Objetiva Mente 15/05/2018 00h31 Atualizado às 09h32

Mãe é fundamental

Infelizmente ainda temos muitas mães expostas a ambientes miseráveis não só em termos socioeconômicos, mas afetivos também

Não tenho dúvida que para o humano em termos evolutivos existe um divisor de águas para desenvolver o potencial genético máximo: ter uma mãe suficientemente boa. Ter uma mãe competente é meio caminho andado para ter uma vida plena em termos de saúde mental.

As mães são o que de mais importante um filhote humano precisa para seu desenvolvimento. E isso começa na gestação. Ao saber da gravidez, começam as privações, os cuidados, as angústias e dúvidas acerca do que as espera. Para nós, pais, fica uma tarefa: facilitar ao máximo a vida da mãe. Era assim na época das cavernas e deve ser assim ainda hoje.

Ser uma mãe suficientemente boa não é fácil. Até porque infelizmente, nem toda mãe teve uma boa mãe. Muitas tiveram que superar ausências e modelos indesejados de maternidade para fazer seu melhor. No meu trabalho, sempre fico comovido e feliz de ver mães superarem seus modelos e limitações para prover o melhor ambiente possível para seu filhote.

Nas últimas décadas as mulheres vêm tendo um acúmulo de funções inexistente até a metade de século passado. Durante milhares de anos, a principal atividade da mulher era preservar a espécie através da maternidade. O preço que as mulheres pagam hoje é “bater o escanteio” e ir para a área “cabecear”. Talvez por isso muitas mulheres têm aberto mão de ter filhos para explorarem outras possibilidades de vida.

Um ambiente propício para a mãe e seus filhotes deveria ser prioridade para qualquer sociedade. Esse seria o verdadeiro investimento para um futuro melhor. Infelizmente ainda temos muitas mães expostas a ambientes miseráveis não só em termos socioeconômicos, mas afetivos também. Mães desassistidas pelas suas famílias e cônjuges, esquecidas pelo Estado que falha em prover bem-estar social e serviços públicos.

Mães suficientemente boas criam um ambiente propício, mesmo em circunstâncias nem sempre favoráveis, para que o cérebro se desenvolva próximo ao máximo do geneticamente programado, ajudando a desenvolver confiança básica para o filho enfrentar o mundo, e buscam dar um modelo familiar adequado para estruturação da personalidade. Assim fica mais possível reproduzir esse modelo quando tivermos os nossos próprios filhotes. A ciência explica que uma boa maternagem passa de geração em geração. Com mães assim, tudo fica mais fácil.

Parabéns a todas as mães. Sei que todas, sem exceção, fazem tudo que podem. Acredito que a sociedade deve tentar fazer de tudo para que tenhamos mães cada vez melhores. E podemos começar por cuidar mais das atuais e futuras mamães.