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O momento em que o santamariense Paulo Roberto da Rosa Primo esteve mais perto da morte, nos sete anos em que atua como motorista de linhas interurbanas, possivelmente foi quando atravessou a ponte sobre o Rio Jacuí, em Agudo, na manhã da última terça-feira. O ônibus da Viação União Santa Cruz dirigido por Primo foi o último veículo a passar no local antes de a ponte desabar, por volta das 8h30. Segundo testemunhas, dois carros que vinham logo atrás do coletivo não tiveram tempo de fazer a travessia e acabaram caindo nas águas. Primo fazia a linha Santa Maria-Itajaí, que passa por Santa Cruz do Sul e pela Região Metropolitana antes de seguir a Santa Catarina. No momento em que cruzou sobre a ponte, transportava 15 passageiros. Nenhum notou o fenômeno ou escutou o barulho da queda. O motorista ficou a par do incidente quando passava em Paraíso do Sul, momento em que recebeu um telefonema da empresa. Ontem, Primo concedeu entrevista à Gazeta do Sul por telefone, a partir de Balneário Camboriú, durante o período de descanso no caminho para Itajaí. Gazeta do Sul – O senhor notou anormalidades ao passar pela ponte? Algum tremor ou algo assim? Paulo Roberto da Rosa Primo – No ônibus não percebemos nada. O trânsito fluía normalmente e não havia bloqueios. Entretanto, reduzi a marcha porque havia muita gente sobre a ponte, observando a enchente. Como não vinham veículos em sentido contrário, passei mais pelo meio da pista, temendo que um pedestre descuidado surgisse na frente do ônibus. Gazeta – Tem idéia de quantas pessoas estavam sobre a ponte? Primo – Talvez umas 60 em toda a extensão (incluindo a parte que não caiu). Gazeta – Alguém no ônibus percebeu ou escutou algum barulho da queda? Primo – Não se escutou nada. Ficamos sabendo do fato quando passávamos em Paraíso. O fiscal da empresa ligou para verificar se estava tudo bem e então contou o ocorrido. Gazeta – O senhor lembra se havia carros seguindo o ônibus sobre a ponte? Primo – Não sei dizer. Lembro que ultrapassei um caminhão baú e dois carros pouco antes da ponte, pois os motoristas seguiam em baixa velocidade, também observando a cheia. Gazeta – E como é a sensação de ter escapado por um triz da tragédia? Primo – Quando fiquei sabendo do acidente, levei um susto. Mas tenho muita fé e, antes de seguir viagem, sempre peço a proteção de Deus. Pelo visto, não era a nossa hora. fonte: Jornal Gazeta do Sul
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