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A vida que Leandro Xavier, 39 anos, está conseguindo recomeçar ainda é um sonho para muitos dependentes químicos. Há um ano e um mês, tempo contado diariamente no calendário, o santa-cruzense está livre do crack. Em uma visita ao município na manhã dessa sexta-feira, o Ministério da Saúde reconheceu a necessidade de ampliar o atendimento aos usuários de drogas e reorganizar a distribuição de leitos para desintoxicação no Estado.
Durante o encontro com o secretário de Saúde do Santa Cruz do Sul, Edison Rabuske, a apoiadora temática para a Rede Psicossocial, Milena Pacheco, apresentou as metas do programa do governo federal, Crack, é possível vencer. Por meio da liberação de recursos, a União pretende ampliar a capacidade de tratamento dos dependentes químicos. “Queremos estar mais próximos e ver quais são as possibilidades para qualificar os municípios nesse aspecto”, explicou a técnica. Para Rabuske, essa aproximação com o governo federal representa a possibilidade de conseguir mais recursos para investir na área. “É muito importante o Ministério saber da nossa realidade, conhecer o que já fizemos e as carências que temos”, afirmou.
Uma das propostas apresentadas foi a ampliação do serviço do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD). No novo modelo, o espaço, que funciona na Rua Borges de Medeiros, no Centro da cidade, teria atendimento 24 horas. O objetivo é fazer com que os dependentes possam contar com o Caps AD também durante a noite e nos finais de semana. “Esse é o período em que os usuários necessitam de maior cuidado. Queremos potencializar o que o Caps já faz”, esclarece o secretário Rabuske.
No período da noite o Caps AD receberia somente os pacientes que já estão vinculados ao local. Novos casos devem ser atendidos inicialmente no setor de urgência e emergência. Para ampliar o serviço, o centro precisará de novos profissionais e de um espaço para abrigar, no mínimo, oito leitos.
Vida nova
Aos 39 anos, Leandro Xavier espera recomeçar uma nova vida. O vício das drogas fez o santa-cruzense perder a família, a casa e o emprego. “Eu tinha mulher e três filhos. Mas eles não aguentaram conviver comigo assim”, lembra. Quando foi internado, no início do ano passado, pesava apenas 49 quilos. Hoje, ele mora em um albergue e sonha conseguir comprar uma casa. Mas para ele, cada dia longe do crack já é um motivo para comemorar. “O que me fez vencer foi a vontade de mudar de vida. A droga é só sofrimento”, diz.
Unidade de acolhimento
Outra novidade no atendimento aos usuários de drogas, que pode ser instalada em Santa Cruz do Sul por meio de recursos federais, é a construção de uma unidade de acolhimento. Nesse espaço, onde seriam disponibilizados 10 leitos para adolescentes e 15 vagas para adultos, os usuários poderiam ficar entre três a seis meses, com acompanhamento dos profissionais do Caps AD. No espaço seriam desenvolvidas oficinas e grupos de apoio.
Com essa iniciativa, o Ministério da Saúde pretende reduzir o número de tratamentos de desintoxicação em casas de saúde. “Em muitos casos as internações são uma porta giratória. O dependente sai do hospital e volta para casa. Isso faz com que, muitas vezes, ele recaia no vício e precise de uma nova internação. Um serviço isolado não tem resultados se não tiver uma rede de apoio”, explica a técnica Milena Pacheco.