Memória 18/09/2017 09h12

Chega a Varig (II)

Pessoas de posses viajavam a Porto Alegre em avião da Varig

Foto: Arquivo de Luiz Kuhn

Junkers F-13 fazia a linha para Porto Alegre. No fundo, abrigo para passageiros
Junkers F-13 fazia a linha para Porto Alegre. No fundo, abrigo para passageiros

Na coluna anterior, lembramos que a antiga Viação Aérea Rio-grandense (Varig), no seu início, manteve estreita relação com Santa Cruz do Sul. Em fevereiro de 1931, inaugurou uma linha regular entre Porto Alegre, Santa Cruz e Santa Maria.

A pista de pouso e decolagem ficava no campo da aviação, onde hoje é a Metalúrgica Mor. Uma casinha de madeira dava abrigo aos passageiros. O agente da Varig era o comerciante Guilherme Kuhn.

As viagens eram com o Junkers F-13, batizado de Santa Cruz, para cinco passageiros. Pessoas de posses iam à Capital de avião. 

As aeronaves atingiam 140 km por hora, voavam baixo e havia muita turbulência. Os voos eram visuais e os pilotos seguiam referências do solo, como vilas, igrejas, casas, estradas, rios, lagos e até animais no pasto. 

Quando chovia, o voo era quase às cegas e o piloto orientava-se pela bússola. Diariamente, Kuhn telefonava para a companhia informando a direção dos ventos e as condições do tempo na região.

O fundador da Varig, o alemão Otto Mayer, e outros membros da direção possuíam amigos e familiares na cidade. O santa-cruzense Harry Schuetz, que foi funcionário, vice-presidente e presidente, era irmão das senhora Nelly Frantz, esposa de Francisco J. Frantz (fundador da Gazeta do Sul), e de Wally Heller, esposa de Oscar Heller.

Em 1941, quando o Brasil entrou na guerra contra a Alemanha, Meyer renunciou à presidência. As dificuldades imposta pela 2ª Guerra Mundial levaram a Varig a desativar a maioria das linhas estaduais.


Mesmo com turbulência, voos eram muito procurados | Foto: Arquivo de Luiz Kuhn