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08/01/2010 - 09h48

Perdas na agricultura comprometem safra

Perdas na agricultura comprometem safra
Foto: Rodrigo Assmann

Plantações de tabaco e arroz foram as mais atingidas pela enchente no Vale do Rio Pardo. As proporções das perdas são desconhecidas e só devem ser calculadas no fim da safra, por volta de março. Em um ponto, no entanto, todos concordam: o rendimento da safra gaúcha será comprometido.

Nem mesmo os produtores têm noção de quanto vão deixar de colher após toda a chuva. A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) não tem números, pois prejuízos causados por enchente não são enquadrados no sistema mutualista, que atende danos de tufões, granizo ou queima de estufas. “Desde 1975 estou na Afubra e essa é a maior perda causada por chuva no tabaco”, impressionou-se o presidente, Benício Werner. Estimativas da entidade apontam que cerca de 20% da safra ainda estavam para ser colhidos.

A oferta em 2009/2010, já em risco, deve ficar ainda menor. Estimativas da Afubra apontavam que até o início do ano a quebra chegava a 15% no Rio Grande do Sul. “Agora vamos ter uma redução maior ainda e a falta de tabaco já é praticamente certa”, disse o presidente.

Uma ação adotada para amenizar as perdas aos produtores, segundo ele, foi pedir agilidade na comercialização junto das indústrias, que já passaram a receber a produção, segundo o Sinditabaco.

ARROZ

As lavouras de arroz, que estavam com o desenvolvimento atrasado em virtude da chuva no mês passado, voltaram a sofrer. Ainda não há estimativas oficiais, mas em alguns casos as áreas chegaram a ficar 50% submersas.

O produtor Sérgio Kessler, 47 anos, foi um dos atingidos. Sua plantação de pouco mais de 100 hectares, na região de Dona Carlota, em Santa Cruz do Sul, ficou totalmente coberta pela água. “Normalmente acontecem enchentes por aqui, mas dessa vez o nível foi cerca de um metro acima do que estávamos acostumados”, revelou.

A cheia na propriedade de Kessler e da esposa Neli foi ocasionada pelo Rio Pardinho. Ontem pela manhã a água começou a recuar e deixou estragos visíveis. Grande parte das curvas de nível foi levada. “Agora vamos ter que entrar na lavoura com as máquinas para dar continuidade à safra”, disse. O maior problema, segundo ele, deve ficar por conta do desenvolvimento e também da qualidade da safra, que deve ser comprometida.



fonte: Jornal Gazeta do Sul
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