Pelo mundo 08/08/2020 20h39

Sérvia, berço da mente brilhante de Tesla

Acompanhe na próxima semana uma incrível viagem por Belgrado, com Aidir Parizzi Júnior

Pelas ruas de Belgrado, admiro a beleza clássica de algumas construções mais antigas, vestígios do passado austro-húngaro e otomano. Intercalam-se com tradicionais e imponentes monolitos de concreto do período comunista iugoslavo e algumas ruínas, construções bombardeadas pelos países da Otan no final dos anos 90. Desço do coletivo A1 na Praça Eslava, parada mais próxima de um dos meus principais objetivos nesta antiga capital da Iugoslávia, uma das cidades mais antigas da Europa e hoje capital da República Sérvia.

O Museu Tesla é relativamente pequeno, mas contém o essencial da vida desse cientista cujo nome se tornou hoje mais conhecido por meio de uma marca norte-americana de carros elétricos.

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Aidir Parizzi Júnior nas imediações do Museu Tesla, em Belgrado, capital da Sérvia

Nicola Tesla estudou em importantes universidades na Áustria e na República Tcheca, e logo sentiu que seu talento e sua criatividade não seriam reconhecidos na tradicional e cética sociedade científica europeia da época. Seguindo um conselho de seus colegas acadêmicos, o cientista de 28 anos partiu em 1884 para a pragmática e receptiva sociedade norte-americana do final do século 19.

Praticamente sem dinheiro e munido apenas de uma carta de apresentação, Nicola se apresentou ao famoso inventor Thomas Edison, que o contratou imediatamente. O carro-chefe da General Electric, recém-fundada por Edison, eram os dínamos de corrente contínua. O chefe logo o desafiou a encontrar um significativo aperfeiçoamento técnico em seus dínamos, prometendo a recompensa de um milhão de dólares caso ele tivesse sucesso.

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Nicola Tesla: atuou com Thomas Edison

Meses depois, Tesla apresentou sua proposta técnica de um dínamo extremamente mais eficiente, fato que foi imediatamente reconhecido pelo inventor da lâmpada elétrica, que o agradeceu efusivamente. No final do encontro, Tesla perguntou a Edison quando receberia seu milhão de dólares. Edison respondeu com outra pergunta: – Que milhão de dólares?

Apesar da decepção, Nicola seguiu trabalhando na General Electric e logo tentou convencer o chefe de que o futuro dos motores elétricos seria utilizando corrente alternada. Tesla viu sua teoria veementemente refutada, em mais um profundo dissabor com Edison. A traição econômica ele até perdoaria, mas aquele embuste técnico não poderia passar em branco. O sérvio demitiu-se de imediato.

Mais tarde, Nicola encontrou outro engenheiro e homem de negócios: George Westinghouse. A Westinghouse Corporation, maior rival da GE, comprou a ideia dos motores de corrente alternada. Estava iniciada a chamada guerra das correntes, vencida no final pelos sistemas de geração de energia elétrica e motores de indução de corrente alternada inventados por Tesla.

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Voltando ao museu, percorre-se em cinco pequenas salas a infância de Tesla na Sérvia, seus estudos e descobertas iniciais, um filme curto sobre sua vida e uma sala com experimentos vivos e réplicas de seus primeiros motores, além de outras invenções relacionadas à tecnologia de radares, raio-X, controle remoto, entre outros.

Com um desses motores, que nunca teve aplicação prática, Nicola resolveu o problema do ovo de Colombo. A solução foi apresentada durante a Feira Mundial de Chicago no final do século 19. Sobre o famoso Chicago Pier, construído especialmente para o evento, Tesla manteve um ovo metálico em pé, graças a um campo magnético rotativo.

Em seguida, em parte do museu, cada visitante recebe uma lâmpada fluorescente. Estamos agora diante de um transformador de 3 metros de altura que converte 220 volts em 500 mil volts. Além de gerar violento arco voltaico, o ar em redor torna-se ionizado. Atravessado de forma segura pela eletricidade de alta frequência, vejo a lâmpada acender-se em minha mão.

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Transformador de 3 metros de altura
Esfera com as cinzas do brilhante cientista

Nessa mesma sala está uma pequena miniatura de um barco, comandado pelo primeiro controle remoto. A invenção de Tesla deixou as pessoas muito impressionadas na época. Muitos insistiam que certamente haveria um pequeno macaco escondido no barquinho, treinado para conduzi-lo.

No centro de uma sala escura do museu, uma urna esférica dourada sobre um pedestal guarda as cinzas do brilhante Nicola Tesla.

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