SÉRIE DE SUCESSO 12/04/2019 19h05 Atualizado às 19h41

Estreia da última temporada de Game of Thrones será neste domingo

Episódio vai ao ar às 22 horas

A espera chegou ao fim: a oitava e última temporada de Game of Thrones estreia neste domingo na HBO. Com apenas seis episódios (de duração maior do que a habitual), a série tem de amarrar os fios narrativos que foram abertos durante os últimos anos e carrega a difícil missão de agradar a fãs e críticos de uma produção que se tornou a maior da TV (de todos os tempos, é possível).

São 47 prêmios Emmy – o maior número para qualquer série roteirizada – e uma média de 30 milhões de espectadores apenas nos EUA, em todas as plataformas: no Brasil e em outros 170 países, a série também é exibida pelo HBO Go, o streaming da emissora. Isso tudo sem contar a pirataria: desde 2012 a série é a líder nos sites de torrent.

Desde o início, em 2011, a série construiu seu arco principal ao redor do Trono de Ferro – quem é o reclamante legítimo do mais alto cargo da nobreza de Westeros sempre foi (e continua sendo) uma questão em debate. Mas aos poucos o foco foi se movendo para além da Muralha, ao norte do continente: para os Caminhantes Brancos e seu enorme exército de mortos-vivos que se multiplica, se fortalece e se aproxima. A última cena que vimos da série foi a do Rei da Noite – o misterioso vilão cujas motivações ainda são completamente obscuras – montado em seu dragão de gelo, derrubando a Muralha que por milhares de anos protegeu os humanos. O que vai acontecer agora?

Os atores já sabem, mas os segredos de Thrones sempre foram bem guardados. Na coletiva de imprensa de divulgação da última temporada, em fevereiro, jornalistas tentaram arrancar informações, mas o treinamento de mídia é poderoso. “Pode parecer que somos preciosistas fazendo isso”, disse Liam Cunningham (Davos Seaworth). “Mas um dos aspectos da série são as enormes surpresas que aparecem na tela.”

Provocado sobre o fim de tudo, o ator norueguês Kristofer Hivju (Tormund Giantsbane) comentou que Thrones criou a possibilidade de estar aberto a qualquer desdobramento, depois de matar o protagonista antes do fim da primeira temporada. “A vida não é previsível. As coisas acontecem.

É uma forma brilhante criar um personagem e depois distribuir o amor que as pessoas nutriam por ele para seus herdeiros.” Rory McCann (Sandor Clegane, Cão de Caça) conta que a leitura final do roteiro com a equipe resultou numa ovação de dez minutos para os criadores David Benioff e D. B. Weiss. “Nem todo mundo vai ficar feliz, mas, adivinhem, quem escreveu foram eles”, provocou. Com humor, comentou: “Nunca mais vou estar numa produção assim. Minha carreira é ladeira abaixo (risos).”

Para Maisie Williams (Arya Stark), envolvida na série há dez anos, desde que tinha 11, porém, o futuro é uma promessa. “Depois que você passa a ser pago para fazer o que ama, há muita pressão. Às vezes, só é legal ser criativo de um jeito e se sentir vivo, e é assim que me sinto nos últimos seis meses.” Uma das intérpretes mais queridas por causa da insolência de Arya nas temporadas iniciais, Williams surpreendentemente diz se sentir uma atriz menos habilidosa agora.

“Vejo algumas coisas da temporada um e me pergunto como fiz aquilo. Eram emoções reais. Havia uma verdade e uma ingenuidade sobre o mundo, eu era aquela garota. Com o tempo a gente perde o espanto. No teste para o papel, eu tinha furos nos jeans. Agora uso roupas realmente caras (risos).” Game of Thrones mudou a vida de muitos: a esperança é que siga mudando após este domingo.

Foto: Divulgação

O Rei da Noite e seu dragão zumbi querem a morte do herói Jon Snow e, de quebra, o controle dos Sete Reinos a partir de Winterfell. Não que eles tenham muito interesse nessa coisa de vida burguesa, castelos aquecidos, vinho e comida boa. O exército dos mortos-vivos vai encarar a resistência de uma força notável, única na saga de gelo e fogo de George R. R. Martin.

Enfim, é o fim. Há vários palpites. Um deles sustenta que a disputa pelo Trono de Ferro será uma guerra entre mulheres – Daenerys, Sansa, Cersey, Arya... Outro acredita na morte de personagens populares, como Tyrion e Jaime Lannister ou mesmo Jon Snow. Não importa. O que conta é que, depois de oito anos, tudo mudou. Maisie Williams (Arya) tinha 11 anos quando a série estreou – hoje tem 21. De fato, o inverno está chegando.

ENTREVISTA

Há oito anos, quando Gwendoline Christie ficou sabendo da vaga para interpretar Brienne de Tarth em Game of Thrones, ela realmente lutou pela personagem. “Era o papel pelo qual esperei por toda a minha vida”, disse ela em Londres, na coletiva de imprensa da última temporada da série.

Magazine - O que você pensou quando leu que Brienne não era uma princesa nem uma prostituta ou outro padrão de personagem mulher, mas uma guerreira?

Gwendoline Christie - Fiquei encantada. Eu perguntava aos agentes se existiam papéis que não eram nenhuma dessas coisas e a resposta era “não”. Fiquei entusiasmada pela oportunidade de explorar esse tipo de personagem e descobrir algo por mim mesma. Havia semelhanças entre a personagem e eu, e isso foi assustador, mas também emocionante porque sabia que essa chance era raríssima. É difícil lutar por dez horas seguidas. A beleza de Game of Thrones é que as lutas são narrativas, cada gesto conta uma história. É um potencial enorme. Foram meses de treinamentos, esportes, lutas de espadas. Mesmo cortar meu cabelo foi algo gigante, porque era a máscara com que eu me escondia, que disfarçava as imperfeições do meu rosto, que alterava a proporção do meu corpo. Ajudava a me tornar feminina. E isso foi tirado de mim. Foi uma grande evolução pessoal encontrar a minha força, não mais me esconder e entender quem eu era.

Magazine - Há uma cena tocante de Arya (Maisie Williams) e Brienne na sétima temporada, com as duas treinando e indo até o limite de suas capacidades. Você acha representativo de como as mulheres são mostradas na série?

Christie- A cena não era uma luta, era um teste dos limites da capacidade de cada uma. Amo que foi uma relação que nasceu do respeito mútuo. Brienne sempre sentiu uma proteção em relação a Sansa (Sophie Turner) e Arya, mas também existe a ideia de que essas duas mulheres estão fora das normas da sociedade. É diferente fazer uma cena daquela. É um processo intelectual, mais do que físico e emocional. É na maior parte sobre descobrir uma a outra, e a emoção emerge daquilo. No fim, você vê o respeito brilhar na face de Brienne, espero. É importante ver isso numa série de TV mainstream.

Magazine - Brienne teve ligações viscerais com alguns personagens durante a série, e uma relação de humor com Tormund (Kristofer Hivju). Por quem ela pode se sentir atraída neste ano?

Christie - Daenerys (Emilia Clarke). É para onde meus pensamentos vão. É uma mulher extraordinária que decidiu ser líder e exibiu coragem em suas convicções, isso é muito atraente.

Magazine - E Tormund?

Christie - É louco, porque aquele momento (um olhar de Tormund para Brienne que virou sensação entre fãs) nunca esteve no roteiro. O que estava era “Tormund olha para Brienne”. Kristofer tinha ensaiado essa coisa por dias e no momento foi muito engraçado. Ele transforma o momento apenas com o olhar e basicamente rouba o foco de Brienne na cena (risos). Ele tem uma energia tão extraordinária que você também quer brincar. Foi natural responder de um jeito meio ríspido. Não podia acreditar que eles estavam permitindo aquilo. E aí a coisa se torna um meme.