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Acostumada com uma rotina agitadapelos afazeres domésticos,a dona de casa Nancy Lau, 50anos, tem experimentado dias menostumultuados nos últimos seis meses.Omotivo não é a contratação de umaempregada ou a vontade de dedicarmais tempo ao lazer.Com os movimentos do braço direitolimitados, Nancy sofre de bursitenoombro, uma inflamação na bursa(bolsa de líquido situada entre áreasdeatrito). A dor começou há meio anoe interferiu nas suas atividades. “Nãoconseguia varrer, pendurar roupasnovaral nem limpar a janela”, conta.Impossibilitada de executar suastarefas diárias, Nancy concentrou osmovimentos no braço esquerdo, o quepiorou sua situação. O tratamento com analgésicos foi insuficiente.Agora, ela recupera amobilidade aos poucoscom sessões de fisioterapia.“Além disso, procuromexer o braço direito dentrodas minhas possibilidades,e não deixá-lo congelado”,complementa.A bursite do ombro,como a de Nancy, é a maisconhecida. Porém, a inflamaçãotambém pode acometer os pés(joanete, dedos e calcanhares), cotovelo,quadril e joelho, já que a bursa localizaseentre os tendões e os ossos, articulaçõesou outras estruturas como a pelee músculos. “A bursite pode resultardo uso excessivo de uma articulaçãode maneira crônica, de feridas, traumatismosprévios, gota, pseudogota,artrite reumatóide ou infecções”, dizo médico traumatologista CristianJandrey Borges.Além da dor e da limitaçãodos movimentos,outros sintomas variamde acordo com área afetada.“A zona inflamadadói quando se move ou setoca. A pele por cima dasbolsas localizadas muitoperto da superfície (comoperto do joelho e do cotovelo)pode tornar-se avermelhadae inflama. A bursite aguda,causada por uma infecção ou pela gota,é particularmente dolorosa. A zonaafetada torna-se avermelhada e ao tocarmosa pele sentimos calor”, explica.Para diagnosticar o problema, alémda anamnese (conversa com o paciente)e o exame físico, é interessante complementarcom um raio X, ultrassonografiae ressonância magnética, que ajudam adiferenciar a bursite de outras doenças.
Cuidados desde o começo
Buscar tratamento logo no início dossintomas é fundamental para evitar complicações,como a bursite crônica, queaumenta a sensibilidade do local afetado.inchaço e aumento de volume tambémsão comuns pois as paredes da bolsa espessam-se e pode depositar-se nelas umasubstância anormal com aglomerados decálcio sólido, com aspecto de gesso. Podeocorrer fraqueza com atrofia muscular,barulho (crepitação) e limitação de movimento,”aponta Cristian Borges. Ele aindaalerta para os problemas relacionados àbursite, como a tendinite, síndrome doimpacto, ruptura do manguito rotador,artropatia do manguito rotador, tendinitecalcária do ombro, artrose acromio-claviculare capsulite adesiva.Segundo a fisioterapeuta Daniela Antônio,o tratamento é realizado por etapas. Nafase inicial, os atendimentos visam diminuira inflamação e a dor com crioterapia, eletroterapia,massoterapia, entre outros. Após,são priorizados os exercícios para o pacienterecuperar a força muscular e os movimentosda articulação. Também fisioterapeuta,Clóvis Koppe Júnior aponta a importânciada prevenção, com a prática de atividadefísica contínua para manter a musculaturafortalecida e alongada. “A dica é realizarexercícios para fortalecer a musculaturaao redor da articulação mais utilizada. Umjogador de vôlei, por exemplo, deve fortalcere alongar a região dos ombros”, sugere.
DICAS
Quem já passou por umtratamento de bursite não estálivre de voltar a sofrer com oproblema. Tanto os pacientesrecém-curados quanto quemnunca teve a inflamação devemter cuidados para evitar osurgimento da doença:
• Usar calçados maciosque não apertem os pés
• Praticar boa postura
• Realizar aquecimento ealongamento antes dasatividades físicas
• Fazer exercícios parafortalecer a musculatura aoredor da articulação
• Fazer paradas frequentes aorealizar atividades repetitivas
• Começar exercícios físicoslentamente e aumentar ademanda gradualmente