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Foi em 22 de fevereiro que Milena começou a mudar. Mesmo que ela ainda não entenda plenamente o significado da palavra “mudança”. Com deficiência motora e dificuldade na fala, Milena Henn, de 5 anos, agora já dança, sorri, esforça-se para fazer a mesma coreografia dos colegas e repete cada letra que sua educadora pronuncia. Mas os sorrisos na Escola Municipal Guilherme Hildebrand, do Bairro Progresso, de Santa Cruz do Sul, não são motivados somente pela evolução de Milena.
Outras 20 crianças, assim como seus pais, estão satisfeitas porque, com o turno integral, os pequenos são recebidos pela manhã e ficam até o final da tarde. É o período em que eles participam de várias atividades.
INTEGRAL – Em uma sala com mesas e cadeiras coloridas, Jaqueline dos Santos, também de 5 anos, tira as luvas. Com as mãos livres, folheia os livros infantis e identifica as figuras. Milena e Erick Pereira fazem a mesma coisa.
Depois chega a hora de ver filmes. E Gabriel da Silva aponta para seu desenho preferido: o do Homem-Aranha. Na hora da música, a educadora Márcia Regina Melchior liga o som e Arthur Spies é o que canta mais alto a música que ensaiam para o Dia das Mães. Depois chega a hora do lanche. E Yasmin de Souza Baierle mostra-se feliz porque a tia Beti, como eles chamam, pôs à mesa maçã, banana, goiaba e pão recheado de doce de leite. Ao lado de Yasmin, o garoto Bruno Borges observa os pratos e nem sabe o que escolher.
Arthur levanta-se da cadeira, corre para o espelho gigante e arruma o cabelo. Mostra-se vaidoso
e compara-se ao jogador Neymar. Os demais também procuram o espelho e sorriem. É essa atitude que mostra o principal resultado por estarem mais tempo na escola: eles se veem, sabem que são vistos e, especialmente, bem assistidos. Por enquanto são só 20 crianças beneficiadas. Mas o sonho da diretora Guiomar Rossini Machado é de atender muito mais.