. Em 2017, o streaming já havia ultrapassado as bilheterias nos EUA. Em 2018, o mesmo deve acontecer no Reino Unido. Para 2019, a previsão deve modificar, de vez, o cenário mundial do audiovisual que vem da China, segundo maior mercado para o cinema, outro a seguir a tendência.

O estudo não se aprofunda nas causas dessa mudança, mas um indicativo parece ser o alto custo dos ingressos de cinema. Nos países com os preços mais salgados, a Ampere Analysis detectou taxas mais baixas de ingressos comprados per capita. Na Escandinávia, onde a média é de 13 dólares por sessão, algo próximo de R$ 50,00 na cotação atual, o número de idas aos cinemas ficou abaixo de uma, por ano, para cada habitante.

Apesar de haver menos gente indo ao cinema em alguns países, não significa, no entanto, que os consumidores estão migrando para o streaming. Uma outra pesquisa, encomendada pela Associação Nacional de Proprietários de Cinema dos EUA, ou Nato, na sigla original, que foi publicada pela revista Variety, aponta que é improvável haver uma disputa direta entre as duas plataformas.

Realizada com cerca de 2,5 mil pessoas, a pesquisa verificou que os entrevistados que foram ao cinema mais de nove vezes nos últimos 12 meses consumiram mais conteúdo via streaming do que os entrevistados que foram apenas uma ou duas vezes no mesmo período de tempo. Foram 11 horas de conteúdo assistido semanalmente via streaming para os que vão nove ou mais vezes ao cinema, contra sete horas de conteúdo de streaming para os que vão uma ou duas vezes.

Foto: Divulgação

 

POR AQUI – No Brasil, as opiniões se dividem. Muitos usuários de streaming afirmam que não abrem mão de ver filmes na tela grande. “Com cinema, é diferente, nunca vou deixar de ir”, diz o produtor de eventos Eric Neumann. O editor de moda Franco Pellegrino concorda. “Continuo indo ao cinema, a experiência é outra”, diz ele, que tem tirado o tempo para consumir streaming de outras atividades de lazer. “Deixo de fazer outros programas para fazer maratonas de séries, por exemplo. Virou um hábito.”

A maior parte das produções inéditas e exclusivas dos principais serviços voltados diretamente para o streaming, como a Netflix e a Amazon Prime Video, é de séries de TV. Só no País, um estudo da Universal TV feito com mais de 41 milhões de pessoas mostra que atualmente 51% dos brasileiros costumam assistir a séries, seja por streaming ou TV convencional. Ainda segundo a mesma pesquisa, 54% dos brasileiros querem liberdade para assistir ao que quiserem em seu próprio tempo e em qualquer Device.