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Edição de - Geral
Ecologia e o novo homem

Desde o século XVIII, época do iluminismo e da Revolução industrial, fora construída uma visão de mundo que distanciava o homem da natureza. A ideia era de que a civilização e o progresso advinham, justamente, do domínio do homem sobre a natureza. Conhecer e controlar a natureza caracterizava essa postura antropocêntrica. Apostava-se claramente na infinitude dos recursos naturais. O mundo era percebido, de fato, como infinito, ao contrário da finitude da existência humana. Esse mundo que já estava aqui quando chegamos continuaria infinitamente depois que partíssemos. A religião, assim como a prole, eram as formas possíveis de adquirirmos nossa infinitude. O homem era centrado claramente num pensamento humanista que regia as filosofias políticas.

O que temos hoje é um fraquejar desse humanismo, uma percepção inglória de que os homens excedem, mas a natureza falta. Não é de estranhar que sempre que se toca no assunto crescimento populacional – recentemente chegamos a 7 bilhões no planeta – lançamos mão do chamado neomalthusianismo, passamos a defender ideias simplórias baseadas na contenção da natalidade ou, o que é infame, passamos a ver o aniquilamento de populações pela fome como algo de certa forma natural ou que não nos diz respeito. Afinal de contas, se consideramos que triunfamos sobre a carestia e construímos uma civilização do consumo que nos afaga o ego, resultado do proselitismo das capacidades individuais, meritocráticas e individualistas, sabemos que essas conquistas não podem ser para todos. Quando se diz que o excedente populacional é um dos maiores problemas que enfrentamos temos uma resposta pronta e confortante: o excedente é de pobres. Eles sim são os irresponsáveis que proliferam e colocam em risco a vida no planeta. É importante lembrar alguns dados. O continente africano, o mais precarizado do planeta, responde por apenas 4% das emissões de gases causadores do efeito estufa. O hemisfério norte responde por 65% do total das emissões e tem 20% da população mundial. As demais regiões, que possuem 80% da população planetária, respondem por 35%. Feitos os cálculos, não há por que negar que há excedente populacional no planeta, mas podemos inferir que esse excedente é da população de ricos.

Não podemos centralizar essa discussão, no entanto, somente sobre o mundo ocidental. A expansão dos emergentes asiáticos e do Oriente Médio nos coloca novos problemas. Sessenta por cento do cimento consumido no mundo hoje é utilizado na China. O aumento das emissões de gases é notável.

Essa é uma discussão global e precisa ser encarada para além das diferenças culturais e sim a partir da condição humana. O mal-estar em relação ao futuro da humanidade se tornou uma espécie de ethos civilizatório e é por isso que temos a “obrigação” de estabelecer um novo contrato social, que é profundamente original, baseado no princípio dos direitos das gerações futuras.

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