Jovem Guarda 08/11/2020 14h44 Atualizado às 14h25

Cantora Vanusa morre aos 73 anos

Ao longo da carreira, artista gravou 23 discos e vendeu mais de três milhões de cópias

A cantora Vanusa faleceu na madrugada deste domingo, 8, na casa de repouso em Santos (SP), onde estava morando há mais de 2 anos. Por meio de nota, a assessoria de imprensa da artista disse que um enfermeiro percebeu que Vanusa estava sem batimentos cardíacos por volta das 5h30 da manhã.

Imediatamente chamaram uma unidade móvel de pronto atendimento, que constatou insuficiência respiratória como a causa da morte. Segundo a assessoria, Vanusa “ontem teve um dia muito feliz com a visita da Amanda, a filha mais velha. Cantou, brincou, riu, se alimentou bem”.

Nos últimos anos, a cantora teve depressão e ficou muito debilitada devido a problemas gerados pelo uso de medicamentos controlados em excesso. De agosto a setembro deste ano, esteve internada no Complexo Hospitalar dos Estivadores.

Vanusa e o filho Rafael Vannucci
Na foto, Vanusa está com o filho caçula, Rafael Vannucci | Foto: Arquivo pessoal

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Carreira

Vanusa Santos Flores nasceu em 22 de agosto de 1947, na cidade de Cruzeiro, estado de São Paulo, sendo criada nas cidades mineiras de Uberaba e Frutal. Aos 16 anos, tornou-se vocalista do conjunto Golden Lions. Em uma das apresentações foi ouvida por Sidney Carvalho, da agência de propaganda Prosperi, Magaldi & Maia, que a convidou para ir a São Paulo. 

Em 1966, durante os últimos anos do movimento cultural Jovem Guarda, apresentou-se no programa O Bom, de Eduardo Araújo, na extinta TV Excelsior de São Paulo. Logo, foi contratada pela RCA Victor e ganhou êxito com a canção Pra Nunca Mais Chorar (Eduardo Araújo e Carlos Imperial). O sucesso a fez participar do programa Jovem Guarda, da TV Record, em suas duas últimas edições. 

Em 1968, gravou o primeiro álbum, estreando ainda como compositora em três canções, uma delas em parceria com David Miranda. Cinco anos depois, em seu quarto LP, já como contratada da gravadora Continental, lançou seu maior sucesso: Manhãs de Setembro, composta em parceria com Mário Campanha.

Em 1975, lançou outro hit: Paralelas, uma composição de Belchior. Em 1977, protagonizou ao lado de Ronnie Von a telenovela Cinderela 77, da Rede Tupi

“Eu quero sair
Eu quero falar
Eu quero ensinar o vizinho a cantar
Nas manhãs de setembro”

(Trecho da música Manhãs de Setembro)

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Ao longo de sua carreira, gravou 23 discos e vendeu mais de três milhões de cópias. Representou o país em vários festivais internacionais e recebeu cerca de 200 prêmios. Por dois anos seguidos foi eleita a Rainha da Televisão.  

“Na verdade o que eu quero é impossível
O que eu quero é perfeito demais
Não existe um amor tão sublime
Por entre os mortais”

(Trecho da música Paralelas)

Em 1997, publicou sua autobiografia: Vanusa – A Vida Não Pode Ser Só Isso!, pela editora Saraiva. Em 2005, participou de vários concertos comemorativos aos 40 anos da Jovem Guarda. 

Em 1999, depois de cinco anos sem gravar e apresentando-se apenas eventualmente, Vanusa estreou no Teatro Santa Catarina (São Paulo, SP), o musical Ninguém é Loira por Acaso, escrito e produzido pela jornalista Léa Penteado de quem é amiga desde os anos 70.

No musical autobiográfico, além dos seus sucessos, ela estimula as mulheres a não abdicar dos seus sonhos. “Eu mesma estou realizando um, que é o de ser atriz”, comenta Vanusa que atuou em Hair, em 1973, quando ouviu do diretor, Altair Lima, que nunca mais deveria deixar o teatro.

Em 2015, lançou seu primeiro álbum de canções inéditas em 20 anos: Vanusa Santos Flores, produzido por Zeca Baleiro. A cantora foi casada duas vezes: com o músico Antônio Marcos com quem teve as filhas Amanda e Aretha, e com o ator e diretor de televisão Augusto César Vannucci, pai do seu filho Rafael Vannucci.

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