Memória 04/03/2018 22h42 Atualizado às 06h52

Louco ou visionário: quem planejou as primeiras ruas de Santa Cruz?

Militar da Marinha foi responsável pelo primeiro planejamento da cidade

Foto: Divulgação

No momento em que Santa Cruz do Sul estuda seu Plano de Mobilidade Urbana para os próximos 20 anos, buscamos informações sobre o planejamento das primeiras ruas e quadras centrais da cidade. Elas foram demarcadas em 1854 pelo capitão-tenente Francisco Cândido de Castro Menezes, que era oficial da Marinha.

Em artigo publicado na Gazeta do Sul em 1973, o articulista Vinícius Haeser elogiou o primeiro planejamento de Santa Cruz e questionou se o militar era visionário ou louco. Por que criou ruas e calçadas largas se em 1854 não havia automóveis e os pedestres, carroceiros e cavaleiros eram raros? Será que imaginou como seria a cidade no futuro?

Menezes foi convidado pelo presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, João Lins Cansansão de Sinimbu, para demarcar a povoação. O trabalho começou em 4 de novembro de 1854 e, em março de 1855, estava concluído. Ele contou com o apoio do ajudante José Teixeira Lima e do engenheiro Frederico Heydtmann.

Inicialmente, foram demarcadas 23 quadras e duas praças, no miolo entre as atuais ruas Senador Pinheiro Machado e Borges de Medeiros, e Thomaz Flores e Ernesto Alves. As oito quadras que ficavam em volta da Praça de Dom Pedro (hoje Getúlio Vargas) foram as primeiras ocupadas.

Cada quarteirão tinha 132 metros de face. As ruas cruzavam-se em ângulo reto, no sentido leste-oeste, com 22 metros de largura. Decorridos 164 anos, as ruas e calçadas suportam o fluxo de veículos e pedestres. A simetria do Centro é elogiada por todos.

O militar também definiu a área onde hoje estão a Catedral e a Praça Getúlio Vargas. A segunda praça (Dona Teresa Cristina) ficaria na esquina da Rua Tenente Coronel Brito com a Júlio de Castilhos, mas a área acabou loteada. Em seu lugar, foi criada a Praça da Bandeira.

Na atual Rua Júlio de Castilhos (onde está a Caixa Federal) ficavam os terrenos destinados aos prédios públicos, como governo municipal, Justiça e segurança. Com a expansão da cidade, algumas regiões acabaram perdendo a simetria.