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05/03/2010 - 09h57

Restrição ao Burley afetará 50 mil famílias produtoras

Restrição ao Burley afetará 50 mil famílias produtoras
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Uma medida ainda em estudo pela Organização Mundial da Saúde (OMS) poderá causar perdas diretas a 50 mil famílias produtoras de tabaco em todo o Brasil. O número corresponde a 26% dos agricultores e também pode impactar diretamente na atividade industrial.

Resultado dos debates envolvendo a Convenção-Quadro para Controle do Tabaco, a nova regra causaria reflexos diretos aos produtores do tipo Burley, usado na composição do cigarro. Segundo a proposta em análise pela OMS essa variedade deixaria de ser usada pelas indústrias, como já ocorre no Canadá desde o ano passado.

O alerta, que vem preocupando a cadeia produtiva, foi reforçado na tarde de ontem pelo chefe executivo da International Tobacco Growers Association (ITGA), António Abrunhosa. Ele proferiu palestra e também participou de uma reunião com representantes do Brasil, Argentina, Colômbia, Portugal, República Dominicana e Estados Unidos na Expoagro Afubra.

O texto da OMS deverá ser votado em um congresso marcado para novembro, no Uruguai. Até lá, no entanto, os produtores vão buscar apoio político para que o Brasil não aprove a nova composição dos cigarros. A intenção é obter uma resposta até maio. Segundo o português António Abrunhosa, antes de a OMS aprovar essa nova regra, o Brasil precisará se posicionar de forma contrária. O argumento para isso vai ter como foco o papel social do tabaco. “Seria como tirar metade da produção de Burley no Brasil. A consequência seria catastrófica”, disse.

A variedade, que na região de Santa Cruz do Sul tem poucos produtores, é cultivada por 50 mil famílias em toda a região Sul, segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Embora seja uma parcela do total produzido, esse volume poderia impactar também nas exportações. Atualmente esse tipo é beneficiado na região e vem principalmente de Santa Catarina e Paraná. “Com a instalação de empresas em Santa Catarina, esse tabaco vai deixar de ser trazido para beneficiamento aqui”, disse o presidente da Afubra, Benício Werner.

PRESSÃO


A mudança na composição dos blends dos cigarros vem sendo analisada desde o ano passado e envolve, além do Canadá, a Noruega, que tem baixa produção de tabaco.

Na mobilização coordenada pelos produtores, Abrunhosa argumenta que não basta apenas eliminar esse tipo de variedade, pois isso não influenciaria no consumo de cigarros no mundo. Até agora, no entanto, foram obtidos poucos avanços. No mês passado os brasileiros se reuniram com o comando da Casa Civil, mas ainda não tiveram uma posição a respeito do pedido. “Se for seguida a lei do Canadá, que proibiu todos os aditivos no cigarro, a produção dos american blend, que levam Burley e Oriental, fica impossível. Se a OMS amanhã tomar uma decisão como a do Canadá, significa que os produtores de Burley no Brasil poderiam ter metade do seu mercado eliminado em um dia por uma decisão legislativa”, observou.



fonte: Jornal Gazeta do Sul
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