NO PARQUE DA GRUTA 14/01/2021 08h48

VÍDEO: doutorando grava projeto audiovisual em Santa Cruz

Videodança foi produzida durante a pandemia e idealizada pelo ator santa-cruzense Guilherme Conrad

O Parque da Gruta, em Santa Cruz do Sul, foi palco para uma gravação de videodança. O projeto audiovisual foi gravado em agosto de 2020, durante o distanciamento causado pela pandemia. A obra chamada Corpo Confinado reflete sobre o corpo nos tempos de isolamento social, utilizando a caverna como uma metáfora para o confinamento. O trabalho foi contemplado e realizado com financiamento do Pró-Cultura RS – Fundo de Apoio à Cultura, por meio do edital 01/2020 FAC DIGITAL RS.

O vídeo foi idealizado por Guilherme Conrad. O artista de 25 anos nasceu em Santa Cruz do Sul e reside atualmente em Porto Alegre. Ator formado em Interpretação Teatral pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e mestre pelo Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da mesma universidade, ele atualmente é doutorando no programa.

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A ideia de produzir um projeto audiovisual surgiu como uma reflexão sobre a pandemia e a situação do corpo em confinamento, de acordo com Guilherme. “O corpo, antes livre para transitar entre um lugar e outro, se encontra agora isolado, reduzido, duro, reto, quadrado, mecânico, muitas vezes em um espaço tão limitado que impossibilita uma prática dinâmica. Como sou um ator que coloca a expressão corporal como protagonista nos meus trabalhos, senti muita falta dos treinamentos diários em sala de ensaio e todos os aspectos que constituem o meu ofício”, conta.

Como todos os profissionais da cultura e da arte, Guilherme foi prejudicado pelo período e acabou contemplado pelo edital que patrocinou, de forma emergencial, os projetos com conteúdo digital. “Em uma era onde a tecnologia se torna mais presente, a linguagem híbrida da videodança se mostra pertinente ao aliar uma composição de dança ao audiovisual, onde o vídeo deixa de ser apenas um meio de registro e passa a ser parte componente de uma criação”, explica. “Assim, o olhar do espectador é convidado a fazer parte do movimento, o que possibilita a criação de um estado de presença mesmo na virtualidade das mídias digitais.” Esta foi a primeira vez que o artista trabalhou com a videodança.

Relacionando o isolamento da pandemia com a experiência dos iogues em reclusão nas montanhas do Himalaia, o ator esboçou a coreografia e o conceito do vídeo, fazendo alusão aos rituais de caça ancestrais que incluíam atuação com máscaras, dança, acrobacia e pinturas rupestres. “Como cresci em Santa Cruz do Sul, lembrei do espaço da caverna no Parque da Gruta, um lugar aparentemente inóspito e enclausurante, mas ao mesmo tempo instigante e mágico, e que já abrigou grandes animais. Desta forma, acreditei que a gruta funcionaria muito bem poeticamente como cenário desta metáfora do confinamento.”

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Trabalho respeitou o distanciamento social
Com autorização da Secretaria de Desenvolvimento Regional e Turismo, a gravação foi realizada nos dias 23 e 24 de agosto, contando somente com a presença do intérprete e respeitando as medidas de distanciamento social. Com concepção e interpretação de Guilherme Conrad, o projeto contou com direção geral de Alexandre Dill e direção audiovisual de Gabriel Pontes. Todos são integrando do GRUPOJOGO, de experimentação cênica, um grupo de teatro de Porto Alegre que desenvolve há 13 anos produção e pesquisa em artes cênicas. A captação de imagens foi realizada com uso de smartphone e o processo de edição e pós-produção das imagens levou cerca de um mês.

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Saiba mais
Corpo Confinado é uma videodança que reflete sobre o movimento em tempos de confinamento. O mundo todo se assemelha aos iogues em reclusão nas grutas de montanhas do Himalaia, que voluntariamente escolhem parar por um momento e voltarem-se para si. O olhar para o interior se torna um exílio, onde o próprio corpo alimenta um desejo de mover-se em potência que torna os impulsos mais fortes e prontos para o mundo exterior. Como o corpo experimenta a liberdade do movimento após ter vivenciado um momento de aparente privação? Nesta obra audiovisual, presenciamos um dançarino indagar estas questões em uma coreografia acrobática no interior de uma caverna, como um homem primitivo que dança ritualisticamente preparando-se para uma iminente batalha.

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