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04/02/2012 - 11h08

Quando o Carnaval era simples e divertido

Veteranos lembram dos tempos em que os desfiles eram melhor sucedidos
Foto: Sabrina Rodrigues/ Portal Gaz

 

Quem acompanha a morosidade e o transtorno que, a cada ano, rodeiam a realização do Carnaval em Santa Cruz do Sul, pode até duvidar que, em certa época, a folia já foi muito mais presente no cotidiano da cidade – e sem causar tanta dor de cabeça. Os que viveram o período áureo dos desfiles de rua concordam: embora se alegue carência de apoio da iniciativa privada e poder público, o que falta hoje é um regulamento adequado à realidade do município e mais participação das pessoas.

Figura conhecida nas passarelas, Adão Pedroso dedicou a maior parte de seus 63 anos ao Carnaval. No começo dos anos 70, porém, quando passou a liderar equipes na antiga Vagalumes do Amor (atualmente Acadêmicos do União, da qual ainda é presidente), jamais imaginava que tudo se tornaria tão complicado como é hoje. Naquele tempo, os desfiles ocorriam na Rua Marechal Floriano, todos os participantes usavam a mesma fantasia e as alegorias, quando existiam, eram modestas. Não havia tema e as músicas não eram originais, e sim sambas ou marchinhas do momento, retiradas dos rádios.

O espetáculo era marcado tanto pela simplicidade quanto pelo entusiasmo e esforço. O número de integrantes dos desfiles dificilmente passava de cem pessoas – às vezes, bem menos – e cada um era responsável por custear seu próprio figurino. A participação da Prefeitura se resumia em oferecer o troféu para o grupo vencedor. “Era bem mais fácil de fazer. O pessoal gostava mesmo de Carnaval. Famílias inteiras trabalhavam muito e sem cobrar nada. Hoje, existe cachê para tudo e as escolas não dão conta”, recorda Pedroso.

Falta dedicação, lembram veteranos

Diferente de hoje, na metade do século passado o Carnaval agregava tanto as comunidades dos bairros quanto as do Centro – tanto que clubes como Ginástica, Aliança e Corinthians tinham suas próprias baterias. Outro destaque da época era a mobilização das escolas para arrecadar fundos para os desfiles – o que, hoje, ainda existe, mas de forma muito menos eficaz. Durante alguns anos, o União foi conhecida pelo Bumba-Meu-Boi, quando levavam a bateria para um giro pelas ruas do Centro, com personagens recolhendo doações dos pedestres. Aos domingos, havia os saraus com música ao vivo. Sem falar na coleta de ossos e vidro para venda. Em outra ocasião, mais tarde, as escolas montaram ponto dentro da Oktoberfest, onde vendiam lanches e chope e promoviam rodas de samba e pagode.

De acordo com Maria Helena Barbosa, 69 anos, outra veterana do União e hoje integrante da Academia de Samba Bom Jesus, a entrega dos participantes era determinante. Os membros percorriam outros municípios à caça de materiais mais baratos.  “Os desfiles eram maravilhosos, se gastava pouco e funcionava muito bem. Vinha para assistir gente de Venâncio, Butiá, Lajeado. Hoje, se paga para a harmonia, para ensaiador, para as roupas. Com os R$ 25 mil que tanto falam, não é possível montar um bom desfile nos moldes atuais”, avalia.

Na opinião de ambos, as escolas se perderam na medida em que, a partir da segunda metade dos anos 90, passaram a buscar um nível de estrutura que está além das suas capacidades, passando a depender de auxílios externos. Isso se somou à natural evolução dos preços no mercado, que tornam os desfiles cada vez mais dispendiosos. De lá para cá, pelo menos quatro escolas fecharam as portas. Outras tentam sobreviver em meio a muitas dificuldades, como é o caso da Bom Jesus, que pelo segundo ano não vai desfilar. “É lógico que eu gostaria de colocar a minha escola na avenida, mas não dá para fazer e depois ficar endividada. Estamos apanhando para levantar a sociedade”, justifica Maria Helena.

Boa parte dos gastos dos desfiles hoje vai para pagamento dos participantes e confecção das roupas. Quem ainda está à frente da folia, reconhece que as equipes deixam a desejar em dedicação. “Eu fui mestre de bateria por 20 anos e nunca ganhei um centavo. Mas isso é porque adoro Carnaval e quero ver a coisa acontecer. Mas hoje temos que implorar para as pessoas participaram e ninguém põe dinheiro algum porque não se apega”, admite o presidente da Associação de Entidades Carnavalescas e membro da Unidos de Santa Cruz, Jorge Alci dos Santos.

Jorjão, que também participa da folia desde os anos 70, defende um modelo menos profissional e mais colaborativo. “Temos que parar de sonhar em fazer coisas muito grandes, porque não há dinheiro. Ao invés de buscar o músico profissional, temos que ir atrás do cara da vila que toca cavaquinho e ensaiar com ele.”

 



fonte: Redação Gazeta do Sul
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Comentários

Veja abaixo os últimos comentários sobre essa notícia.
Jose martin
04/02/2012 - 18h15 | 187.7.xxx

"Meu irmão, meu amigo ADAO PEDROSO, mAIOR RESPEITO A SUA PESSOA. Mas isso é do tempo em que faziamosFUTEBOL E CARNAVAL sem VISAR lucro. Hoje por traz das SOCIEDADES tem sempre algum ESPERTINHO querendo LUCRAR. Lembro muito bem quando faziamos futebol e Carnaval sem dinheiro publico. Saudades amigo"
Luiz Fernando Machado
04/02/2012 - 14h12 | 187.60.xxx

"O VETERANO TEM RAZAO, NA ALIANÇA ERAM 4 DIAS MAS BAH! O VIVA VIDA ERA A BANDA, NO FINAL IAMOS ATE O QUIOSQUE. HOJE!...O QUE TEMOS, ATE O TEU ESPAÇO PARA COMENTARIO E PEQUENO, TEM UMA COLUNA NA GAZETA TIPO TUNEL DO TEMPO FAÇO UMA CIA PARA QUE OS DAS ANTIGAS MANDEM FOTOS DOS CARNAVAIS NOS NOSSOS CLU"
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