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10/02/2010 - 07h29

Vice-prefeito critica falta de água em Santa Cruz

Vice-prefeito critica falta de água em Santa Cruz

Ontem foi mais um dia de falta de água para moradores de todas as regiões da área urbana de Santa Cruz do Sul. A situação, que tem se repetido pelo menos desde o início da semana passada, tirou a paciência do vice-prefeito Luiz Augusto Campis (PT). “Não se está mais aceitando o que a Corsan nos coloca”, afirmou pela manhã, confirmando que o Executivo já pôs um fim às esperanças de renovação do contrato. Conforme ele, o serviço oferecido pela companhia durante os seus 40 anos no município deixou a desejar.

O vice-prefeito lembrou que o problema envolvendo falta de água é antigo. “No ano passado, já tinha ocorrido isso.” Também ressaltou que a comunidade não pode ser culpada pelo aumento no consumo. “Vão querer que a população não use água?”, questionou. Conforme Campis, o Plano Municipal de Saneamento determinará regras e a empresa vencedora terá de cumpri-las, inclusive prevendo o tempo de um possível desabastecimento.

Campis disse ainda que a arrecadação da Corsan, que gira em torno de R$ 2 milhões mensais, não condiz com o serviço prestado. “Agora vamos projetar a demanda pelos próximos 20 anos e a sociedade terá participação decisiva”, garantiu. Acrescentou ainda que o plano foi contestado, mas que agora os santa-cruzenses entendem a importância de realizar uma licitação para escolher a concessionária que manterá o sistema de agora em diante.

O diretor de Operações da Corsan, Paulo Ricardo de Medeiros, garantiu ontem que a estatal está sendo injustiçada. “Estamos nos empenhando e fazendo várias obras.” Medeiros recorda que R$ 35 milhões – R$ 25 milhões para água e R$ 10 milhões para esgoto – serão aplicados, mas terão de ser devolvidos à União, caso o contrato não seja renovado.

Ele ainda acredita em uma rediscussão do assunto. “Querem mais investimentos? Que nos digam.” Segundo o diretor, dois reservatórios – um de 500 metros cúbicos na Avenida Léo Kraether e outro de 250 no Renascença – estão sendo construídos. O custo total é de R$ 1,2 milhão. Além disso, 13 quilômetros de rede serão substituídos na área central, com investimento de R$ 800 mil.

ENVELOPES

Será conhecida hoje a empresa responsável pela elaboração do Plano Municipal de Saneamento Básico. O estudo é uma exigência do Estatuto das Cidades e marca o primeiro passo do governo para a licitação dos serviços, prevista para acontecer ainda este ano. O governo agilizou a finalização do edital, que já foi lançado e prevê a apresentação das propostas até as 11 horas desta quarta-feira. A abertura dos envelopes está prevista para as 14 horas na Divisão de Licitações da Prefeitura.

POR TODOS OS LADOS DA CIDADE, A MESMA RECLAMAÇÃO

O acúmulo de roupas sujas evidencia a falta de água na residência de Maria Lourdes da Silva, 48 anos. Junto com o marido, os três filhos e os dois netos, ela teve de enfrentar mais um dia de desabastecimento no Bairro Imigrante. Assim como a dona de casa, moradores de várias regiões, tanto da parte baixa quanto da alta de Santa Cruz do Sul, foram atingidos ontem.

A falta de energia elétrica na Estação de Tratamento (ETA), no Bairro Pedreira, resultou na interrupção do fornecimento das 5h15 às 8h30, segundo o gerente local da Corsan, Luis Fernando Barbosa. “Ficamos três horas sem produzir e nossos reservatórios secaram.” Até o fim da tarde, a ETA operava com apenas 15% da sua capacidade. “Tinha tudo para ser um dia maravilhoso. Deu esse percalço”, comenta Barbosa.

A previsão era de que o abastecimento fosse normalizado até o fim da noite de ontem ou início da madrugada desta quarta-feira. Conforme o gerente, o fato ocorrido não tem relação com o último fim de semana, quando diversos bairros também ficaram sem água. “Na ocasião, houve um alto consumo por causa do calor, e a demanda acabou sendo maior do que poderíamos atender”, reconhece. Nem mesmo a produção de 35 milhões de litros foi suficiente para garantir o fornecimento à população.

Dentre as áreas afetadas nessa terça-feira estavam ainda Faxinal, Santuário, Higienópolis, Verena, Universitário, Santo Inácio, Ohland, Margarida/Aurora, Bom Fim e Centro. De acordo com Barbosa, a companhia estuda adquirir ou alugar um gerador de energia para evitar um novo desabastecimento. “Estamos vendo essa possibilidade, mas se trata de um custo muito elevado.”

O gerente fez questão de ressaltar que não há nenhum tipo de boicote pelo fato de a Prefeitura não ter aceitado a renovação do contrato – encerrado em dezembro – com a estatal. “Somos homens públicos e comandamos 60 funcionários. Temos caráter, jamais faríamos isso. Nosso compromisso é com a comunidade. Nunca cogitamos qualquer hipótese dessa. Agora o dia que tiver que largar, vamos largar”, frisa.

PROBLEMA TÉCNICO

O superintendente regional da AES Sul, Carlos Alberto Rocha, afirma que 1.932 clientes ficaram sem energia elétrica em decorrência de um problema técnico. Por volta das 4 horas de ontem, a CEEE havia restabelecido o sistema na subestação do Bairro Arroio Grande. “A partir disso, mobilizamos equipes para fazer a configuração da rede. Numa dessas manobras, o condutor de um dos alimentadores rompeu”, explica. Rocha assegura ainda que a primeira ligação para a concessionária foi registrada às 6h16 e o conserto demorou duas horas e 34 minutos.



fonte: Jornal Gazeta do Sul
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