Tecnologia 03/01/2020 09h07

Audiolivros caem no gosto dos leitores

Com o uso massificado de smartphones, a leitura “à moda antiga” acabou perdendo espaço e novas tecnologias foram conquistando a cabeça dos mais jovens

Visão e audição. Dois sentidos diferentes que se complementam perfeitamente. Um bom leitor também sabe ouvir, e vice-versa, pois consegue extrair das páginas os gritos de uma batalha ou as juras de amor de um casal apaixonado.

Com a vida cada vez mais corrida e, consequentemente, com o tempo mais curto do cotidiano, os livros vão ficando na estante e as histórias mofam por falta de uso. É claro que os leitores clássicos ainda apreciam o contato com as páginas e o cheiro de uma obra recém-saída do forno. No entanto, com o uso massificado de smartphones, a leitura “à moda antiga” acabou perdendo espaço e novas tecnologias foram conquistando a cabeça dos mais jovens.

Os audiolivros (livros gravados), por exemplo, hoje representam uma boa parcela de vendas nas editoras. No Brasil, o consumo aumentou bastante nos últimos anos, seguindo a tendência de um nicho de mercado norte-americano. Para se ter uma ideia, surgiram ainda na década de 80, sobretudo com títulos infantis, nas esquecidas fitas K7 e depois em CDs. Porém, nenhuma das ideias pegou muito bem.

Os audiobooks ressurgiram com força total nos anos 2000, na carona de diversos aplicativos e com a mão do marketing de grandes empresas, como a Amazon. Existem milhares de títulos disponíveis atualmente, alguns gravados com as vozes dos próprios escritores. Já imaginou ouvir O Iluminado sendo narrado pelo próprio autor, Stephen King?

Os especialistas destacam que tanto o formato impresso como o narrado em áudio têm espaço garantido, uma vez que o consumidor tem o direito de ler ou ouvir o que quiser no momento que melhor lhe convier.

Importante salientar que existem muitos sites com audiolivros grátis para deficientes visuais, sendo o da Fundação Dorina Nowill o maior. A grande maioria é cobrada, sobretudo os que respeitam direitos autorais.

“Qualquer hora, qualquer lugar”
A vida da jornalista Emanuelle Dal Ri, chefe de redação do jornal Gazeta da Serra, em Sobradinho, é bastante corrida. Trabalho, casa, faculdade, família… etc. Muitas vezes só dá tempo de ler à noite, pouco antes de dormir, ritual criado desde a adolescência para ter uma boa noite de sono.

A leitura de vários títulos, atrasada há tempos, seguia um ritmo lento. Mas ela achou uma solução: os audiolivros. Apaixonou-se desde a primeira obra: O Morro dos Ventos Uivantes, há seis anos. Hoje, acumula um acervo de mais de mil livros em áudio. E está sempre em busca de novos títulos. “Eu lembro da minha infância. Meus avós contavam histórias muito boas, e acho que isso me despertou para os livros em áudio. Estou quase sempre com um fone de ouvido, em volume adequado, claro.”

Emanuelle acumula um acervo de mais de mil livros em áudio